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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XLIX

Na manhã seguinte, quando acordei, reparei que, mais uma vez, Rafaela se levantara cedo e me deixara sozinho.

Se a saída do dia anterior tinha uma justificação, o mesmo não acontecia desta vez. Não compreendia porque motivo ela saíra e me deixara dormindo solitariamente.

Levantei-me da cama e segui para a casa-de-banho para tomar um duche. Foi nesse momento que reparei num pedaço de papel deixado em cima do móvel.

Ainda meio ensonado, caminhei até ele. O papel era uma mensagem de Rafaela, avisando-me que tivera de sair e para que eu não me preocupasse, pois voltaria a tempo para almoçar comigo.

Perto das 12h30, Rafaela regressou.

— Olá! — cumprimentou-me ela, meigamente.

— Onde estiveste? — inquiri eu.

— Fui dar um passeio pela praia. — justificou ela.

— Tanto tempo? — indaguei eu, desconfiado.

— Estive a apanhar um pouco de Sol. — disse ela.

— Podias ter-me avisado e eu ia contigo. — lembrei eu.

— Eu sei. — concordou ela. — Mas eu queria estar sozinha.

Com esta resposta, não me voltei a pronunciar. Mas, mesmo assim, não fiquei convencido. Temendo que eu continuasse as perguntas, Rafaela mudou imediatamente de assunto e disse:

— Temos de continuar a treinar.

Eu assenti com a cabeça.

— Logo, ao fim da tarde. — sugeriu ela. — Concordas?

— Tudo bem.

Como combinado, ao fim da tarde, fomos treinar para a praia, em frente ao hotel. Um treino que se repetiu nas duas manhãs que se seguiram.

Durante este tempo, Rafaela actuava de forma estranha. Telefonava não sei para onde e saia sem dizer nada. Depois dos telefonemas, ficava com um ar desalentado. Por duas vezes pediu a Renato que a levasse a algum lado, mas recusando-se sempre a dizer-me onde. Nem o próprio Renato me dizia onde a levava, justificando que cumpria um pedido de Rafaela.

Na tarde de Terça-Feira, confrontei Rafaela com as suas atitudes. Porém, ela dizia sempre que não se passava nada de especial e fugia sempre às questões. E eu acabei por desistir de a confrontar com o assunto.

Para agravar a nossa situação, nessa noite, Rafaela recusou-se novamente a fazer amor comigo. E isso deixou-me muito aborrecido com ela. Só não dicutimos porque eu não queria voltar a desentender-me com ela, na véspera do jogo das meias-finais.

Por muito que tentasse, não conseguia deixar de pensar na hipótese de Rafaela ter um amante, ou estar apaixonada por outra pessoa, estando a manter o relacionamento comigo para evitar a minha possivel desistência do torneio. Todas estas suspeitas fizeram esfriar a minha paixão por ela. E comecei a sentir alguma cólera pela sua pessoa.

No dia seguinte, o nosso jogo estava agendado para as 15h00. Por isso, Rafaela e eu decidimos executar alguns exercícios de manutenção, no ginásio do hotel, durante a manhã.

Cerca das 13h30, desse dia, pedi ao médico do torneio que me examinasse o braço, uma vez que as dores tinham aumentado, significativamente, uma hora antes.

O doutor receitou-me uns comprimidos para aliviar as dores, os quais eu tomei de imediato.

Uma hora depois, Rafaela e eu estávamos a poucos minutos de entrar no areal. Ela dirigia-me algumas palavras, mas eu mostrava-me frio e insensivel. E Rafaela acabou por entender que eu estava zangado com ela. Porém, a proximidade da hora do jogo evitou qualquer diálogo entre nós.

Quando entrámos no areal, as bancadas estavam com metade dos lugares vazios. Um jogo sem duplas brasileiras não provocava enchentes nas bancadas.

O Sol estava forte e a temperatura rondava os 40 graus. Os espectadores que suportavam o calor, dançavam e cantavam ao som da música que invadia o ambiente.

Rafaela e eu fizemos alguns exercícios de preparação para o jogo. E a dupla americana fazia o mesmo, do outro lado do campo.

