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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XLV

O Campeonato do Mundo de Volei de Praia era constituido por uma primeira fase, onde as dezasseis duplas, englobadas em quatro grupos de quatro, jogariam com os seus parceiros de agrupamento.

Nesta primeira fase, o rectângulo de areia do estádio estaria dividido em dois campos, possibilitando a realização de duas partidas em simultâneo. A primeira jornada realizava-se no Domingo, a segunda na Segunda-Feira e a terceira na Terça-Feira. Seria um início arrasador.

Os dois primeiros classificados de cada grupo, ganhavam o acesso à segunda fase da competição, ou seja, aos quartos de final. Estes jogos realizar-se-iam na Sexta-Feira e Sábado seguintes. Nesta segunda fase, o rectângulo de jogo já estaria equipado para um jogo de cada vez, permitindo aos espectadores maior atenção no desenrolar das partidas.

As meias finais teriam lugar no dia 7 de Fevereiro (Quarta-Feira), à tarde.

Os vencidos destes jogos encontravam-se na Sexta-Feira seguinte para a discussão da medalha de bronze. Enquanto os vencedores iriam jogar a final no Sábado.

As regras do jogo eram as mesma do campeonato nacional.

Como previsto, no Domingo, o campeonato iníciou-se.

Nessa manhã, acordei bem cedo. Rafaela, enroscada nos meus braços, continuava a dormir. Olhei para o relógio e reparei que eram 08h30.

Com muita ternura, acordei-a e lembrei-a de que haviamos combinado ir ver os primeiros jogos do campeonato.

Rafaela deu-me um beijo e levantou-se da cama, completamente ensonada. E eu fiquei a vê-la caminhar para a casa-de-banho, contemplando o seu belo corpo nu.

Uma hora mais tarde, deixámos o hotel e fomos até ao estádio. Eu de calções e chinelos. Rafaela de biquini, saia e chinelos.

A manhã estava quente. A temperatura já ia nos trinta graus, àquela hora.

Perto do estádio, encontrámos Renato que também ia assistir aos jogos.

— Oi, pessoal! — cumprimentou ele com grande simpatia.

— Olá!

— Está começando. — avisou ele, referindo-se ao torneio.

— Já sabemos.

— Vocês já vão jogar?

— Não. — disse Rafaela. — O nosso jogo é só à três da tarde.

Renato acompanhou-nos às bancadas e assistiu aos jogos connosco.

O Estádio de Copacabana era um estádio improvisado. Fora montado no areal, especialmente, para a competição. Era usado para torneios de volei de praia e futebol de praia. As bancadas eram feitas de ferro, com assentos de madeira e com capacidade para dez mil pessoas.

Nós sentámo-nos num dos topos do estádio, uma vez que já não havia muitos lugares vagos. Logo de manhã, as bancadas já estavam repletas de pessoas.

A este facto não era estranho a participação das duplas brasileiras. Os adeptos brasileiros eram totalmente fanáticos pelos seus atletas e acorriam em massa para os ver jogar.

Na areia, quatro duplas faziam o aquecimento para os jogos. Faziam-no ao som do samba proveniente das colunas de som do estádio.

O público dançava e cantava nas bancadas. A animação era grande e contagiante.

Perto das 10h00, o speaker do torneio pegou no microfone e deu início às apresentações.

— Bom dia, pessoal. — cumprimentou ele, dirigindo-se a mancha humana nas bancadas.

Estes responderam em euforia.

Debaixo dos aplausos e dos cânticos vindos das bancadas, o speaker continuou:

— No campo número um, em jogo à contar para o grupo A, a dupla brasileira 1: Paulo Roberto e Raquel Carvalhal.

O público saltou dos seus lugares e aplaudiu de pé os seus jogadores.

— ...Que vão jogar com a dupla checa, Petr Kovac e Martina Perlac.

Houve quem aplaudisse, mas a maioria assobiou.

Mais uns segundos de samba e a voz do speaker voltou a ecoar pelo estádio:

— No campo número dois, em jogo do grupo D, a dupla americana 1: Wayne Roberts e Pamela Roberts.

Mais aplausos.

A jogadora americana trazia um fato-de-banho que concentrava todas as atenções. Pensei logo que se a defrontasse, teria dificuldade em concentrar-me no jogo.

