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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XLII

Na noite de Sábado, o meu telemóvel tocou, interrompendo a minha leitura de um livro que Bento me emprestara. Ao atender, deparei com a voz doce de Rafaela.

— Já estou em Lisboa. — disse ela com alegria. — Estava morta de saudades.

— Também eu.

— Quando é que nos encontramos? — perguntou ela.

Eu olhei para o relógio e disse:

— Hoje já é tarde. Vemo-nos amanhã à tarde. Eu passo por tua casa, depois do almoço, e vamos passear.

— Ainda me amas? — indagou ela, receosa da resposta.

— Claro! — respondi eu. — És o amor da minha vida.

— Amo-te! — disse Rafaela.

— Eu também te amo.

Na tarde seguinte, como combinado, passei por casa de Rafaela. Não cheguei a entrar, limitando-me a tocar à campainha assinalando a minha chegada.

Esperei encostado à porta do carro. Mas, Rafaela não me fez esperar muito tempo, descendo de imediato.

Ao ver-me, correu para mim e abraçou-me, beijando-me apaixonadamente. Eu recebi-a com grande carinho nos meus braços. Parecia que tinhamos voltado aos velhos tempos.

Nunca deixei de a amar e acariciar-lhe o corpo reacendia a paixão que sentia por ela. E o olhar de Rafaela denunciava um sentimento mutuo.

— Como estás? — perguntei eu.

— Lindamente. — disse ela com um grande sorriso. — O médico disse que eu estou apta a iniciar a preparação para o campeonato.

— Temos que começar a planear isso. — lembrei eu.

— Podemos fazê-lo agora. — sugeriu ela.

— Não! — recusei eu. — Agora, dessa boca só quero beijos. Beijos que saldem a sede dos dias que estivemos separados.

Rafaela sorriu e iníciou mais um longo beijo.

Minutos mais tarde, já ambos seguiamos pelas ruas de Lisboa, rumo a Belém. O tempo estava razoável, o que nos fez decidir dar um passeio pela zona ribeirinha de Belém.

Estacionei perto da Praça do Império e levei Rafaela até ao Centro Cultural de Belém. E por entre um café, iniciámos o planeamento do treino.

— Temos que treinar na praia. — avisou Rafaela.

— Eu sei! Mas o tempo não está muito convidativo a visitas à praia. — disse eu.

— Pois é. — concordou ela. — Mas temos que arriscar, algumas vezes, e ir até lá.

— Tudo bem.

Rafaela continuou:

— Quando o tempo piorar, treinamos no Estádio 1º de Maio. Ora no exterior, ora na piscina.

— Na piscina? — interroguei eu.

Rafaela justificou:

— Exercicios na piscina fazem muito bem e ajudam a aumentar a capacidade física.

— Por mim tudo bem.

Rafaela retirou um papel da mala e disse:

— O Campeonato do Mundo de Volei de Praia começa no dia 28 de Janeiro. Mas as duplas concorrentes têm de lá estar, no máximo, a 25.

— Então, quando é que partimos? — perguntei eu.

— Penso que o melhor é partirmos dentro de uma semana, no dia 21, para ficarmos com tempo para a adaptação.

— Estou de acordo. — disse eu. — A partida para o Rio de Janeiro fica combinada, em principio, para o próximo Domingo.

Com ambos de acordo, continuámos a falar, mas mudando o assunto para a nossa vida pessoal.

Desde a última vez que nos vimos que se formara entre nós uma especie de muro invisivel, quando falávamos da nossa intimidade. Durante o tempo que ela estivera doente, eu nunca me senti à vontade para a amar como costumávamos fazer. E depois da sua recuperação, foi Rafaela quem se furtou a qualquer relacionamento íntimo. Tudo isto fez com que o nosso relacionamento esfriasse sexualmente.

No entanto, o tempo em que estiveramos afastados serviu para pôr as ideias em ordem. Eu, apesar da aventura que tivera com Guida, jamais duvidei do amor que sentia por Rafaela e do amor dela por mim. Também Rafaela chegara à conclusão que me amava verdadeiramente, se é que alguma vez tivera dúvidas. E quando desabafou as suas preocupações com o médico, este descansou-a dizendo que podia ter uma vida sexual normal.

Antes que eu lhe falasse no assunto, Rafaela desabafou a conversa que tivera com o médico, contando igualmente a resposta dele.

— Tenho muitas saudades de fazer amor contigo. — confessei eu, olhando-a com ternura.

— Serei tua quando quiseres. — disse ela com um sorriso malicioso.

Eu retribui o sorriso, mas não comentei a sua oferta.

Seguiram-se alguns momentos de pausa na conversa. Ambos permanecemos pensativos, olhando um para outro.

— É melhor irmos andando. — disse ela, quebrando o silêncio.

Eu assenti com a cabeça.

Deixámos o café e regressámos ao carro.

O caminho de volta a casa foi feito em absoluto silêncio. Não sabiamos o que dizer e, por isso, preferimos não falar.

