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IVAN PEDRO

CAPÍTULO VI

O dia continuava solarengo, mas frio. Ainda tinha bem presente na memória o rigor do Inverno em Paúle, um ano antes. E apesar de estarmos no fim do Outono, já se sentia o ventinho gélido a soprar.

Nunca o café da dona Palmira parecera tão pequeno. Colocaram-se todas as mesas juntas, formando um enorme U, onde todos os convidados se sentaram. Que me recorde, apenas a engenheira Amândia Calheiros não compareceu ao copo-de-água.

Os noivos encabeçavam a mesa, ficando Cibele e os meus pais ao lado de Manuela, sendo seguidos por Camila e o noivo. A minha irmã enquadrara-a perto da minha família, já que ela não conhecia mais ninguém. Em resultado disso, eu fui “atirado” para a extremidade oposto, a seguir à família de Augusto.

Lamentava que Susana não me tivesse acompanhado, pois mesmo estando no meio de amigos, sentia-me um tanto só. E gostava de me mostrar a Camila como também tendo alguém. Sentimentos parvos, pois bastaria ela levantar um dedo para eu voltar para ela. Tornar a vê-la acordara-me para uma realidade onde o amor por Susana não apagara o que sentia por Camila. Uma dúvida se acercou do meu espírito. Seria eu capaz de amar alguém sem que esse amor fosse esfumado pela presença de Camila? A dor de a ter perdido era imensa, mas pensar que ela poderia ser a minha “metade”, a verdadeira, a única e eu desperdiçara, mortificava-me.

José Luís, sentado ao meu lado, perguntou-me:

─ Que te anda a fazer o Benfica?

─ Não é o Benfica. ─ corrigi. ─ São os dirigentes que lá estão. Eu não confundo as coisas. Aliás, acho que se a nação benfiquista soubesse o que se lá passa, corriam com eles ao pontapé.

A dona Palmira contratara um serviço de catering, sediado em Oliveira do Hospital, para se encarregarem da festa, libertando-a dessa responsabilidade. Por isso, meia dúzia de empregados elegantemente vestidos começaram a servir o almoço.

─ E que aconteceu? ─ inquiriu José Luís.

Recebi o pedaço de cabrito assado e as batatas no meu prato, respondendo:

─ Os gajos devem ter um acordo com aquele empresário, o Ambrósio. Não sei se conheces.

─ Já ouvi falar.

─ Queria que eu deixasse o Jorge para trabalhar com ele. ─ relatei.

José Luís recebeu a sua parte do almoço e comentou:

─ Sabes que o futebol é muito bonito, mas está cheio de podridão. É a lei do mais forte. Ganhar mais, pisando tudo e todos. Detesto gente assim. ─ Pousou o prato. ─ Foi por isso que gostei da forma como o Jorge geriu a assinatura do meu contrato com o Estoril. É um tipo porreiro. Tem aquele defeito, mas é porreiro.

─ Defeito?

─ É paneleiro! ─ exclamou. ─ Não olhes assim para mim. Não é por isso que não continuo a trabalhar com ele e até assinei um acordo para que ele fosse meu empresário. Só não consigo compreender aquelas opções...

─ Nem temos que compreender. ─ lembrei. ─ O facto de ele ser gay não me interessa minimamente. É um excelente profissional e um óptimo amigo.

─ Tens razão, Ivan.

Para além do cabrito assado e as batatas assadas, houve uma diversidade grande de doces para a sobremesa, sendo o ponto alto o bolo.

Dois empregados carregaram o grande bolo redondo com três andares e um casalinho de bonecos no topo até à mesa. Os restantes distribuíram taças de champanhe.

Enquanto isso, num dos cantos do salão do café, três indivíduos montavam os instrumentos musicais e respectivo equipamento. Eram um grupo musical contratado para animar a festa.

Os convidados levantaram-se todos, concentrando a sua atenção nos recém-casados. Um empregado entregou uma enorme faca ao meu cunhado, colocando este a lâmina sobre o bolo e aguardando a mão da minha irmã sobre a dele. Ambos prontos, empurraram a faca e cortaram juntos a primeira fatia do bolo, como manda a tradição.

Todos pegámos nas taças que nos haviam sido distribuídas e erguemo-las no ar, saudando-os, desejando as maiores felicidades e finalizando com um golo no líquido espumante.

Houve, claro, quem para além de um golo bebesse logo tudo e se apressasse a voltar a encher o copo.

O grupo musical ligou o equipamento, o que fez ecoar um som arrepiante.