— ...Que vão jogar com a dupla cubana, Ruben Castro e Karina Velez.

Seguiram-se mais uns aplausos.

Feitas as apresentações, os jogos começaram, após a rotineira conversa com os árbitros.

O jogo entre os brasileiros e os checos não demorou mais de quarenta e cinco minutos. A dupla brasileira, com toda a sua prepotência, venceu os checos por quinze a dez e quinze a oito.

Equilibrado foi o outro jogo. Este demorou hora e meia, tendo como vencedores a dupla cubana. O confronto foi renhido e repleto de lances espectaculares. Eram duplas excelentes em confronto. Arrepiava-nos, pensar que poderiamos vir a jogar com eles. O resultado ficou em quinze a treze para os cubanos, dezasseis a catorze para os americanos e quinze a doze, novamente, para os cubanos.

Os jogos seguintes estavam agendados para o meio-dia. Até lá, foi a festa nas bancadas e o samba quem deu vida ao ambiente.

Às 11h55, o speaker voltou a falar:

— E agora, no campo um, em jogo do grupo C, a dupla americana 2: Mark Davis e Lysandra Brunnetti, contra a dupla australiana, Paul Fish e Caroline Bradley.

O público, em número menor aos jogos anteriores, aplaudiu.

O speaker prosseguiu:

— E no campo dois, em jogo do grupo A, a dupla francesa, Jean Paul Grassi e Françoise Grassi. Eles vão defrontar a dupla italiana, Paolo Santi e Silvia Conti.

Os jogos começaram, mas nem eu nem Rafaela ficámos a assistir, uma vez que tinhamos que almoçar com uma certa antecedência do nosso jogo.

Mais tarde, Renato informou-me que os americanos bateram os australianos e os franceses venceram os italianos.

Almoçámos no restaurante do hotel. Uma refeição pequena, própria de atletas.

Após o almoço, subimos até ao quarto e fomos buscar o equipamento para o jogo. Estávamos tão nervosos que nem falávamos. Não diziamos uma palavra.

Só quando já iamos a caminho do estádio, é que eu perguntei a Rafaela se estava nervosa.

Com um sorriso forçado, ela olhou para mim e disse:

— Não!... Talvez um bocadinho.

O relógio do balneário marcava 14h20. De um lado, estava eu a equipar-me. Do outro, estava Rafaela. Estes balneários eram muito semelhantes aos existentes em Portugal, nestes torneios.

Vinte cinco minutos depois, entrámos para a areia e iniciámos o aquecimento. Ficámos abismados com a quantidade de gente nas bancadas. Era uma visão assustadora para os visitantes. As vozes das pessoas abatiam-se sobre o areal. E tanto podiam motivar quem era apoiado por eles, como podia desmoralizar quem defrontava os seus escolhidos.

Pouco antes das 15h00, o speaker baixou a música e reiníciou as apresentações:

— Oi, pessoal. Aqui, no campo número um, em jogo do grupo C, a dupla brasileira 3: Zé Maria e Paula Gomes.

Nova onda de euforia, à entrada de mais uma dupla brasileira em jogo.

— Para jogar com eles, os argentinos Daniel Gonzalez e Gabriela Santiago.

Foi a assobiadela geral. Os brasileiros já não gostavam de argentinos, mas quando estes defrontam brasileiros, o ódio aumenta ainda mais.

Um jogo daquela importância, em simultâneo com o nosso, poderia beneficiar-nos, retirando alguma pressão sobre nós.

— E no campo número dois. — continuou o speaker. — A contar para o grupo B, os russos Serguei Rebrov e Nikita Karlov.

Alguns aplausos.

— Contra a dupla portuguesa, Marco Oliveira e Rafaela Pereira.

O público brindou-nos com uma enorme salva de aplausos. Não há dúvida que os brasileiros nos apoiam sempre, menos quando jogamos contra eles, obviamente.

Nós entrámos para o campo e cumprimentámos os russos e os árbitros.

O Sol brilhava com todo o seu esplendor, incidindo sobre o estádio com toda a força do seu calor. A temperatura cifrava-se nos 41 graus.

