Votos do utilizador: 0 / 5

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

DEIXA QUE O AMOR SEJA A TUA ENERGIA

CAPÍTULO XVI

Dois dias antes do jogo com o Benfica no Estádio da Luz, a comitiva com os jogadores, equipa técnica e dirigentes partiu de Paúle rumo a Lisboa.

O silêncio dentro do autocarro que nos levava era avassalador, demonstrativo do nosso estado de espirito. Todos sabiamos que iriamos perder o jogo.

A vontade era nem sequer viajar para Lisboa. Contudo, seria uma vergonha o Paúle perder por falta de comparência.

No último treino que fizeramos em Paúle, José Luis chamara-me à parte e sugeriu-me que não jogasse. Para ele, o jogo estava perdido e não havia necessidade de me expôr. Apreciei a forma como abordou o assunto e a sua preocupação com o futuro da minha carreira, já que se tornara público o interesse de alguns clubes da Liga de Honra e Superliga.

Agradeci a sua preocupação, mas pedi-lhe que me deixasse jogar. José Luis permitiu-o.

Assim, ali estava eu a olhar para as bermas da A1, rumo a Lisboa, com Augusto a meu lado a ler o jornal.

A equipa chegou ao hotel, ao inicio da noite. Todos se instalaram o melhor possivel nos quartos do edificio.

José Luis quis repouso absoluto e só voltámos a sair do hotel para uma sessão de treinos no novo Estádio da Luz, na tarde seguinte.

Todos ficaram sem fala, ao pisar o relvado, com a dimensão do estádio. Até eu, que chegara a jogar no antigo Estádio da Luz pelo Alverca, fiquei abismado. Imaginei o que seria jogar ali, perante todos aqueles lugares ocupados, coisa que não iria acontecer na noite do jogo.

Ainda se chegou a falar numa comitiva de apoio popular, vinda de Paúle. No entanto, os populares preferiram poupar dinheiro e acompanhar o confronto pela SportTv. Ou então, a quem não interessava aquele jogo, podia ver a outra meia-final na RTP.

José Luis orientou o treino de adaptação ao relvado.

Após os exercicios fisicos e a corridinha em volta do relvado, jogámos uma peladinha em metade do campo. O nosso treinador colmatou a falta de um segundo guarda-redes, convencendo Serafim, que raramente era convocado, para ocupar o lugar. Descobrira-lhe o jeito numa brincadeira num treino.

O nosso guarda-redes principal, desde o acto louco de Norberto, passara a ser Augusto, porém continuava muito inseguro na baliza.

Augusto e eu partilhávamos o mesmo quarto de hotel. Ele desabafava muito comigo e confessou o seu receio de fracassar na baliza. Mesmo os jogos para o campeonato, que não correram nada bem, não ajudaram à sua auto-confiança.

─ Tens de acreditar mais em ti. ─ disse-lhe, olhando para o seu ar desalentado, sentado na sua cama. ─ A confiança tem de partir de ti.

─ Aquele golo na semana passada. ─ lembrou. ─ Aquilo foi um “peru”!

─ Acontece, Augusto.

Enunciou diversos casos ocorridos consigo. Eu sabia de quase todos. Percebera que a sua insegurança na baliza, logo ao primeiro dia que o lá vi.

A proximidade da Primavera começara a notar-se no ar. A noite estava quente e eu decidi ir até à varanda, apanhar um pouco de ar.

Em silêncio, observei a cidade iluminada por milhares de pontinhos laranja. Fez-me lembrar os passeios nocturnos com Camila, onde nós iamos até à margem do rio e ficávamos a olhar para a capital, na outra margem.

Senti um peso espiritual sobre mim. A falta que sentia de Camila, de a ter perto de mim... Recordar que ela já não estava viva. A sensação continuava a ser brutal para a minha alma. Aliás, a ferida da sua morte sempre estivera no meu coração. Porém, penso que aos poucos me habituei a lidar com ela.