A maior parte do público mostrava-se mais simpatizante connosco. Mas, nas bancadas, também havia americanos e alguns brasileiros que não nos perdoavam a eliminação de uma dupla brasileira, a torcer pelos nossos adversários.

No fim do aquecimento, o speaker entrou em campo e começou:

— Oi, pessoal!

O público brindou-o com a ovação habitual.

— Hoje é dia de semi-finais. E a primeira está começando. — prosseguiu ele. — Vindos dos Estados Unidos, senhoras e senhores, a dupla Wayne Roberts e Pamela Roberts.

O público dividiu-se entre aplausos, assobios e os que não se manifestaram.

— Eles vão defrontar a dupla sensação desse campeonato. Vindos de Portugal, Marco Oliveira e Rafaela Pereira.

O público levantou-se e ovacionou-nos como se fossemos da casa.

O jogo estava a ser transmitido para dezenas de paises do mundo, inclusive Portugal. Porém, mesmo com uma participação brilhante como a nossa, ninguém do nosso país se mostrou interessado em nós. Não houve jornalistas portugueses a acompanhar o torneio, nem houve qualquer palavra de apreço por parte dos governantes. Era esta a compensação a quem levava longe o nome de Portugal. Restava-nos as cartas amáveis que recebiamos de adeptos mais atentos à modalidade.

O jogo decorreu com enormes dificuldades para ambos os lados. Entre mim e Rafaela surgiram vários desentendimentos durante o jogo, muito por culpa do nosso desentendimento interno. Depois, também o meu braço me começou a atraiçoar com as dores. E isso provocou uma derrota no fim do primeiro parcial por quinze a dez.

No entanto, o forte apoio do público e o desgaste fisico dos americanos, possibilitou-nos uma recuperação e acabámos por vencer os parciais seguintes por quinze a onze e quinze a oito.

Era um feito extraordinário, estávamos qualificados para a final. Porém, isso não evitou uma comemoração fria e desprendida entre mim e Rafaela. Um facto que não passou despercebido a quem assistiu.

Quando regressámos ao quarto de hotel, estávamos ambos muito cansados. Rafaela seguiu para a casa-de-banho, onde tomou um duche. E eu despi a camisola e deitei-me na cama, acabando por adormecer.

Não sei o que se passou durante o tempo em que dormi, mas lembro-me que fui acordado por Rafaela que, com muito carinho, me acariciava as costas e o cabelo.

— Marco... — chamava ela com doçura.

Eu abri os olhos e olhei para ela.

Sem dizer nada, beijou-me com ternura. E eu correspondi a toda aquela ternura.

Enquanto a beijava, reparei num envelope esquecido em cima do móvel.

— Que envelope é aquele? — perguntei eu.

Rafaela ficou surpreendida por eu ter reparado nele. Mas apressou-se a dizer:

— Não é nada de importante.

Eu tentei insistir na minha curiosidade, mas Rafaela voltou a beijar-me.

A seguir, colocou as mãos por baixo da saia e despiu as cuecas. Eu não escondi a minha surpresa perante aquele acto.

Rafaela ajoelhou-se sobre a minha cintura e retirou-me as calças, iniciando assim um daqueles momentos amorosos de que eu tantas saudades tinha.

Os instantes seguintes foram passados em ardente paixão. Foi como se tivessemos estado separados vários anos. Foi tão intenso que no fim, acabámos por adormecer, completamente estafados do empenho que puseramos naqueles fogosos momentos.

Só acordei perto da hora do jantar, o qual Rafaela já encomendara ao serviço de quartos. Tudo estava belo e alegre. Ter o meu amor assim tão perto fazia-me esquecer quase tudo. Sim, quase tudo, pois ainda não me esquecera do envelope que vira sobre o móvel e que de lá desaparecera durante o meu sono.

Ao ver-me acordado, Rafaela voltou a encher-me de beijos. E eu, mesmo com a duvida do envelope, não a questionei sobre o assunto.

Durante o jantar, assistimos ao resumo do outro jogo das meias-finais. Jogo onde Paulo Roberto e Raquel Carvalhal venceram os seus compatriotas, Rodrigo Vieira e Ana Vieira. No entanto, o jogo foi muito quesilento, com momento feios de indisciplina por parte de ambas as duplas, devido ao pouco desportivismo dos defensores do título mundial. Só por muito pouco é que Rodrigo Vieira não perdeu a cabeça e não agrediu o seu adversário. E mais uma vez, a arbitragem foi tendenciosa e impulsionou a dupla número um mundial para a final.