Quando conversava com o árbitro, sobre quem começava a jogar e quem escolhia o campo, reparei que o russo estava muito vermelho. Notei que tinha dificuldade em aguentar o calor. E a sua colega não era diferente. Isto podia jogar a nosso favor.

A moeda ao ar concedeu-me a hipótese de escolher bola ou campo. E eu escolhi o campo para pôr os russos a jogar contra o Sol, no primeiro parcial.

Quando regressei para junto de Rafaela, disse-lhe:

— Vamos prolongar as jogadas, o máximo de tempo possível.

— Porquê? — interrogou ela.

— Para os cansar mais e fazê-los sofrer com o calor. — expliquei eu.

— E nós também sofremos. — avisou ela.

— Só que nós estamos mais habituados ao calor que eles. — argumentei eu.

Rafaela acabou por concordar comigo.

No outro campo, o jogo já se iniciara. Enquanto ali, lá estava eu e Rafaela com o nosso equipamento verde e vermelho com os logotipos dos patrocinadores, esperando o serviço dos russos.

Era o nosso primeiro jogo e estávamos muito nervosos com isso. Falhámos passes, rematámos mal e desentendemo-nos algumas vezes.

No entanto, a atenção do público não se centrou no nosso jogo. Foram frequentes as vezes em que, a meio das nossas jogadas, se ouviam aplausos referentes ao outro jogo. E isso chegava a ser prejudicial à nossa concentração.

O nervosismo fez-nos perder o primeiro parcial por quinze a nove.

Durante o intervalo entre os parciais, Rafaela aconselhou-me calma e apontou-me alguns erros que cometera. E eu fiz-lhe o mesmo. Não pensem que é errado fazê-lo. O colega de equipa é a melhor pessoa para nos alertar dos erros, pois é confiável e luta pelo mesmo que nós.

Antes de entrarmos para o segundo parcial, abraçámo-nos e desejámos sorte um ao outro.

O parcial não começou muito bem, mas conseguimos acalmar progressivamente e vencer os russos que começavam a dar mostras de cansaço. O resultado ficou em quinze a doze.

No outro campo também se registava um empate.

Entrámos para o terceiro parcial, confiantes. Tinhamos a confiança de quem descobrira que era capaz de vencer um parcial num campeonato do mundo. E se ganhámos um parcial porque não haveriamos de ganhar o jogo?

Foi com esta ideia que alimentámos a moral. Entrámos fortes e não demos hipóteses aos russos. Estes já se arrastavam pela areia, tendo enormes dificuldades em suportar os raios solares. O parcial terminou com quinze a sete, a nosso favor.

No outro campo, os brasileiros também conseguiram a vitória.

Rafaela e eu comemorámos, euforicamente, esta primeira vitória. Abraçámo-nos, mal a bola caira na areia atribuindo-nos o décimo quinto ponto.

Depois, cumprimentámos os nossos adversários e corremos para o balneário, desejosos de nos refrescarmos no chuveiro.

Tinhamos alguma pressa em regressar ao estádio. Queriamos ver os jogos seguintes, uma vez que participariam neles os outros dois adversários do nosso grupo.

Perto das 17h00, hora marcada para a última ronda do dia, chegámos à bancada. Renato guardara-nos dois lugares para podermos assistir aos confrontos.

Com o Sol menos quentes e a caminhar para o solo, mas com uma temperatura de 38 graus, o speaker desceu ao areal e anunciou os dois últimos jogos.

— Pessoal! — começou ele. — No campo número um, contando para o grupo B, a dupla brasileira 2: Rodrigo Vieira e Ana Vieira.

O casal correu para o rectângulo de jogo e o público bridou-os com uma valente ovação de aplausos.

— ...Contra a dupla norueguesa, Aron Floe e Kathrine Rushvelt.

Grande vaia de assobios. Os brasileiros tanto amam os compatriotas, como odeiam os adversários.

Este era o jogo que nos interessava. Iam jogar os nossos adversários das próximas jornadas.

O speaker, que da roupa já só conservava os calções, continuou as apresentações:

— E no campo número dois, contando para o grupo D, vão jogar a dupla espanhola, António Vilhena e Manuela Torrez, contra a dupla holandesa, Eric Croman e Sindy Van Carlen.