Olhei para o ceu, observando as estrelas e querendo acreditar que uma delas seria Camila. Era uma forma romântica de a recordar ou, pelo menos, crer que a podia ver sempre que olhasse para o ceu, à noite.

Ouvi umas pancadas suaves na porta do quarto. Augusto foi abrir e convidou José Luis a entrar. Este perguntou por mim e veio ao meu encontro na varanda.

─ Boa noite, Ivan!

─ Boa noite, mister! ─ Notei-lhe o ar apreensivo no olhar. ─ Que se passa?

José Luis coçou o nariz e informou:

─ Decidi que, amanhã, começas o jogo no banco!

─ Porquê? ─ interroguei, aborrecido.

─ Compreende, Ivan! Preciso de ti para o campeonato. ─ argumentou. ─ O jogo de amanhã é para cumprir calendário! Já imaginaste o Paúle a ganhar ao Benfica na Luz? Só em filme.

─ As pessoas não dizem que estamos a viver um conto de fadas? ─ inquiri.

─ Mesmo os contos de fadas têm um fim. ─ ripostou José Luis. ─ E eu não quero que o fim deste, implique um triste fim na história do campeonato.

─ Mas, mister...

José Luis travou as minhas palavras com um gesto e continuou:

─ Está decidido! E lembra-te, Ivan. Um mau jogo, amanhã, pode ser um rude golpe nas tuas aspirações, se jogares.

─ E também pode ser nas suas, se eu não jogar. ─ alertei. ─ As pessoas vão questionar o porquê de eu não jogar.

O treinador encolheu os ombros e completou:

─ Prefiro assim. Tu ainda tens muito a dar ao futebol! Eu? Eu terei sempre um clube de aldeia para treinar, seja o Paúle ou outro qualquer.

E com aquelas palavras, desejou-nos uma boa noite e foi-se embora.

 

A adrenalina estava ao rubro no corpo dos jogadores do Paúle. Finalizavamos o equipamento e preparavamo-nos para subir ao relvado e iniciar o aquecimento.

Eu e os meus colegas de banco, limitámo-nos a umas singelas trocas de bola. Já os titulares faziam exercicios empenhadamente, sob a orientação de José Luis.

O ambiente era hostil. Não por qualquer receio de que pudessemos significar qualquer obstáculo ao Benfica. Apenas, ouviamos “bocas” e as claques tentavam humilhar-nos.

Deviam estar no estádio uns vinte a trinta mil espectadores, o que naquele anfiteatro era sinónimo de menos de meia-casa. Se o adversário fosse o Porto ou o Boavista, não tenho dúvidas que estaria a abarrotar de gente.

Ao fim de perto de meia hora, regressámos aos balneários para o apronto final, antes do jogo.

Tudo era grande e luxuoso, ali. Os meus colegas estavam fascinados com o requinte do interior e os pormenores, onde até jacuzzi havia para os jogadores. Até eu, que conhecera os balneários do velhinho Estádio da Luz, fiquei impressionado.

Chegara a hora. Juntamente com os suplentes, atrás dos titulares, observei as duas equipas, lado a lado, no túnel de acesso ao relvado. De um lado, os subejamente conhecidos jogadores do Benfica, novissimamente equipados de vermelho e branco, que pareciam brilhar de glória. Do outro, onze homens humildes, pensando onde se tinham vindo meter, equipados com a camisola preta e o calção branco já lavados milhentas vezes, atordoados com a grandeza de tudo e desejosos de chegar ao fim com dignidade.

As equipas sairam para o relvado e ouviu-se o ecoar dos gritos dos adeptos, exaltando a sua equipa. Era arrepiante o ambiente e, simultaneamente, medonho.

Os jogadores do Benfica olhavam para nós, sorriam-nos com simpatia e cumprimentávam-nos. Mas, nós sabiamos que, lá no fundo do seu ser, estavam confiantes que a vitória era sua. Só os parvos acreditavam no discurso de que “todos los equipos son dificil”.

Abilio encabeçava a fila dos titulares que caminhavam para o rectângulo, colocando-se ao lado uns dos outros. José Luis conduzia os suplentes para o banco.

