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IVAN PEDRO

CAPÍTULO XXI

Não passei mais que um dia em Alcochete, tendo partido novamente para Paúle na manhã seguinte. O encontro com Camila aconteceu em minha casa como era costume. Nunca ficava mais tempo para além do necessário. Quase se tornava um padrão os nossos encontros. Ela chegava a minha casa e envolvíamo-nos naqueles quentes momentos de prazer até cairmos exaustos. Trocávamos algumas frases, actualizando as informações um do outro. Esperava sempre que ela trouxesse a decisão final relativamente ao seu futuro. Só que a resposta continuava a ser um “preciso de mais tempo”. Mas, já não havia muito tempo até ao regresso de Nick.

Circulava pela A1 com um objectivo diferente ao que costumava ter quando por ali passava. Durante a noite, pensando na situação absurda do G. D. Paúle querer perder os jogos por falta de dinheiro para jogar numa divisão superior, surgiu-me um plano para ajudar o clube.

A meio da manhã... talvez mais ao fim da manhã, cheguei ao hotel do senhor Ulisses Velez. Ainda tive alguma dificuldade em encontrar o caminho, pois não me recordava de todos os pormenores do trajecto. Entrei no edifício e dirigi-me à recepção, sendo atendido por um senhor fardado com as insígnias do hotel no casaco.

─ Bom dia! Gostaria de falar com o senhor Ulisses Velez.

─ Quem devo anunciar? ─ perguntou o individuo.

─ Ivan Pedro! ─ informei, sentindo algum receio que Ulisses Velez não se lembrasse de mim.

O recepcionista ligou para o escritório do patrão, enquanto eu fiquei a olhar para o interior do hotel, mais povoado de hóspedes que quando lá estivera da última vez. Assim que pousou o telefone, disse-me:

─ O senhor Velez vai recebê-lo. ─ Fez sinal a um empregado e ordenou-lhe que me acompanhasse até ao gabinete do patrão. ─ O rapaz leva-o até lá.

O jovem levou-me pelo interior do edifício, guiando-me pelo mesmo caminho por onde passara com Aquiles. Só parou no instante em que nos deparámos com a simpática secretária do senhor Ulisses.

─ Como vai, senhor Ivan Pedro? ─ perguntou gentilmente, estendendo-me a mão delicada.

─ Bem, obrigado. ─ respondi, apertando com cuidado a sua mão.

Após dispensar o rapaz, conduziu-me até ao gabinete de Ulisses Velez.

Ao ver-me, Ulisses levantou-se da cadeira e veio cumprimentar-me no seu jeito afável.

─ Peço desculpa por vir assim sem avisar. ─ disse eu, apertando a mão que me estendera.

─ Não tem importância. ─ respondeu com um sorriso. ─ Quer um cafezinho?

─ Não, obrigado.

Ulisses Velez fez sinal à secretária que não necessitava de mais nada e ela abandonou a sala, regressando ao seu local de trabalho.

─ Que o traz por cá, amigo Ivan Pedro?

─ Nem sei bem por onde começar. ─ confessei. ─ É um assunto algo melindroso.

─ Ora essa, meu amigo. Desembuche! ─ exclamou, sentando-se na sua cadeira e convidando-me a fazer o mesmo na outra, em frente à sua mesa de trabalho.

─ Não sei se é uma pessoa que dê atenção ao futebol...

─ Alguma. ─ respondeu prontamente. ─ Acompanho a Superliga com especial interesse na Académica. E sigo os jogos daqui da Naval. Também tenho atenção aos resultados do Paúle, desde que o Aquiles joga lá. Por falar nisso, parece que o último jogo não correu muito bem.

─ A nossa equipa está a passar por uma má fase. ─ expliquei. ─ Aliás, era por causa disso que lhe vinha falar. Temos boas hipóteses de subir de divisão, mas o clube não tem dinheiro para enfrentar uma competição como a 2ª Divisão B. Precisa de um patrocinador para a próxima época, mas tem sido difícil encontrá-lo. Por isso, pensei em falar consigo e saber se estaria interessado em patrocinar o Paúle.