Não dei muita atenção a este jogo, mas sei que os holandeses venceram, supreendentemente, por dois parciais a um.

A nossa atenção estava no campo um. Vimos uma dupla norueguesa brilhante, fazer jogadas de sonho, ser assobiada pelo público e acabar por perder. Porém, perder com uma dupla muito superior, que demonstrou jogarem juntos havia muitos anos e terem um entendimento perfeito. A dupla brasileira foi sempre superior e acabou por vencer por quinze a treze e dezassete a quinze.

Noruegues muito bons, mas os brasileiros eram excelentes. Perante este cenário, Rafaela e eu não ficámos com muitas esperanças para os jogos seguintes.

Já com o Sol alaranjado e a noite a aproximar-se, regressámos ao hotel. Mesmo com a proximidade da noite, o calor continuava.

Rafaela, que estava muito cansada, subiu até ao quarto para tomar um duche fresco e descansar.

Eu optei por ir até à piscina do hotel e ficar a observar as pessoas que lá se refrescavam, uma meia dúzia que nadava na piscina.

Sentei-me numa das cadeiras e repousei, sentindo a brisa amena de fim de dia quente de Verão. Fechei os olhos e limitei-me a ouvir os sons que me rodeavam.

Um dos empregados do hotel aproximou-se de mim e perguntou-me se desejava beber alguma coisa.

— Pode ser um sumo de laranja. — disse eu, agradecendo a gentileza.

O funcionário foi até ao bar para trazer o meu pedido.

Eu mantive-me pensativo. Afastara as ideias referentes ao torneio e divagava sobre a vida. Comecei a lembrar-me da minha familia e de como estariam desejosos de ter notícias minhas. Havia dois dias que não lhes telefonava, por isso, lembrei-me de o fazer.

Nesse momento, o funcionário do bar do hotel regressou.

— O seu pedido, senhor. — disse ele, entregando-me um copo com o sumo de laranja e enfeitado com uma rodela de laranja e uma sombrinha.

Eu agradeci. E depois fiz novo pedido:

— Seria possível trazer-me um telefone?

— Com certeza. — disse ele, dirigindo-se novamente ao bar.

Enquanto esperava, fui ingerindo o meu sumo. Estava delicioso, muito doce e muito fresco.

O indivíduo retornou, trazendo consigo um telemóvel. Entregou-mo e deixou-me à vontade para telefonar. Peguei no aparelho, marquei o 351 (indicativo do país), seguiu-se o 1 (indicativo da cidade) e o número de telefone de minha casa.

Foi o meu pai que atendeu o telefone. Já estavam todos na cama. Esquecera-me da diferença horária. Em Lisboa já passava da meia-noite. Tivemos uma conversa curta, pois não queria privá-lo do descanso, falei dos últimos acontecimentos e mandei beijinhos para toda a familia.

Findo o telefonema, fiz sinal ao empregado para vir buscar o telemóvel. Coisa que ele fez imediatamente, uma vez que já lho fora solicitado por outro hospede.

Eu voltei ao meu repouso. Continuei de olhos fechados, a ouvir a realidade que me envolvia.

De súbito, uma voz interrompeu o meu descanso:

— Oi, frutinha!

Abri os olhos e vi Rita com um sedutor biquini azul. A jovem jornalista tinha um corpo muito sensual e exibia-o com prazer.

— Frutinha? — interroguei eu. — Estás a insinuar alguma coisa? Ou será que dizes "frutinha" por estares perante algo que desejas e não consegues comer?

Ela ficou sem fala. Mas continuou ali e sentou-se na cadeira ao lado da minha.

— Achas que só porque te rejeitei, sou menos homem? — questionei eu.

Ela olhou para mim e, com um semblante aborrecido, disse:

— Não estou habituada a ser rejeitada.

— Acredito! — disse eu. — E também acredito que o teu corpo já foi tão visitado que um lugar de estacionamento.

Rita levantou-se da cadeira e mostrou-se bem irritada.

— Você está me ofendendo. — avisou ela.

— Foste tu quem começou. — lembrei eu.

Ela olhou-me com ódio e regressou à sua posição anterior.