As três equipas, Benfica, Paúle e árbitros, cumprimentaram o público e dispersaram-se pelas duas metades do rectângulo. Abilio ficou com o capitão do Benfica e com a equipa de arbitragem.

Sentei-me no banco, logo ao lado de José Luis. Vi Abilio perder na moeda ao ar e ser-lhe atribuido o pontapé de saida.

O jogo começou, instantes depois.

O treinador do Benfica poupara quatro dos principais titulares, mas não os dispensava do banco de suplentes para qualquer eventualidade. Mesmo assim, o jogo só se desenrolava na nossa metade do relvado.

A equipa do Benfica pressionava-nos sem descanso e, com naturalidade, marcaram o primeiro golo aos dez minutos da primeira parte. Dez minutos. Dez miseros minutos, aquilo que conseguimos aguentar sem sofrer golos.

Mesmo a vencer, os “encarnados” não nos deram descanso e continuaram a pressionar. Nenhum de nós pensava em recuperar, apenas segurar o jogo e perder com dignidade.

Aos vinte e dois minutos, não evitámos o segundo golo do Benfica.

O rosto dos meus colegas em campo e no banco, o rosto de José Luis e do doutor Gervásio estavam com um semblante de conformação, perante tanta superioridade.

A vencer por dois a zero, o Benfica aliviou a pressão e limitou-se a controlar o jogo. Isso permitiu-nos as primeiras entradas no seu meio-campo, mas apenas para tomarmos consciência de como éramos impotentes para os contrariar.

Os primeiros quarenta e cinco minutos de jogo chegaram ao fim. Levantei-me do banco e vi os meus colegas sairem do relvado com o olhar no chão.

─ Deixe-me jogar na segunda parte. ─ pedi.

─ Não é necessário, Ivan! ─ respondeu José Luis. ─ Isto está resolvido.

─ Por favor, mister!

─ Queres ir mostrar-te aos dirigentes do Benfica, é?

─ Não! Você sabe que não é essa a minha ideia. ─ contrariei. ─ Quero sair daqui com a noção que fiz tudo para vencer. E não o consigo, a ficar sentado no banco.

José Luis parou no tunel, encarou-me frontalmente e disse:

─ Tudo bem, Ivan! Queres jogar? Volta ao relvado e vai aquecer!

Não perdi um segundo e regressei ao relvado, começando a correr e a fazer exercicios para me preparar para o jogo. O doutor Gervásio acompanhou-me naqueles instantes.

Alguns minutos passados e as equipas estavam de volta. Vi o José Luis a assobiar-me e a fazer-me sinal para ir ter com ele.

─ Atenção ao lateral deles! ─ alertou José Luis. ─ Não o deixes subir no terreno!

Assenti com a cabeça e corri para o quarto árbitro. Entrei para o lugar de Castanha.

O jogo recomeçou com o toque na bola do avançado do Benfica.

O Paúle tentou fechar ao máximo a defesa, de forma a evitar mais golos. Vi a bola embater na barra, por duas vezes.

O tempo foi passando, nós fomos aguentando e o Benfica foi-se desleixando.

O Benfica jogava ao primeiro toque e começava a exagerar no número de vezes que tentava fazer “bonitos” para os espectadores. Aos trinta e três minutos da segunda parte, interceptei a bola no meio-campo e corri com ela para o terreno adversário. Completamente balanceado para o ataque, os jogadores do Benfica surpreenderam-se ao verem-se na contingência de recuar urgentemente, atrás de mim.

Tinha o último defesa do Benfica à minha frente, fintei-o com uma daquelas fintas de fazer cair o queixo aos adeptos contrários e rematei forte, encaixando a bola no fundo da baliza.

Festejei com os meus colegas e apontei para José Luis como que dizendo: Este é para ti!

O jogo reiniciou-se. O Benfica tremeu, mas não caiu e retomou a pressão. No entanto, eu mostrara o caminho ao Paúle. Afinal, não era impossivel marcar-lhes golo.

