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O QUE O DINHEIRO NÃO COMPRA

CAPÍTULO X

Ao fim de algumas voltas pelas ruas da cidade de Lisboa, Mário concluiu que não encontraria nenhum bar aberto, onde tomar aquele copo com Joana.

─ É melhor seguirmos já para Fernão Ferro! Está tudo fechado.

Mário não queria dar-se por vencido, nem tão pouco, ver a possibilidade de estar mais algum tempo com ela, esfumar-se. No entanto, com todos os bares fechados, só lhe restava uma hipotese.

─ Quer vir beber qualquer coisa a minha casa? ─ convidou.

─ É melhor não. ─ recusou Joana com um sorriso de quem adivinhava as intensões dele.

Mário lançou-lhe um olhar de relance, evitando perder a concentração na estrada, e disse:

─ Não é nada disso que está a pensar.

─ Não estou a pensar nada. ─ ripostou ela, rapidamente.

─ Está. Eu sei que está. ─ insistiu ele. ─ Mas, garanto-lhe que não tenho qualquer intensão desse género. Gosto da sua companhia! Só estou a convidar para beber qualquer coisa e conversar, nada mais. Assim que quiser, eu levo-a para casa.

─ E se eu quiser já?

─ Deixa-me destroçado, mas não insistirei mais.

Fez-se silêncio.

Mário conduzia pela Rua Joaquim António de Aguiar, em direcção ao tunel.

─ Preciso de uma resposta, Joana. Sigo para a ponte ou desvio para minha casa?

─ Espero não me arrepender. ─ suspirou. ─ Desvie!

Ele conduziu o Audi A3 paralelamente ao tunel até parar no semáforo do cruzamento seguinte. As ruas estavam completamente desertas e nem nos edificios se viam focos de luz, para além das ténues luzinhas de Natal deixadas acessas. Mesmo não havendo qualquer carro a circular, Mário respeitou o sinal vermelho até este passar a verde, altura em que arrancou, virando à esquerda em direcção ao Centro Comercial das Amoreiras.

A rua seguia numa direcção ligeiramente virada à direita. Mário contornou o complexo comercial até chegar à entrada das garagens da torre sul. Carregando no botão de um pequeno comando, ele abriu o portão rolante que subiu até ao topo, deixando entrar o veiculo.

Entrando pelo acesso, Mário conduziu pela garagem com a pericia de quem o fazia todos os dias, chegando rapidamente ao seu lugar de estacionamento.

Tudo estava completamente silencioso. Sairam ambos do carro e caminharam juntos para o elevador. Joana sentia um nervoso miudinho, quase arrependida por ter aceite o convite e recriminando-se mentalmente pelas ideias de desejo que lhe passavam pela cabeça.

Mário comportava-se com naturalidade, preocupando-se em fazer tudo para que ela não se assustasse ou receasse qualquer intensão sua. Deixou-a entrar primeiro no elevador e entrou a seguir, carregando no botão com o número do seu andar.

A subida foi calma e silenciosa, não sabendo ambos o que dizer só para fazer assunto. O elevador parou no andar pretendido, fez ecoar um sinal sonoro, ao que se seguiu o abrir das portas. Mário voltou a dar prioridade a Joana e depois também deixou o aparelho, caminhando na direcção da sua porta.

O silêncio era tão intenso que até parecia ouvir-se a própria respiração. Mário meteu a chave na fechadura, rodou-a e abriu a porta. Entrou, acendeu a luz e disse:

─ Entre, Joana! Esteja à vontade.

Joana entrou e ficou a olhar para o luxuoso apartamento. Não era qualquer bolsa que poderia suportar um apartamento daqueles, já para não falar em todas as coisas valiosas que se espalhavam pela casa, desde quadros, mobilias, aparelhos de som e imagem, etc...

─ Vive sozinho? ─ indagou ela, quase sabendo a resposta.

─ Sim.

Joana deixou-se conduzir até á sala e sentou-se no lugar do sofá que ele lhe oferecera.

─ Que quer beber? ─ perguntou Mário.