─ Perdão! ─ pediu o individuo com sotaque brasileiro. ─ Boa tarde, pessoal!

Alguns responderam ao cumprimento.

─ Queremos começar por parabenizar os noivos e desejar às maiores felicidades ao casal.

─ Obrigado! ─ responderam em uníssono, Manuela e Augusto.

O grupo começou por tocar uma espécie de valsa, a qual daria o mote para a primeira dança dos noivos. Manuela e Augusto abandonaram os seus lugares e caminharam até ao centro da sala, no meio do U de mesas, começando a dançar perante o olhar de todos.

Após alguns momentos a observá-los, quase todos se agruparam em casais e foram acompanhá-los na dança. Como não tinha par, dancei com a minha sobrinha, a qual adorava que lhe pegasse ao colo e dançasse com ela.

Enquanto dava os passos no meio dos casais dançarinos, observava alguns deles. Os meus olhos encontram os de Camila que imediatamente os desviou. Sentia-lhe a raiva, cada vez que os encarava.

Prossegui a observação e reparei em Justino a dançar com a cunhada, Deolinda. Notei a forma diferente como se olhavam. Já referi que desde a morte de Abílio e a melhoria económica da vida de Justino que este tomara a seu cargo as necessidades da viúva. Não calculei que a satisfação das necessidades dela fosse para além da ajuda monetária e um ombro amigo. Contudo, aquela forma de se olharem não enganava, pelo menos a mim. E faziam muito bem. Justino era solteiro e Deolinda viúva. Porque não haveriam de se unir, se assim os seus corações o desejassem? Talvez o receio das opiniões alheias na aldeia.

Depois, contemplei a dança dos meus pais. Fiquei encantado e com uma pontinha de inveja de ver a forma como dançavam, abraçados um ao outro, olhando-se nos olhos de forma enternecida de quem se amava como no primeiro dia, um amor com mais de três décadas.

A música parou, alguns segundos, até o conjunto iniciar outra. Esta era um pouco mais ritmada, o que fez algumas pessoas regressarem às mesas.

A festa manteve-se animada, ao longo da tarde. Muita música, divertimento, pessoas a conversarem, etc...

Perto do entardecer, quando o Sol começou a desaparecer no horizonte, os noivos começaram a despedir-se dos convidados. Iriam partir para uma breve lua-de-mel, passada no hotel de Tábua, onde Joselino arranjara uma suite nupcial para eles passarem uma semana inteira. Era exactamente por esta razão que os meus pais iriam permanecer em Paúle mais uma semana, ficando em casa da filha a cuidar da neta.

A lua-de-mel seria apenas interrompida pela presença de Augusto no jogo do dia seguinte.

Perante o aceno dos convidados, o casal partiu de carro, afastando-se do café ao som das latas presas ao pára-choques traseiro, a saltitar no alcatrão. Foi o ponto final na cerimónia, pois os convidados começaram a despedir-se e a regressarem às suas casas.

Reparei que Camila se despedia dos meus pais, juntamente com o seu noivo. Pensei em ir intrometer-me, mas optei por não o fazer, ficando onde estava e aguardando que fosse ela a tomar a iniciativa da despedida.

Findas as despedidas com os meus pais e Cibele, Camila e Nick dirigiram-se para a saída, tendo ela resumido a minha despedida a um aceno frio com a mão e um olhar de “fica aí”.

Retribui o aceno e fiquei a vê-la partir no luxuoso carro que o noivo alugara. Não era uma desistência dela, pois sentia que ainda tínhamos que falar mais uma vez, nem que fosse para dizer e ouvir as mesmas coisas. Estava a tornar-me um Camiladependente.

Alguns convidados passaram por mim e despediram-se com afecto, recordando-me que eu continuava a ser uma figura querida da terra.

Segui até ao local onde os meus pais se sentaram e também eu me sentei numa cadeira vaga.

─ Vou regressar a Lisboa, amanhã bem cedo. ─ informei-os.

─ Pensei que ficasses até ao jogo. ─ disse o meu pai. ─ Alguns dos teus ex-colegas contam com isso.

─Bem sei. Mas, não estou cá a fazer nada. E sempre tenho mais tempo para descansar.

─ Tens razão filho! ─ concordou a minha mãe.

Olhando para ambos, indaguei:

─ E vocês, quando voltam?

─ Na próxima semana. ─ informou o meu pai.

─ Depois avisem-me! Eu vou buscá-los à estação.

─ Não é preciso. ─ recusou. ─ Nós safamo-nos bem.