Aos quarenta e um minutos de jogo, Abilio passou-me a bola, junto à linha central. Recepcionei-a e corri com ela. Fintei o primeiro, passei o segundo, ludibriei o terceiro e sentei o quarto no chão, deixando a bola para Hélder que só teve que empurrar para a baliza.

─ Onde é que andava este homem? ─ perguntara o comentador, durante a transmissão televisiva.

José Luis dava pulos de alegria no banco. Surrealista era o minimo que se podia dizer do que estava a acontecer.

A equipa correu para o Hélder, abraçando-o. E depois, vieram todos no meu encalço, felicitando-me pela fabulosa jogada.

Aos quarenta e cinco minutos da segunda parte, o quarto árbitro levantou a placa com a indicação dos minutos que se jogariam mais. Todos se preparavam para jogar um prolongamento de mais trinta minutos.

Mesmo no fim do jogo, um dos avançados do Benfica isolou-se na frente de Augusto. Estava demasiado longe de qualquer um de nós, para que pudessemos retirar-lhe a bola ou fazer falta sobre ela. Em segundos, todos percebemos a cruel realidade de que aquele lance nos colocaria fora da Taça.

O individuo de camisola vermelha rematou com força. Vi Augusto esticar-se todo e tocar a bola com os punhos, evitando o golo com uma defesa do outro mundo.

A bola subiu bem alto, vindo cair perto de Sassi. Este passou-a a Abilio que rapidamente me viu a correr pelo meio-campo adversário.

Abilio chutou a bola e eu corri o mais que pude, conseguindo suster o passe, antes que a bola saisse pela linha de fundo. Troquei a voltas ao defesa e centrei a bola para a área.

A bola embateu num defesa e voltou para mim. Segurei-a, pisando-a contra o relvado. Um defesa tentou tirar-ma, mas acabou fintado. Investi pela área e rematei colocado, introduzindo a bola novamente no fundo da baliza.

Explodimos de alegria.

O estádio ficou mudo.

Correram todos na minha direcção, saltaram para cima de mim, eufóricos. Vieram os colegas no banco, o José Luis, o doutor Gervásio... Pareciamos loucos.

O árbitro apitava constantemente. Queria que voltássemos ao nosso lado do relvado para que ele pudesse recomeçar o jogo. Mas, o jogo estava no fim.

Aos poucos, lá regressámos. E o jogo foi retomado.

O Benfica atirou-se deseperado contra nós. Contudo, tivemos cabeça fria e aguentámos os segundos finais.

Quando o árbitro apitou o final do jogo, nós voltámos aos festejos.

Não dava para acreditar no que tinhamos conseguido. Da mesma forma, não dava para acreditar na vaga de assobios e a forma como os jogadores do Benfica foram vaiados pelos seus adeptos. Uma equipa que tivera uma excelente participação na Liga dos Campões, lutava pelo titulo nacioanal e chegara às meias-finais da Taça de Portugal. Mais uma vez se confirmava a velha máxima “de bestiais a bestas”. Tudo, só porque tinham sido vencidos por uma humilde equipa da III Divisão.

Os jornalistas acotovelavam-se para nos entrevistar. Alguns ainda conseguiram proferir uma ou duas palavras. No entanto, a confusão no tunel era tanta que se tornou impossivel perceber o que quer que fosse.

A seguir ao tunel, a equipa de reportagem da SportTv pediu ao José Luis e a mim que nos deslocassemos até ao local a que chamavam flash interview para nos entrevistarem.

O primeiro a ser abordado com questões foi o capitão do Benfica, o qual lamentou a derrota e apontou, como causas para isso, a desconcentração da equipa e prometeu que iriam todos trabalhar para voltar às vitórias. Curioso, o facto de todos dizerem sempre a mesma coisa e terem sempre o mesmo discurso.

O reporter fez-me sinal e eu encaminhei-me para o seu lado, encarando a câmara de filmar e o projector adjacente.

─ Ivan Pedro! Um grande jogo?! ─ começou ele.