O semblante de Ulisses alterou-se ligeiramente, abandonando a expressão amistosa de conversa de amigos para a postura de homem de negócios equacionando as vantagens da proposta.

─ Vou ser muito sincero consigo, amigo Ivan Pedro. ─ disse-me. ─ Não tenho muito interesse em patrocinar uma equipa da 3ª Divisão.

─ Mas, aquilo que lhe peço é que os patrocine, caso subam à 2ª Divisão B. ─ argumentei. ─ Até porque compreendo que só assim se justificaria para si, pois só aí a equipa teria uma visibilidade que lhe poderia trazer lucros.

─ Como compreende, é uma situação que tem que ser pensada. ─ retorquiu. ─ Tem ideia dos valores que estamos a falar?

─ Não. Mas, posso dar-lhe o contacto do presidente do clube. Ele, melhor que ninguém, o poderá elucidar nesse aspecto.

O senhor Ulisses Velez olhou para o relógio e disse:

─ Tenho de ir almoçar. Faz-me companhia, amigo Ivan Pedro?

Abanei a cabeça afirmativamente.

 

─ É uma situação difícil para os jogadores. ─ percebeu Ulisses, cortando um bocado de bife. ─ Mas, também compreendo a posição do vosso presidente. Também é difícil para ele, constatar que não pode ir mais longe por falta de dinheiro.

─ Seja como for, sempre joguei para ganhar, por isso, se isto se mantiver assim, prefiro não jogar. ─ afirmei.

Estávamos ambos a almoçar na esplanada do hotel com o mar e a praia como paisagem. O restaurante estava bem movimentado, pois a melhoria do clima aumentara o afluxo de clientela ao local.

─ Permita-me a pergunta, amigo Ivan! ─ pediu. ─ Se o meu amigo vai jogar para o Benfica, na próxima época, porquê essa preocupação?

Bebi um golo do meu sumo e expliquei:

─ As pessoas de Paúle merecem que a equipa suba de divisão. E seria uma forma bonita de sair do clube, para mim, participando em mais um momento de glória. Talvez o que mais me irrite nesta história seja o pedido para perdermos. Sei que sempre fui terrivelmente ambicioso, por isso... Já quase tinha aceitado a ideia de não voltar a jogar pelo Paúle, perante os factos. Só que quando me lembrei desta possibilidade, decidi tentar falar consigo.

─ O que me pede não é fácil. ─ argumentou Ulisses Velez. ─ Já para não falar que iria patrocinar uma equipa fragilizada, pois não iriam contar consigo na próxima época. E talvez nem com o Aquiles, pois não duvido que o meu irmão o queira de volta ao clube.

─ O senhor Lúcio Velez prometeu-me um acordo com o senhor Alfredo Carrapiço, de forma a emprestarem alguns jogadores ao Paúle. ─ relatei. ─ Serão reforços para ajudar na campanha da próxima época.

─ Sim... ─ concordou, torcendo o nariz. ─ São reforços, mas não deverão ir para Paúle mais que um ou dois. Não se esqueça que os jogadores do Benfica são indivíduos com ordenados altos. E o Benfica não vai suportar muitos salários de jogadores emprestados. Para além disso, não vão mandar para lá mais-valias, talvez emprestem algum ex-júnior ou alguma contratação falhada. Não sei até que ponto seriam reforços.

Dava para perceber que Ulisses Velez percebia do que estava a falar. Não se tratava de um mero curioso na informação desportiva. E, de facto, ele não deixava de ter a sua razão.

─ Confesso que não sei o que dizer para o convencer. ─ suspirei. ─ Não o enganaria e concordo com as dúvidas que levantou. Sinceramente, acredito que eles têm potencial para fazer uma boa época na 2ª Divisão B.

─ Você é bom rapaz, amigo Ivan! ─ exclamou Ulisses. ─ Até me sinto tentado a aceder ao seu pedido em consideração a si.

─ Isso deixar-me-ia muito feliz! Mas, temo que possa ter algum prejuízo com o patrocínio. E não quero que pense que tento enganá-lo.