─ Que tem para oferecer?

Ele apontou-lhe o bar onde não parecia faltar nada.

─ Pode ser um gin. ─ disse ela.

Mário caminhou até ao balcão e retirou dois copos, servindo um gin para ela e um whiskey para si. Seguidamente, segurou os dois copos, um em cada mão, e atravessou a sala até ao sofá, sentando-se ao lado dela e entregando-lhe o copo.

Joana revelou-se inibida com a proximidade dele, o que fez Mário dizer:

─ Não quero que se sinta desconfortável. Se quiser, sento-me ali.

─ Não. Que disparate! ─ exclamou sem conseguir desprender-se do nervosismo. ─ Estou em sua casa...

─ Não quero que pense que a estou a tentar seduzir. ─ interrompeu ele. ─ Garanto-lhe que não acontecerá nada que não seja pretendido por ambos.

A frase parecia não dizer nada e dizer tudo, ao mesmo tempo. Joana compreendeu que ele desejava aquilo tanto quanto ela, mas não faria nada que ela não quisesse. No seu intimo, Joana sentia um profundo desejo de ir para a cama com ele, mas a razão assolava-lhe o espirito com a certeza que seria uma atitude precipitada.

─ Tem muito jeito com crianças! ─ afirmou Mário, despertando-a dos pensamentos. ─ Já pensou em ser educadora de infância?

─ O meu sonho é ser médica. ─ disse ela, bebendo um pouco de gin. ─ É para isso que estudo. Estudo à noite e trabalho de dia.

─ Sim já me tinha dito. Imagino que seja uma vida cansativa. ─ constatou ele.

─ Tem de ser assim. ─ continuou ela. ─ Preciso do emprego para pagar as contas, todos os meses.

Mário deu um golo na sua bebida e disse:

─ Pode não parecer, mas compreendo isso bastante bem. Já lhe contei que a minha familia era pobre. Também existia o problema das contas para pagar, até das coisas mais basicas como a comida.

─ A minha familia também não é propriamente rica. ─ confessou Joana. ─ Felizmente nunca nos faltou o que comer e beber, mas não havia dinheiro para coisas superfulas. ─ Mais um golo. ─ Desde pequena que quero ser médica. Estudei para ter as melhores notas e candidatei-me ao curso de Medicina em Coimbra, mas acabei colocada em Lisboa, a terceira opção, pois as notas não eram suficientemente altas para Coimbra e Porto.

─ Deve ter sido terrivel, vir da provincia e enfrentar a vida quotidiana da capital. ─ lembrou ele. ─ Pelo menos, para mim foi. Recordo-me que quando vim estudar para cá, isto parecia a Nova Iorque que nós vimos nos filmes, tal era a confusão. E eu estava tão habituado ao ambiente pacifico de Sesimbra.

─ Exactamente! ─ concordou Joana. ─ Em Ponte da Barca também era assim. Tudo calmo e tranquilo.

─ Para nós, a maior confusão eram as festas.

─ Sim, é verdade. Aquelas festas populares... Também as tinhamos lá.

─ Eu gostava muito dos bailes! ─ confidenciou Mário. ─ E os meus avós obrigavam-me a ir na procissão e à missa.

─ Também a minha mãe.

Soltaram ambos umas risadas, deliciados com as recordações.

─ Ah... ─ suspirou Joana. ─ Também adorava ir aos bailes. Adoro dançar.

─ Também eu. ─ confessou ele como se fosse algo que o envergonhasse. ─ Parece que temos muita coisa em comum.

─ É! Parece que sim. ─ concordou ela, olhando-o enternecedoramente.

─ Quer dançar? ─ convidou Mário abruptamente, ganhando coragem para o fazer.

Joana assentiu com a cabeça.

Levantando-se do sofá, Mário pousou o copo e dirigiu-se ao aparelho de som. Pegou num CD e colocou-o no respectivo leitor, fazendo ecoar o Separate Lives cantada na voz inconfundivel de Phil Collins. Regressou junto dela e estendeu-lhe a mão.