─ O Paúle fez um bom jogo. ─ respondi. ─ O Benfica também jogou bem. Tivemos alguma sorte com aquelas bolas à barra... Ainda bem que vencemos.

─ Mas, o Ivan foi o homem do jogo! ─ afirmou.

─ Não. ─ recusei. ─ Fomos todos! Se o mister me colocasse lá sozinho, havia de ver se eu ganhava alguma coisa.

O jornalista sorriu e atirou mais uma questão:

─ E agora? Este jogo pode catapultá-lo para outros palcos, não?

─ Não sei. E, sinceramente, não me preocupo com isso. O Paúle contratou-me com um objectivo. Estamos a lutar por o concretizar e é essa a minha preocupação.

─ Esses objectivos passam pela conquista da Taça?

─ O mister responde-lhe a essa pergunta. Mas, se vamos à final, não é para passear.

O reporter agradeceu-me e chamou técnico do Benfica. O individuo passou por mim e estendeu-me a mão, felicitando-me pelo grande jogo que fizera.

Seguidamente, respondeu às perguntas do jornalista, dizendo que o Paúle jogara muito bem e que merecera a vitória. Referiu as falhas da sua equipa e reiterou as felicitações ao nosso clube, adicionando votos de boa sorte para o Jamor. Depois, despediu-se e foi cumprimentar José Luis.

Vi o reporter olhar para um papel. Penso que quereria chamar o treinador do Paúle, mas não se lembrava do seu nome. Por isso, socorreu-se da cábula com o nome dos intervenientes.

─ Senhor José Luis! Um jogo histórico para si?!

─ Para todos. ─ respondeu. ─ Penso que até para o Benfica.

─ O que leva uma equipa da III Divisão, a atravessar algumas dificuldades no campeonato, a chegar à final da Taça de Portugal?

─ O sonho! Penso que tudo se resume a isso. Os meus jogadores jogam por amor ao futebol. Não jogam pelo dinheiro. Talvez o amor ao futebol seja a sua força em campo.

As palavras dele fizeram-me lembrar o “deixa que o amor seja a tua energia” de Camila. Será que a minha força para lutar contra as adversidades da carreira de futebolista, vinham do amor ao futebol? Camila incentivava-me a crer que o nosso amor era a minha energia. Porém, talvez o nosso amor fosse somente isso. E a minha energia, a paixão pelo futebol.

─ E agora a final. Para ganhar? ─ interrogou o homem do microfone.

─ Se ganhámos ao Benfica, acho que podemos continuar a sonhar.

─ Na final vai ter de enfrentar o Porto.

─ Que seja.

─ O conto de fadas terá um final feliz?

─ Depende do que as pessoas acharem que é um final feliz. Eu acredito que sim!

 

Nessa mesma noite, o G. D. Paúle regressou à aldeia. Uma viagem extremamente calma até chegarmos.

Apesar do adiantado da hora, toda a aldeia nos recebeu em apoteose. Tinhamos colocado Paúle no mapa do desporto nacional.

O autocarro foi obrigado a seguir para o estádio do clube e a população foi ovacionar os seus jogadores. Desfilámos no relvado de Paúle, debaixo dos fraco holofotes dos estádio, acenando ao povo que parecia estar a viver a maior alegria da sua vida.

Observava a felicidade de cada rosto que via. Sentia-me feliz por ter sido parte do que provocara aquela onda de alegria. Depois, aliei-me de tudo e recordei Camila. Como seria bom que ela pudesse ter assistido àqueles momentos de glória. Sei que, por muito longe que estivesse, vibraria tanto ou mais que eu por mim. Pensei no que o reporter dissera e tentei imaginar as consequências daquele jogo. Cheguei a ter a louca ilusão que a minha exibição poderia atrair os dirigentes do Benfica a me contratar. Talvez esse fosse o meu sonho, jogar no Benfica.

Abilio deu-me uma pancada nas costas e disse-me:

─ Acorda, rapaz! Olha para eles! Aproveita a glória, rapaz, pois ela é efémera!

Total de Visitas 275178