Nessa noite, Rafaela demonstrava alguma intranquilidade. Era como se me quisesse contar alguma coisa, mas não tivesse coragem para o fazer.

O mesmo aconteceu na tarde seguinte, após o treino. Já no quarto e após um belo banho conjunto, Rafaela pediu-me para que me sentasse na cama e a ouvisse com atenção.

— Marco, tenho algo muito importante para te contar. — disse ela com ar apreensivo.

— Diz! — pedi eu.

— Nem sei por onde hei-de começar. — confessou ela.

— Por onde quiseres, mas começa. — insisti eu.

Rafaela puxou o cabelo para trás e disse:

— Trata-se de um assunto muito importante na nossa vida.

— Começas a deixar-me preocupado. — disse eu.

— Pode mesmo alterar o nosso relacionamento. — continuou ela.

Eu comecei a desconfiar que os meus receios tivessem fundamento e ela se preparasse para por fim à nossa relação. E isso fez-me exigir com alguma rudeza:

— Bolas, fala!

Rafaela olhou para mim, surpreendida. E quando se preparava para contar, foi interrompida por alguém que batia à porta.

— Merda, quem será? — questionei eu, levantando-me para abrir a porta.

Tratava-se de um funcionário do hotel a avisar que iria começar a conferencia de imprensa e que os jornalistas haviam pedido a nossa presença.

— Nós já descemos. — avisei eu.

No entanto, aqueles breves instantes fizeram Rafaela arrepender-se do seu objectivo. E apesar da minha insistência, ela recusou-se a revelar o que me queria dizer, adiando a revelação para depois da conversa com os jornalistas.

A conferencia de imprensa teve lugar no salão do hotel. No palco, uma mesa agrupava as duas duplas finalistas. E os jornalistas espalhavam-se pelas cadeiras do salão.

As primeiras perguntas foram dirigidas à dupla brasileira. Os jornalistas inquiriram-nos acerca do seu comportamento em campo e acerca das palavras amargas dirigidas pelos seus compatriotas.

Paulo Roberto limitou-se a dizer que o seu comportamento era normal e as palavras dos seus compatriotas se resumiam ao mau perder que sentiam.

Outra jornalista questionou o seu desportivismo, confrontando-os com várias situações de jogo em que eles foram incorrectos.

Isso fez Raquel levantar-se e mostrar-se indignada com a pergunta, recusando-se a qualquer diálogo com a jornalista.

A verdade é que a sua postura desportiva era péssima. E a forma como se haviam comportado no jogo das meias-finais, com o par mais querido do Brasil, originou a repulsa da comunicação social.

O ambiente desanuviou com uma pergunta de Rita, querendo saber quais as expectativas da dupla para a final.

Arrogantemente, Paulo respondeu que só existia um resultado possível, a sua vitória.

Perante uma postura destas, os jornalista viraram as suas perguntas para mim e Rafaela

— Concorda que este é o único resultado possível? — perguntou um jornalista.

— Não! — disse eu. — Se achasse não valeria a pena jogar.

— Então acham que vão ser vocês a vencer? — contrapôs ele.

— Não acho nada. Tenho é a certeza que faremos tudo para vencer. — respondi eu.

Rita levantou-se e perguntou:

— Existe algum desentendimento entre você e à sua parceira?

— Não, porquê? — questionei eu.

— Pareciam frios, um com o outro, no final do último jogo. — explicou ela.

— Impressão sua. — disse eu, segurando a mão de Rafaela.

— Será? — interrogou ela.

— Se não fosse, e se estivessemos zangados, nunca tinhamos chegado onde chegámos. — argumentei eu.

— Não me parece. — continuou ela.

— Ouça! — disse eu, já aborrecido. — Se é isso que pensa, ainda bem. Só espero é que aqui os nossos adversários pensem o mesmo. E depois, na final, logo se verá.

Rita não se voltou a pronunciar. E depois de mais algumas perguntas, a conferencia de imprensa terminou.