Aproximei-me de ambos e sussurrei:

─ Não falem a ninguém da minha partida. Não gosto de despedidas, vocês sabem.

─ Tudo bem. ─ concordaram ambos.

Dei um beijo a cada um e levantei-me. Olhei para os que ainda ali estavam, levantei o braço e disse:

─ Até amanhã!

 

Quando saí de Paúle, não se via uma única pessoa na rua. O dia mal amanhecera e o Sol dificilmente apareceria resplandecente, com tantas nuvens cinzentas no céu. Não havia dúvidas de que o Inverno estava à porta. Só me cruzei com o primeiro carro para lá de Tábua, a caminho do IP3.

Esforçava-me para não me desconcentrar da condução. Contudo, a minha mente vagueava em pensamentos e não conseguia esquecer aquele reencontro com Camila.

Entrei finalmente no IP3 e a minha apreensão aumentou. Mesmo não havendo muito trânsito, o perigo parecia espreitar em cada curva ou recta.

Incrível como Susana de tornara uma recordação distante nas últimas vinte e quatro horas. Parecia não haver mais nada no mundo para além de Camila. Repentinamente, surgiu na minha cabeça que poderia estar a repetir erros do passado, pois acontecera o mesmo na manhã seguinte a ter feito amor com Raquel. Nessa altura, Camila reapareceu e Raquel passou de amada a “a mais”.

Teria de ter muito cuidado na forma como iria gerir as minhas atitudes futuras. Se queria voltar a tentar recuperar Camila, deveria pôr um ponto final na relação com Susana.

E se não conseguisse ter Camila de volta?

Ficava sem as duas. E isso não me parecia uma boa opção.

Num pensamento egoísta, considerei que a minha relação com Susana, para além das relações sexuais e alguns momentos juntos, não tinha nada de especial. Podia muito bem, sem que Susana soubesse, tentar nova oportunidade com Camila. Se visse que conseguia, então arranjaria maneira de terminar com ela. Como disse anteriormente, uma forma egoísta de pensar.

Parei na portagem e retirei o ticket, antes de entrar na auto-estrada. Tinha pela frente, perto de duzentos quilómetros de monotonia.

Adorava os momentos que passava com Susana. Lamentava apenas que ela se afastasse tanto, durante a semana, quase fingindo que não me conhecia. Se fosse daquelas pessoas que vêem histórias em tudo, ficaria logo a pensar que ela escondia alguma coisa. Porém, sabia que não.

Nunca conhecera ninguém como ela era na intimidade. Fogosa, selvagem, apaixonada e insaciável. Fora de longe a melhor parceira na cama que tivera. Confessava-se apaixonada por mim, mesmo que nunca tivesse dito um “amo-te”. Não a confrontava com o assunto, pois eu próprio também não o dizia. A nossa relação era recente, mas eu estava muito apaixonado por ela... até rever Camila.

Como seria quando a voltasse a ver? Será que a conseguiria olhar da mesma forma como da última vez que a vira? Perceberia Susana essa alteração no meu olhar? Pelo menos, eu percebia sempre algo de estranho no seu. Mesmo nos momentos mais ternos e íntimos, notava-lhe alguma distância no olhar. Era o seu feitio. E quem era eu para a julgar.

Quase nunca a confrontei com estas questões, justificando-as eu para mim com o seu recente divórcio e o receio de uma nova relação. Apreciava-lhe muito a sua preocupação comigo e as suas tentativas de me aconselhar.

A minha condução era quase automática. E quando dei por mim estava às portas de Lisboa, desviando para a ponte Vasco da Gama, rumo a Alcochete.

Cheguei a casa a meio da manhã.

Assim que pousei as malas em casa e fechei a porta, peguei no telemóvel e liguei para Susana. Estava com saudades dela e do que ela me fazia.

─ Olá, Ivan! ─ atendeu.

─ Já estou em casa. ─ disse-lhe. ─ Queres passar por cá e almoçar comigo?

─ Não posso, Ivan. Mas, podemos encontrar-nos à tarde, que achas? ─ sugeriu após a recusa.

─ Vens ter comigo, cá a casa?

─ Combinado. ─ concordou.

E desligou.

Sozinho como já me habituara a estar, fui tomar um banho e pensar no que ia fazer para almoçar.

 

A tarde ia a meio, quando ouvi a campainha a tocar. Estivera a passar o tempo, vendo um jogo de futebol que estava a dar na SportTv. Levantei-me do sofá e caminhei até à porta, sentindo a ansiedade aumentar com a chegada de Susana.