─ Caro amigo Ivan! Estou consciente dos riscos. ─ disse peremptório. ─ Sou um homem de negócios. E os negócios acarretam riscos. ─ Bebeu um pouco do vinho tinto. ─ Meu amigo, se subirem de divisão eu patrocino o Paúle!

Senti uma enorme satisfação. Apesar de ter tido a ideia, não acreditava muito que conseguisse. Assim, estavam reunidas as condições para que o Paúle voltasse a jogar para ganhar.

Logo que terminámos o almoço, o senhor Ulisses Velez pediu-me imensa desculpa, mas teria de me deixar, pois tinha uma reunião. Convidou-me a permanecer no hotel e a desfrutar da praia. Agradeci-lhe a oferta, mas declinei com a justificação que pretendia regressar a Paúle, nessa tarde. Despedimo-nos, não sem que antes o senhor Ulisses Velez reafirmasse a sua disponibilidade no patrocínio.

Lancei-me na travessia do IP3 debaixo de um Sol quente, rumando do litoral para o interior do país. Levava comigo a boa-nova do patrocínio, mas decidi não o revelar até encontrar a altura indicada.

Ao estacionar o carro no lugar do costume, deparei-me com o senhor Lenin à porta do seu minimercado.

─ Olá, senhor Sebastião! ─ cumprimentei. Ninguém lhe chamava Lenin, pois era uma alcunha.

─ Boa tarde, Ivan!

─ Sem clientes? ─ questionei perante a sua postura sossegada.

Lenin encolheu os ombros.

─ Até logo! ─ finalizei, subindo as escadas para o apartamento.

Ao entrar, encontrei o mais completo sossego. Não se ouvia nada e o ambiente tinha uma penumbra escura. Ainda julguei que Susana estivesse deitada a descansar, mas afinal não estava lá ninguém. Sempre que regressava a casa, interrogava-me se seria daquela vez que Susana havia partido para sempre.

Sinceramente, na altura, não era um facto que me importasse. Sentia-me o melhor do Mundo, inchado de orgulho e arrogância. Parecia que tinha tudo ao meu alcance. Conseguira reatar a relação com a mulher que amava, estando em vias de poder vir a casar com ela, e estava a caminho do clube dos meus sonhos. O que se passava com Susana, se teria partido ou não, se estava bem ou mal era irrelevante para mim.

Como tinha treino nesse fim de tarde, optei por me deitar um pouco e repousar da viagem. Reparei nas roupas de Susana no quarto e constatei que não partira.

A vida corria-me bem. Parecia que nada me podia atingir. Considerava-me tão importante que até fora capaz de arranjar o patrocínio para o Paúle jogar a 2ª Divisão B, caso subisse de escalão.

Ali me deixei ficar, adormecendo despreocupado. Acordei pouco antes da hora de sair de casa e rumar ao treino.

No estádio de Paúle, encontrei uma equipa ainda abatida com os acontecimentos do fim-de-semana. Notava-lhes no olhar a desmoralização e a condenação pela minha atitude.

Augusto foi o primeiro a acercar-se de mim, dizendo:

─ Voltaste hoje de Lisboa?

Assenti com a cabeça.

─ Podias ter dito alguma coisa. ─ lembrou.

Olhei-o com má cara e questionei:

─ Qual é tua, Augusto? Agora tenho que te dar justificações?

─ Não é isso. Só que esperávamos que chegasses de manhã e...

─ Eu tenho telemóvel, jovem! Se estavam preocupados, ligassem para mim.

Augusto não deu resposta, segurando no equipamento para se começar a vestir.

─ A Susana tem ficado lá connosco. ─ disse, após vestir a camisola.

─ Faz ela bem. ─ retorqui, borrifando-me para o assunto.

O plantel subiu ao relvado, onde era aguardado pela equipa técnica. Seguiram-se os exercícios habituais. Comportava-me de maneira diferente. Cada vez que me lembro disso, sinto-me envergonhado pela minha postura de quem se achava mais importante que todos os outros.