Ela aceitou a sua mão e deixou que ele a envolvesse com os seus braços, conduzindo a dança. Joana fechou os olhos, encostando a cabeça ao seu ombro e sentindo o cheiro do seu perfume.

Mário tocava-a como se ela fosse uma flor. Joana fazia-o sentir bem e despertava em si coisas maravilhosas que ele nunca conhecera. A musica ecoava baixinho e entrava nos ouvidos de ambos, aumentando o clima de proximidade.

A meio da melodia, Joana afastou a cabeça do ombro dele e ficou a olhá-lo nos olhos, contemplando-o. Ele respondia ao seu olhar e começou a baixar a cabeça na sua direcção. Não, não deixes que te beije, pensava ela, ao mesmo tempo que desejava que aqueles lábios se colassem aos seus. Ele avançou e ela recebeu o seu primeiro beijo. Era doce, era quente e era terno. Ele beijava-a como se saboreasse a sua boca lentamente, analisando todos os pormenores.

─ Não! ─ exclamou ela para espanto dele, afastando-se e retornando ao sofá.

─ Fiz alguma coisa de mal? ─ perguntou atónito.

Joana abanou negativamente a cabeça.

Sem dizer nada, Mário desligou a musica e voltou a sentar-se a seu lado, olhando-a. Porém, limitou-se a ficar ali, estático, sem fazer perguntas, de forma a não a pressionar.

─ O problema sou eu! ─ disse ela, por fim.

─ Como assim?

─ Você tem sido uma pessoa maravilhosa, mas...

─ Mas?

Joana teve instensões de contar o que lhe acontecera, mas travou-se. Não tinha a certeza se deveria partilhar aquilo consigo. Encarou-lhe o olhar e constatou que ele aguardava uma justificação. Respirou fundo e relatou:

─ Em tempos, tive uma grande paixão, quando vim viver para Lisboa. Peço que compreenda que não lhe conte pormenores, apenas lhe diga que saí muito magoada dessa relação. Desde então... ─ Fez uma pausa, procurando os termos certos. ─ Tenho deixado os relacionamentos para mais tarde.

─ Percebo. ─ soltou ele.

─ Lamento se o levei ao engano ou lhe frustrei alguma expectativa!

Mário lançou-lhe um sorriso e abanou a cabeça negativamente.

─ Não! Não sinto nada disso. ─ disse ele. ─ Talvez tenha sido precipitado. No entanto, deixe-me dizer-lhe que não tenciono aproveitar-me de si ou fazê-la sofrer. Sinto uma enorme atracção por si, confesso!

─ Está a ver! ─ exclamou Joana, retribuindo o sorriso. ─ Afinal sempre me queria levar para a cama.

─ Não diga isso assim. ─ pediu ele, perdendo o sorriso. ─ Não estou a querer isso ou, pelo menos, não dessa forma insensivel como está a fazer transparecer nas suas palavras. A Joana parece-me uma pessoa especial. Para mim, está a tornar-se especial! E gostaria de desenvolver mais esta nossa relação. Acredite que seria gratificante poder partilhar a minha cama consigo, esta noite. Mas, aconteça isso ou não, não deixarei de a querer continuar a conhecer melhor e tentar ser especial para si.

As suas palavras derreteram completamente o coração de Joana que se sentiu a viver um conto de fadas. Aproximou-se dele e começou a beijá-lo, reiniciando o beijo apaixonado que interrompera antes. Inicialmente, fora tudo muito a medo, ganhando confiança, lentamente, até se entregar por completo. Ele correspondeu e abraçou-a, sentado no sofá, sentindo o calor da paixão apossar-se de si, tanto quanto estava a acontecer com ela. Trocaram beijos e mais beijos, cada vez mais intimos, cada vez mais profundos. Mário abriu o abraço e começou a acariciar o tecido da saia, subindo depois para o tecido da camisola. Sentiu que o peito dela era firme. E o gemido dela quando o tocou, deu-lhe liberdade para continuar a massajá-lo.
 