Com os jornalistas a arrumar o seu material, Rafaela e eu abandonámos o salão. Caminhámos pelo átrio até ao elevador. Mas antes de entrarmos, Renato apareceu e pediu para falar com Rafaela.

— Vai andando que eu já lá vou ter. — disse ela, demonstrando não querer a minha presença ali.

Eu preferi não a contestar e segui para o quarto, onde fui tomar um belo duche fresco para amenizar o calor que sentia.

Quando saí da casa-de-banho, enrolado num toalhão turco, ouvi baterem à porta. Pensei que fosse Rafaela. Mas não era.

Tratava-se de uma visita de Rita.

— Oi! — cumprimentou ela, simpaticamente.

Como eu não ficara muito agradado com a sua actuação na conferencia de imprensa, recebi-a com alguma frieza:

— Olá! O que queres?

— Calma. — disse ela. — Não precisa falar assim, né?

— Depois daquele protagonismo na conferencia, até estou a ser brando.

— Aquilo é meu trabalho, cara. Se eu estiver enganada, você não tem com que se preocupar. — contrapôs ela.

— Está bem. Vamos ao que interessa. — sugeri eu. — A que se deve a tua visita?

— Você me prometeu uma entrevista exclusiva, lembra? — indagou ela.

— É verdade. — concordei eu.

— Posso entrar? — pediu ela.

Eu afastei-me da porta e abri passagem para ela.

Rita entrou e sentou-se no sofá do quarto, enquanto eu me sentei na cama e esperei as suas perguntas.

Sentada em frente a mim, Rita cruzou as pernas, revelando-as até quase à cintura, devido à curta saia que vestia. Tinha uma postura altiva que lhe fazia sobressair o peito, apertado numa camisola justa. Percebi claramente que me tentava seduzir, mas não retribuí.

Depois de pegar no gravador e num bloco de notas, Rita iníciou as perguntas, pedindo-me que lhe contasse como começara a nossa participação em torneios de volei de praia.

Eu contei-lhe, resumidamente, tudo aquilo que já vos relatei até aqui.

Rita escreveu algumas linhas e depois preparou-se para a segunda pergunta. Porém, o toque do seu telemóvel interrompeu a sua função.

— Oi? — atendeu ela. — Sim... Já?... Claro. Até logo.

E desligou.

— Você se importa que eu use o banheiro? — perguntou ela, levantando-se do sofá.

— À vontade. — disse eu.

Rita seguiu até à casa-de-banho e fechou-se lá dentro.

Um minuto mais tarde, bateram novamente à porta do meu quarto. Eu levantei-me e fui abrir. Desta vez é que era Rafaela.

Rafaela entrou no quarto e reparou imediatamente na mala de Rita sobre o sofá. E isso fê-la olhar-me com suspeita.

Descansado por não estar a fazer nada de mal, preparei-me para contar a Rafaela sobre a presença de Rita.

Porém, antes de o conseguir fazer, Rita saiu da casa-de-banho semi-nua, com os seios a descoberto e com a saia desapertada, perguntando:

— Marco, meu amor, você viu as minhas calcinhas?

E quando viu Rafaela, ficou calada como se tivesse estado na cama comigo e tivesse sido apanhada em flagrante.

Ao vê-la, senti um choque tremendo. Fiquei confuso e não consegui compreender o que estava a acontecer. E quando olhei para Rafaela, esta tinha um olhar inundado pelo ódio e por algumas lágrimas que não conseguira suster.

— Rafaela... — chamei eu, sem saber o que dizer.

Rafaela respondeu-me com uma estalada na cara e disse:

— Porco! Traidor! Como pudeste fazer uma coisa destas?

— Mas eu não fiz nada. — disse eu, amparando o local alvejado.

— Nada? — intrometeu-se Rita. — Você fez amor comigo e diz que não fez nada?

Rafaela duplicou o ódio, ao ouvi-la confirmar as suas suspeitas.

— Cala-te! — ordenei eu, olhando para Rita.

E nesse momento, Rafaela saiu do quarto a correr e a chorar, magoada com a suposta traição.

Eu tentei ir atrás dela, mas como estava quase nu, não me aventurei a segui-la.