Como não me interessava alimentar aquela zanga, virei-me para ela e estendi-lhe a mão, dizendo:

— Rita! Vamos esquecer isto. Vamos fazer de conta que nos conhecemos agora.

Ela olhou, novamente para mim e sorriu.

— Por mim, tudo bem. — disse ela, apertando a minha mão.

Nos minutos que se seguiram, ambos nos mantivemos em silêncio, desfrutando do fresco do anoitecer.

A seguir, ela abandonou a cadeira e afastou-se em direcção ao hotel.

Eu olhei para o relógio e reparei que estava na hora de jantar. Decidi deixar a beira da piscina e ir procurar Rafaela. Mas antes de me levantar, uma voz masculina chamou-me, vinda do outro lado da piscina.

Era o Renato, acompanhado por um casal.

Ao aproximarem-se de mim, eu reconheci-os imediatamente. Porém, Renato não se cuibiu das apresentações:

— Marco, te apresento Rodrigo Vieira e a Ana Vieira. A dupla brasileira do vosso grupo.

— Olá! — cumprimentei eu, estendendo-lhes a mão.

— Oi! — responderam ambos.

Durante alguns minutos, mantivemo-nos de pé, a conversar.

— Vocês jogam muito bem. — elogiei eu.

— Você e a sua parceira também estão jogando muito bem. — disse Rodrigo.

— Eles estiveram vendo o jogo de vocês. — explicou Renato.

— Damos uns toques. — corrigi eu, humildemente. — Vocês verão, na Terça, que não somos tão bons como vocês.

— Você está bluffando. — afirmou Ana.

— Não. — neguei eu, sorrindo.

O casal Vieira despediu-se, pois ia jantar. Renato acompanhou-os. E eu segui para o quarto, para saber o que era feito de Rafaela.

Quando entrei no quarto, este estava envolto na escuridão. Os cortinados estavam fechados e as luzes apagadas. Porém, a claridade exterior permitia que o interior do quarto fosse visivel.

Rafaela estava deitada na cama, de barriga para baixo, e somente com uma pequena toalha à volta da cintura. Dormia descansadamente e nem se apercebeu da minha chegada. Tinha tanto calor que se deixou ficar a dormir, semi-nua, sobre a cama.

Com muita ternura, sentei-me na cama, debrucei-me sobre o corpo dela e afastei-lhe o cabelo que lhe cobria o pescoço, com a mão direita. A seguir, carinhosamente, beijei-lhe o pescoço para a acordar.

Rafaela despertou lentamente do sono e virou-se para mim.

Enquanto lhe acariciava o rosto e o cabelo, com ternura, dei-lhe um beijo nos lábios.

Ela recebeu-o com agrado e abraçou-me contra o seu peito.

Por entre os beijos, disse-lhe:

— Vamos jantar?

E ela respondeu:

— Pode ser. Mas antes gostava de fazer amor contigo.

— Agora? — interroguei eu.

— Claro!

Eu abracei-a, beijei-a, percorri o seu corpo com toques suaves dos dedos e desprendi-a da toalha.

Rafaela sentia um desejo tão grande que me despia com grande excitação.

Nos momentos que se seguiram, amámo-nos sobre aquela fresca colcha branca. No fim, ficámos abraçados, a desfrutar das últimas sensações daquele momento amoroso. No entanto, algo veio estragar aquele momento. Rafaela, que estava sobre mim, começou a ficar pálida e o seu rosto vincado por uma careta de dor. Agarrando-se ao estomago, Rafaela levantou-se da cama e correu para a casa-de-banho.

Eu fiquei preocupado, principalmente depois de a ouvir vomitar. Corri em seu auxílio e encontrei-a ajoelhada em frente à sanita, com as marcas da indisposição gravadas no rosto.

— Estás bem? — perguntei eu.

— Estou! — respondeu ela. — Deve ter sido alguma coisa que eu comi.

— Não queres que chame um médico? — sugeri eu.

— Não! Eu já estou bem. — disse ela.

Eu respeitei a sua decisão. Mas, o que é certo, é que nessa noite, Rafaela não se recompôs totalmente. Não jantou e pediu-me para lhe arranjar um comprimido para as dores de cabeça.

Algo se passava com Rafaela. Algo que eu tinha de descobrir.

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