No final do treino, regressei a casa desejando que Susana tivesse tido a feliz ideia de não voltar, deixando-me à vontade. Porém, mal parei o carro em frente ao edifício, reparei nas luzes acesas e concluí que ela voltara de casa de Manuela.

Ao entrar no apartamento, encontrei Susana sentada no sofá a ver a telenovela. Não duvido que me tenha ouvido entrar, mas permaneceu estática a olhar para o ecrã, fingindo que não dera pela minha presença. Caminhei até ela e disse:

─ Olá!

Susana olhou para mim. Notei-lhe a palidez do rosto e o ar abatido.

─ Olá! ─ retribuiu secamente.

─ Estás bem? ─ perguntei preocupado, pois ela tinha um aspecto doente.

Encolheu os ombros em resposta, dizendo:

─ Até parece que te interessas.

─ Preocupo-me contigo. ─ retorqui, apesar de ultimamente não ser verdade. ─ Estás pálida e tenho-te visto indisposta.

─ Grande preocupação! ─ exclamou, virando-se para mim, no sofá. ─ Ficaste tão preocupado que quando vieste do jogo nem quiseste saber como eu estava. E foste para Lisboa sem me veres e ficaste lá sem te ralares minimamente se eu estava bem ou não. É assim que te preocupas com as pessoas?

─ É o que tenho para te oferecer. ─ respondi com desprezo. ─ Se te agrada ou não, para mim é indiferente.

Susana levantou-se do sofá, passando a mão pelo cabelo.

─ Já não espero muito de ti. ─ confessou. ─ Houve alturas em que compreendia a forma como me tratavas. Até achava que tinhas razão, perante o que te fizera. ─ Fez uma pausa, sorrindo com ironia. ─ Mas, agora, Ivan... Juro-te que não percebo a tua mudança. Não te fiz nada, a não ser tentar agradar-te. E tu...

─ Tentaste agradar-me por medo que te pusesse na rua. ─ interrompi bruscamente. ─ Sabes que tens os dias contados aqui e tentaste usar a tua melhor arma para não seres corrida. ─ Susana franziu-me o rosto, chocada com o que eu insinuava. ─ Pensaste que irmos para a cama te manteria cá para sempre?

─ Nunca pensei isso. ─ ripostou com amargura. ─ Tínhamos um acordo e eu estava a cumpri-lo. Nunca quis fazer parte da tua vida, se assim o não desejasses! Tu é que ficaste diferente, desde que te tens encontrado com a...

─ Camila.

─ Sim. ─ concordou. ─ Estiveste novamente com ela, não foi?

─ Foi! ─ confirmei com felicidade. ─ Já não falta muito para que fiquemos juntos definitivamente. Quero casar com ela o quanto antes.

Eu falava como se o que Susana pudesse pensar ou sentir fossem irrelevantes. Tentava agredi-la com as palavras e fazê-la sentir-se como lixo para mim. No entanto, surpreendi-me ao ver as lágrimas escorrerem-lhe pela face, após a última frase.

─ Não precisas de ficar assim. ─ disse com arrogância, enfadado com a sua falsa tristeza e a sua teatralização de coitadinha. ─ Tentarei ajudar-te a encontrar um canto para ficares. E vou empenhar-me nisso, pois esta situação tem de ter uma resolução rapidamente.

─ Não estou a chorar por causa disso! ─ afirmou segura de si, mantendo uma postura firme, onde só não conseguira controlar as lágrimas. ─ Mas, também não te vou explicar porquê, pois não compreenderias.

─ Estás a chamar-me burro? ─ interroguei irritado.

─ Não. ─ negou ela, limpando o rosto. ─ Tenho pena que ao longo deste tempo não tenha percebido certas coisas.

─ Que coisas?

Susana lançou um sorriso lacónico por entre as lágrimas.

─ Não consegues adivinhar?

─ Nem me darei ao trabalho. ─ retorqui com frieza.

Novamente, limpou as lágrimas com as costas das mãos, olhou-me com firmeza e disse:

─ Apaixonei-me por ti!

Se houve alturas em que desejaria ouvir aquilo, naquela, a declaração surgia como um incómodo. Mais um incómodo com Susana, de entre tantos que tivera com ela.