Só de pensar no aproximar dela, o meu corpo reagia de imediato, como se cada célula despertasse para o que aí vinha.

Aguardando encostado à ombreira da porta de casa, vi Susana subir as escadas envolta num quente casaco comprido escuro. Dirigiu-se a mim e parou à minha frente, segurando-me as faces com as mãos e beijando-me os lábios com ternura.

─ Olá, Ivan!

─ Olá, Susana!

Susana entrou e começou a desapertar o longo casaco, despindo-o e deixando-o no cabide à entrada. Eu fechei a porta e segui atrás dela para a sala.

Enquanto lhe copiava o caminho, contemplei a forma como vinha vestida, um casaco branco de malha muito justo que realçava as suas formas corporais, uma saia curta preta, as pernas envolvidas num sensual par de meias pretas e sapatos de salto alto da mesma cor.

─ Estás muito bonita. ─ elogiei. ─ E muito sensual.

Susana virou-se para mim e atirou-me um sorriso atrevido.

─ Então? Como correu o casamento da tua irmã? ─ perguntou.

Seria natural que me viesse à memória a cerimónia. Mas, em vez disso, surgiu-me o rosto de Camila. E algo em mim esfriou.

─ Correu bem. Casaram. ─ disse.

─ Que raio de resposta é essa? ─ irritou-se ─ Quero saber pormenores, como foi, quem foi, etc...

─ Se tinhas tanta curiosidade, devias ter ido. ─ retorqui.

Susana fulminou-me com o olhar e inquiriu:

─ Que se passa contigo?

Apercebi-me que estava a ser parvo e pedi-lhe desculpa.

─ Tudo bem. ─ aceitou, sentando-se no sofá.

─ Queres beber alguma coisa? ─ ofereci.

Susana abanou a cabeça.

Sentei-me no sofá e comecei a contar-lhe tudo o que acontecera no dia anterior, omitindo propositadamente qualquer pormenor que envolvesse Camila.

─ Acabei por vir mais cedo, pois não valia a pena ficar mais tempo. ─ completei. ─ Tive muita pena que não tivesses ido.

Susana olhou-me com ternura, acariciou-me a face e argumentou:

─ Já te expliquei, Ivan. Não me sentiria inserida no meio dos teus amigos.

─ Tu nunca os queres conhecer. ─ lembrei, acariciando a sua mão.

Baixando o olhar, Susana justificou:

─ Ivan! Eu ainda tenho medo do caminho que estamos a percorrer. Já me magoei muito. Por isso, agora, quero fazer as coisas com calma. E peço-te que compreendas isso.

Abracei-a com muito carinho e trocámos alguns beijos.

Suspendendo os beijos, Susana levantou-se do sofá e esticou a saia. Direccionou-me um olhar malicioso e perguntou:

─ Convidaste-me para vir cá. Que tens em mente?

Levantei-me igualmente, abracei-a pela cintura e colei o meu corpo ao dela.

─ Que achas? ─ interroguei, sabendo que ela adivinhava o que me ia em mente.

Susana não respondeu. Limitou-se a pegar-me na mão e a levar-me para o quarto. Entrámos de mão dada e ela fechou a porta.

─ Su...

─ Não digas nada! ─ ordenou. ─ Eu é que mando.

Sorri e deixei que ela tomasse conta da acção.

Subitamente, empurrou-me, encostando-me à parede. Encarou-me o olhar, enquanto puxava o fecho do casaco para baixo, abrindo-o completamente e revelando-me o soutien branco transparente. Encostou novamente o seu corpo ao meu e recusou que as minhas mãos a tocassem.

─ Só quando eu disser! ─ avisou.

A sua face quase tocava a minha, fazendo-me sentir a sua respiração. Começou a beijar-me os lábios suavemente, aumentando em seguida a intensidade até trocarmos aqueles beijos vorazes... Parou. Olhou-me trocista e passou os beijos para o pescoço.

Iniciou uma descida lenta pelo meu corpo, ajoelhando-se no chão, aos meus pés, e desapertou-me as calças. Puxou-as violentamente para baixo, seguindo-se as minhas cuecas. Fiquei nu da cintura para baixo, mesmo em frente à sua cara.

Não consegui evitar olhar para baixo. Susana ajoelhara-se e a sua saia subira até à cintura, revelando as cuequinhas de renda que faziam conjunto com o soutien. Inclinou-se para trás e agarrou os seios, apontando-os para mim.