Havia apenas um candeeiro acesso no quarto de Mário. Ele e Joana haviam entrado lá, abraçados e com o prolongamento do beijo. Andaram às apalpadelas para encontrar a entrada do quarto e o interruptor da luz. Joana franzira o rosto com a intensidade da luz do tecto. Por isso, Mário interrompeu o momento para a desligar e acender o candeeiro junto à cama. Fez tudo com enorme rapidez, abrandando para voltar a abraçar Joana e tornar a beijá-la.

Enquanto Mário a beijava, Joana desapertava-lhe os botões da camisa, um a um. Ele começou a procurar a bainha da camisola dela e puxou-a suavemente para cima até a fazer sair sobre a cabeça dela. Voltaram aos beijos, tendo da cintura para cima, ele unicamente a gravata e ela a camisa. Mário retomou a posição das mão sobre os seios dela, deixando que ela lhe retirasse o cinto das calças.

No entanto, antes que ela fizesse mais alguma coisa, ele interrompeu os beijos e levou-a a sentar-se na cama. Ajoelhou-se em frente a ela e iniciou umas caricias pelas pernas dela, fazendo a saia ir subindo ao ritmo dos seus toques. Ao fazê-lo, temperava-as com beijos suaves sobre os mamilos espetados dos seios dela que se empinavam sob o tecido da camisola. Joana deitou-se na cama, deixando-se cair com as sensações que ele lhe provocava.

A saia continuou a subir, revelando-lhe a roupa interior. Já descalça, Joana apoiou os pés na cama e elevou as pernas, o que fez a saia cair para a cintura, desnudando-a completamente. Mário começou a beijar-lhe as pernas, passando pelos joelhos e subindo até às coxas. Deu uma olhada de relance ao rosto de Joana e viu-a de olhos cerrados a soltar pequenos gemidos de prazer. Retomou os beijos nas coxas, prosseguindo a subida. O seu nariz tocou o elástico das cuecas, instigando-o a fazer algo mais sexual. Para gaudio dela, iniciou um conjunto de dentadinhas no tecido, acompanhadas do toque suave dos seus dedos. Os gemidos tornaram-se mais fortes, quando desviou o tecido e teve contacto directo com a pele de Joana, descobrindo o seu ponto mais intimo e constatando como era belo.

Nunca ninguém a fizera sentir tanto prazer. Nunca ninguém andara por ali com tanta ternura e paixão. Mário tinha a capacidade de a tocar nos pontos mais sensiveis da forma que mais prazer davam a Joana. E ela gemia descompassadamente, abrindo a camisa e apertando os seios. Sentiu uma explosão interior que a fez ir às nuvens e voltar, sem sair dali.

Joana abriu os olhos e levantou-se, deparando-se com Mário e olhando-o a arder de desejo. Tornou a agarrar-lhe as calças, desapertando os botões e deixando-as cair aos seus pés. Foi a vez de Mário ir à nuvens com a retribuição do maravilhoso oral que ele lhe fizera.

Estava a ser fenomenal, a forma como ela lhe dava prazer. Contudo, ele não queria alcançar o extâse daquela forma, por isso, pediu-lhe que parasse. Queria entrar nela tanto, quanto ela o queria sentir em si. Como que adivinhando os seus pensamentos, Joana ajoelhou-se sobre a cama e apoiou-se nos braços, empinando o rabo para ele. Mário respondeu com uma entrada rija, mas cheia de ternura, sedenta de conhecer as suas paredes mais intimas.

Os corpos embatiam um num outro, aumentando o ritmo. Joana soltava gemidos enloquecidos de prazer, perante a postura mais discreta dele, o qual franzia o rosto e quase não fazia barulho. Após alguns minutos de fricção, todo o calor da paixão que ambos sentiam se espalhou, levando Mário a deixar escapar um “Ahh” e Joana a soltar um “Ohhh” profundo.

Extasiados, Mário debruçou-se sobre ela e beijou-lhe as costas, transmitindo-lhe como fora bom fazer amor com ela. Encostou a boca ao seu ouvido e sussurrou:

─ Passas cá a noite?

─ Se quiseres.

─ Claro que quero.

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