─ Azar o teu. ─ respondi, desvalorizando completamente os seus sentimentos. ─ Não me interessa nada que venha de ti! Lamento que sintas isso, se é que de facto o sentes...

─ Não acreditas? ─ questionou irritada, ferida no seu orgulho e fragilizada com a situação. ─ Como podes ser tão cruel? Como podes ter uma ideia de mim tão...

─ Poupa-me esta cena, Susana! ─ ordenei. ─ Não estou com paciência para declarações de amor fraudulentas de uma mulher que mente com quantos dentes tem na boca.

Susana baixou a cabeça, dando-se por vencida. Sentiu que não valeria a pena continuar. Limpou as lágrimas pela última vez, secando o rosto e tornando a encarar-me.

─ Lamento que não queiras acreditar. ─ disse ela com a voz embargada.

Sem dizer mais nada, passou por mim em direcção ao quarto. Contudo, antes de sair da sala, voltou a olhar para mim e disse:

─ Não preciso que te preocupes mais comigo! Tenho uma proposta de trabalho no Porto e vou aceitá-la. Partirei o mais rapidamente possível. Descansa que nunca mais aparecerei na tua vida.

E seguiu para o interior do quarto.

─ Faz como quiseres! ─ respondi, pouco interessado no futuro dela. Naquela altura, só me interessava a Camila e o Benfica.

Susana não perdeu muito tempo a dar seguimento à sua vida, uma vez que a situação era insustentável para ela. Logo nessa noite, telefonou à minha irmã e pediu-lhe que a levasse até Oliveira do Hospital, na manhã seguinte, para apanhar o Expresso para o Porto. Tudo isso sucedeu tão cedo que eu nem me apercebi, pois ainda dormia descansadamente.

Manuela foi buscá-la ao amanhecer, permitindo-se levá-la até ao Expresso antes de entrar ao serviço. Quando regressou de Oliveira do Hospital, seguiu sem demora para o emprego. No entanto, aproveitou a hora de almoço para me procurar.

─ Não dá para entender. ─ dizia-me ela, sem perceber o porquê do fim da minha relação com Susana. ─ Que aconteceu?

─ Fartei-me. ─ respondi, aborrecido com a sua inquirição.

─ Rica justificação. ─ concluiu. ─ Que raio de maneira tu tens de tratar as mulheres.

─ Não fales do que não sabes. ─ avisei.

─ Primeiro a Camila, depois a Raquel. ─ continuou. ─ Agora a Susana. Fora as outras que eu não sei.

─ Mas tu és minha mãe, bolas? ─ irritei-me. ─ Não tenho que te dar justificações daquilo que faço, maninha.

─ Aí isso é que tens. ─ ripostou com a mesma irritação. ─ Tens, quando as tuas atitudes têm influência nos sentimentos dos nossos pais.

─ Que queres dizer com isso?

─ Sabes muito bem, o que quero dizer! Fizeste com que se afeiçoassem à Camila. Tiveram de ultrapassar a vossa separação e sofreram com isso. Agora, apresentas-lhes a Susana... Bolas, Ivan! Sabes como também se afeiçoaram a ela.

Pensei contar-lhe a verdade ou, pelo menos, falar-lhe no regresso de Camila à minha vida. Só que considerei não ser ainda o momento, limitando-me a abanar a cabeça em concordância com ela, dizendo:

─ Também o lamento.

Manuela levou a mão à testa como se tentasse sentir o seu peso. Passou a mão pelo cabelo, esticando-o para trás.

─ Sabes que ela foi para o Porto? ─ perguntou.

─ Sei. ─ respondi. ─ Ela contou-me, ontem.

─ Foi essa a razão da separação? ─ inquiriu.

─ Não.

─ Então qual foi?

Caminhei pela sala e sentei-me no sofá.

─ Prefiro não falar nisso, agora. ─ disse eu, não mostrando grandes possibilidades de ser convencido do contrário.

─ Como queiras. ─ aceitou Manuela. ─ Adeus!

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