─ Quere-los? ─ perguntou.

Não respondi, mas a expressão da minha face fê-lo por mim.

Susana puxou o tecido e fez os seios saltarem para o exterior, ficando ainda mais empinados.

Sentia-me excitado, muito excitado.

As suas mãos avançaram para as minhas coxas, deslizando suavemente até a esquerda me segurar pelos testículos e a direita acariciar lentamente a minha rigidez.

Fechei os olhos para poder sentir melhor o seu toque.

Os seus dedos fechavam-se num anel que se enroscava ao meu membro, acariciando-o em movimentos de rosca. Senti a lubrificação a aparecer. Arrepiei-me com o toque da ponta da sua língua. Abri as pálpebras, olhei para Susana. A sua boca abria-se para me receber. Voltei a cerrar as pálpebras.

Os lábios apertavam-se contra ele, enquanto a língua o saboreava. As mãos dela continuavam a massajar as zonas onde haviam estacionado. Estava a sentir um prazer incrível. Susana tirou-o da boca e fez a língua saltitar à sua volta, mantendo-o seguro com força e sem magoar. Deu-lhe um beijo na pontinha e deixou os lábios encostados. Depois, começou a abri-los lentamente e o anel labial avançou escorregadiamente pela erecção.

Eu deliciava-me com a pressão dos seus lábios. A sua boca avançava até ao máximo, voltava atrás e tornava a ir à frente. A cada vez que fazia o percurso, aumentava o ritmo, procurando os limites do meu membro e da sua boca.

Os meus músculos começaram a contrair-se. Estava quase num clímax intenso.

─ Estou quase... ─ ofeguei.

Susana nem ligou ao que eu dissera, continuando freneticamente o que começara.

Quase arrebentava de prazer. Fiz um esforço para segurar ao máximo a sensação.

Só que chegou o momento em que não aguentei mais e libertei toda a energia... na boca dela.

Aguentou mais algumas, abrandando os movimentos e relaxando a pressão da mão e dos lábios. Retirou-o carinhosamente da boca, massajou-o mais um pouco e largou-o. Reparei que o sabor não deveria ser dos melhores, mas ela não se queixou. Fez-me sinal com a mão para esperar e manteve o olhar no chão, tapando a boca com a outra mão.

Levantou-se, abriu a porta e correu para a casa de banho.

Despi-me todo e fui ao seu encontro na casa de banho. Encontrei-a a limpar a cara com uma toalha, depois de se ter lavado.

Abracei-a e comecei a lamber-lhe os mamilos e a acariciar os seios empinados. Sentei-a numa cadeira que ali tinha e foi a minha vez de me ajoelhar no chão.

Afastei-lhe as pernas e beijei-lhe as coxas, percorrendo um caminho de beijinhos ternos até ao centro. Comecei a beijar-lhe a renda das cuecas até a começar a mordiscar. Levantei os braços e as minhas mãos apertaram-lhe os seios, fazendo-a soltar gemidos de prazer.

Abocanhei-lhe o tecido, chupando e puxando-o numa mistura de força e ternura. Mantive uma mão num seio, mas fiz a outra deslizar até ao tecido rendado. Com o polegar, afastei-o carinhosamente e fiz avançar a minha língua.

Senti o gosto dos seus lábios mais íntimos, usando o polegar e o indicador para os afastar um pouco. A minha língua percorria toda a zona que rapidamente se humidificara. Beijava-a, chupava-lhe cuidadosamente os pontos mais sensíveis e ela soltava uns “issoooo” em resposta.

Encontrei-lhe o ponto principal e levei até lá a ponta da língua, fazendo pressão e movimentos circulares. Seguidamente, saltitei com ela sobre aquele pontinho que sobressaia erecto, abanando-o e atiçando-o, alternando com chupões suaves.

─ Oh sim! Oh sim! ─ repetia Susana. ─ Isso! Não pares!

O corpo de Susana entesou-se todo, as suas pernas apertaram-me a cabeça e as suas mãos agarraram-me os cabelos.

─ OH SIM! ─ gritou ela em êxtase.

Susana quase pulava da cadeira e contorcia-se toda, explodindo num orgasmo fantástico, a avaliar pela expressão do seu rosto, quando me afastei.

─ Foste demais! ─ afirmou.

─ Também tu! ─ confessei.

Levantei-me, pois os joelhos já doíam de estar apoiados no chão. Saí da casa de banho e regressei ao quarto.