Rita ria alegremente com a cena que provocara. Enquanto eu tentava perceber o que se estava a passar, ela vestiu-se e guardou as suas coisas.

Com um ódio profundo, percebendo a cilada que Rita me montara, encarei-a no olhos e perguntei:

— Porquê?

Rita sorriu num grande gozo e disse:

— Cara, você entrou numa guerra. E numa guerra, todas as tacticas são lícitas.

— Puta de merda. — disse eu, segurando-a pelos braços.

— Me larga, cara! — exigiu ela.

Eu arrastei-a até à porta e expulsei-a do quarto.

No corredor, Rita continuava a sorrir e desejou, ironicamente:

— Boa sorte, para a final!

Eu atirei com a porta, pondo fim a toda aquela cena. Porém, era tarde demais, pois o mal já fora feito.

A partir daquele instante, a minha grande preocupação era Rafaela. Como é que eu a ia fazer ver a verdade? Ainda mais, sabendo como ela era ciumenta.

Depois de me vestir, saí do quarto e fui à procura dela pelo hotel. Procurei por todo lado, mas não a encontrei. Por fim, Renato avisou-me que ela estava na praia.

Procurando-a desesperadamente, corri para a praia.

Minutos mais tarde, encontrei-a sentada na areia, junto ao mar.

— Rafaela! — chamei eu.

Ela olhou para mim. Ao ver-me, levantou-se e começou a tentar afastar-se.

Eu corri atrás dela e pedi-lhe que esperasse. E ela parou:

— Rafaela, preciso de falar contigo. — disse eu.

— Eu não quero falar contigo. — disse ela.

— Rafaela, tens de me ouvir. — pedi eu.

— Não há nada para ouvir. — contrapôs ela.

— Rafaela...

— Marco, não quero ouvir as tuas histórias. — argumentou ela. — Nem quero falar no assunto. A partir de hoje, está tudo acabado entre nós. Se fizeres favor, deixas o quarto onde estamos, senão eu mesma o farei.

— Rafaela, eu amo-te. — interrompi eu.

Rafaela ignorou as minhas palavras e continuou:

— Não vamos desistir do torneio porque eu não me vou prejudicar por tua causa. Vamos jogar, não importa o resultado. E no fim, cada um segue o seu caminho.

Rafaela falava com rapidez, tememndo que um qualquer balbuciar a traisse e revelásse a mágoa que lhe ia no coração.

— Rafaela... — insisti eu, segurando-lhe o braço.

— Larga-me! Deixa-me em paz! — exigiu ela. — Vai ter com a tua amante.

— Amante? — interroguei eu. — Falas como se fossemos casados.

Rafaela encarou-me com raiva e afastou-se, recusando-se a continuar o diálogo.

Depois de se afastar, eu sentei-me na areia e fiquei a pensar na minha perda. Já por algumas vezes fora infiel a Rafaela, mas isso nunca nos separou, até porque ela nunca o soube. Mas ver a nossa relação terminar devido a uma armadilha que me fora montada e onde eu não tivera qualquer culpa ou proveito, deixava-me desesperado.

Já sabem que eu era completamente apaixonado por Rafaela. E não a trocava por nenhuma mulher do mundo. Podia sentir-me atraido por outras mulheres, mas isso nunca me faria desistir do amor de Rafaela. E o meu amor era tão grande que, vê-lo chegar ao fim, me fazia querer desistir da própria vida.

Uma hora mais tarde, após regressar ao hotel, encontrei Renato.

Reparando no meu semblante triste, ele perguntou-me o que se passava. E eu contei-lhe o que sucedera.

— E você não fez mesmo nada com ela? — interrogou ele.

— Também tu? — respondi eu, aborrecido.

— Esquece! Claro que você não fez nada. — concordou ele.

— Não sei o que vou fazer. — disse eu. — A Rafaela pôs-me fora do quarto. E agora, na recepção, disseram-me que não tinham mais quartos para alugar.

— Não há problema. — disse ele. — Você pode ficar no meu. Eu estou numa suite arranjada pela organização. Aquilo é grande, tem três quartos, uma casa-de-banho, uma sala e uma cozinha. Um luxo.

Eu agradeci e aceitei a sua oferta.

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