Um minuto depois, Susana passava por mim completamente nua, despenhando-se na cama. Deixara a roupa para trás e deitara-se na cama, de barriga para cima, em frente a mim. Abriu as pernas em jeito de convite e disse:

─ Por que esperas? Quero sentir-te dentro de mim.

Abri a gaveta da mesa-de-cabeceira e retirei um preservativo. Estimulei-me um pouco e desenrolei-o em volta do membro sequioso daquelas paredes quentes que ela me oferecia.

Deitei-me sobre ela, entre as suas pernas, e comecei a beijar-lhe os lábios com carinho. Susana abraçou-me ternamente e afastou as pernas ao limite, ansiando receber-me. As minhas mãos navegavam pelo seu corpo.

A minha excitação procurava a entrada, mas só com a ajuda da mão de Susana, encontrou o caminho correcto. Senti-o a escorregar e a entrar com facilidade, saboreando a pressão dela a afagá-lo dentro de si. Empurrei-o até ao fundo e retirei devagarinho. Voltei a empurrar e a retirar, tudo feito deliciosamente devagar.

Temperava os movimentos com beijos vigorosos na sua boca, pressionando os seus lábios com os meus e sentindo as suas respostas.

Aumentei o ritmo das subidas e descidas sobre o seu corpo. Susana começava a ofegar com maior intensidade e os nossos corações palpitavam em grande aceleração.

As suas pernas abraçavam-me pela cintura, mas não evitavam que eu saltasse livremente entre elas.

─ Mais! Mais! Mais! Isso. ─ dizia no meio da respiração descompassada.

O meu corpo comprimia-se com a proximidade do orgasmo. Eu embatia nela cada vez mais depressa e com mais força, quase parecendo magoá-la.

Explodi de prazer e tê-la-ia inundado, não fosse a borracha que nos separava.

Susana vincou o seu orgasmo, apertando-me entre as suas pernas.

Quando me libertou, caí para o lado exausto e reparei que ela também estava.

Permanecemos em silêncio, até eu dizer:

─ Ficas para jantar?

─ Não posso. ─ recusou. ─ Amanhã tenho que me levantar cedo. E não quero sair daqui muito tarde.

Apoiei-me no braço e sugeri:

─ Não queres passar cá a noite?

Susana sorriu.

─ Se passasse cá a noite, não dormiria certamente.

Voltei a cair sobre a almofada. Observei o tecto e comentei:

─ Parece que o Benfica quer rescindir comigo.

Foi a vez de Susana se apoiar no braço e ficar a olhar para mim.

─ Como assim? ─ interrogou.

─ Propuseram ao Jorge a minha rescisão, de forma a libertarem-se do salário e, claro, libertarem-me a mim.

─ Então vais poder assinar contrato com outro clube. ─ constatou animada.

─ Não é bem assim. ─ desanimei-a. ─ Eles impõem como condição serem indminizados, se eu assinar por um clube da Superliga ou do estrangeiro nos próximos dois anos.

─ E o que diz o teu empresário, acerca disso?

─ Ainda não falei com ele. Só tivemos tempo para ele me dizer isto, na Sexta.

Susana sentou-se na cama, puxou o cabelo para trás e tornou a olhar para mim.

─ Desculpa, dizer-te isto! ─ pediu. ─ Mas, acho que estás a cometer um erro, em não assinares com aquele tipo que te fez aquela proposta.

─ O Ambrósio?

─ Sim. ─ confirmou. ─ Sei que tens os teus princípios, mas solucionavas os teus problemas.

─ E a que preço?

─ Bolas, Ivan Pedro! ─ barafustou, levantando-se da cama. ─ De que te servirão os princípios com a carreira arruinada? Pensa nisso!

─ Eu não posso trocar o Jorge...

─ O Jorge, se fosse teu amigo, já tinha ele próprio aberto a porta para o largares. ─ concluiu. ─ Tu é que sabes, Ivan! Eu não gosto de dar conselhos. Só me custa ver-te sair prejudicado por uma guerrinha de empresários.

Levantei-me da cama e abracei-a. Beijei-lhe o rosto e disse-lhe:

─ Vou falar com o Jorge e saber o que se passa. Talvez ainda esta semana me encontre com os dirigentes do clube.

Susana abanou a cabeça, concordando, apesar de pouco convicta no bom termo da situação.

Deixando-me sozinho no quarto, Susana pegou na roupa e foi tomar um banho. Regressou já vestida, penteada e maquilhada. Despediu-se de mim com um beijo caloroso na minha boca e partiu com a promessa de novo encontro, no final da semana seguinte, como costume.

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