Parei o carro junto do prédio de Rafaela e saí do carro. Dirigi-me ao outro lado e abri a porta do seu lado. Rafaela saiu e eu abracei-a com ternura. Beijei-lhe os lábios com todo o amor que sentia. E ela entregou-se totalmente a mim.

Despedimo-nos com a ternura habitual e combinámos encontrar-nos no dia seguinte para iniciar a preparação do campeonato.

Rafaela parecia esperar algo mais de mim, mas eu limitei-me a vê-la entrar no seu prédio e a partir, após ela fechar a porta.

Parti do mesmo local onde na manhã seguinte viria a parar.

A manhã dessa Segunda-Feira estava fria, mas o Sol brilhava alegremente pela cidade. Um ambiente bonito, porém pouco convidativo a uma visita à praia.

Rafaela concordou comigo, quando lhe coloquei esta questão. Sendo assim, optámos por um treino no complexo desportivo do Estádio 1º de Maio.

Este primeiro dia centrou-se na preparação da capacidade física e da análise da resistência ao esforço. Fizemos exercícios de corrida, exercicios físicos e treino com bola.

Mais de duas horas de treino, tendo em vista uma preparação intensiva e acelerada para o tão ansiado campeonato do mundo.

No fim do treino, Rafaela e eu sentámo-nos num dos bancos espalhados pelo complexo e descansámos um pouco. Estávamos completamente encharcados em suor.

— Vou tomar um banho. — disse ela, puxando o cabelo para trás.

— Eu tomo em casa. — disse eu.

— Não esperas por mim? — questionou ela.

— Espero.

Rafaela olhou-me com um ar preocupado e disse:

— Este vento frio pode fazer-te mal. O melhor é eu também tomar banho em casa. E assim não ficas aqui à espera.

— Mas...

— Não se fala mais nisso. — disse ela sem me dar hipóteses de argumentação. — Já decidi e não mudo.

Eu concordei com a sua decisão e levei-a a casa.

Durante o caminho, Rafaela informou-me que, ao fim da tarde, tinhamos de ir a uma última reunião com o nosso patrocinador. Tudo para acertar os últimos pormenores da partida.

Ao chegarmos à sua residência, Rafaela olhou-me com um ar sério e disse:

— Quero fazer-te um convite.

— Diz.

— Os meus pais não estão em casa e só voltam à noite. — começou ela. — A minha proposta é esta: Vem até minha casa, tomas banho comigo, vamos para o meu quarto, fazemos amor e depois almoçamos juntos. Aceitas?

Ela disse-o com toda a naturalidade, mas notei que a sua voz tremera no “fazemos amor”. Abracei-a e beijei-a.

— Então? — insistiu ela.

Eu sorri e disse:

— Deixa-me estacionar o carro.

Rafaela ficou radiante e presenteou-me com um beijo suculento. A seguir, saiu do carro e seguiu para sua casa, enquanto eu fiquei de ir ter com ela depois de arrumar o carro.

Consegui estacionar o veículo na Avenida de Roma. Depois de o trancar, segui a pé até ao prédio de Rafaela, o qual não ficava muito longe.

Toquei à campainha e a porta abriu de imediato. Entrei para o átrio e subi no elevador até ao seu andar.

Rafaela recebeu-me, envergando únicamente a camisola do treino.

Eu abracei-a, beijei-a ardendo em paixão e dei um pontapé na porta para que esta se fechasse.

— Vamos já para o quarto. — sugeri eu, por entre os beijos quentes que trocávamos.

— Vamos! Já não aguento mais. — suspirou ela, junto do meu ouvido.

Carreguei-a nos braços e levei-a para o seu quarto. Deitei-a na cama e despi o fato-de-treino. Todo nu, atirei-me para cima do colchão e separei Rafaela da roupa que lhe restava.

Durante quase uma hora, saciámos o desejo que sentiamos. Parecia que traziamos, sobre as costas, o peso de tantos dias sem o fazer. Fizemos amor, apaixonadamente, como se fosse a primeira vez.

— Foi maravilhoso. — disse ela, quando caimos no colchão extasiados.

— Tu és maravilhosa!

Voltei a carregá-la nos braços e levei-a para a casa-de-banho. Tomámos um duche com a intensão de nos libertarmos do suor, mas acabámos por voltar a fazer amor. Desta vez, debaixo de toda aquela água que nos encharcava o corpo excitado.

Quando, finalmente, conseguimos tomar banho, regressámos ao quarto. Mas, mais uma vez, a visão de Rafaela completamente nua me deixou excitado. E pela terceira vez, fizemos amor. Estavámos insaciaveis. Só ao fim desta terceira vez é que parámos. E mesmo assim, Rafaela não evitou um olhar de desconsolo de quem queria mais. Porém, pusemos fim à sessão de paixão porque tinhamos um compromisso às 19h00 e tinhamos de almoçar primeiro. E eu ainda tinha qua passar por casa.

Após o almoço tardio, Rafaela ficou em casa, enquanto eu fui rapidamente à minha para mudar de roupa.

Vesti uma roupa mais apropriada para a reunião com o patrocinador. Não ficava muito bem, dirigir-me a uma reunião de negocios em fato-de-treino.

Esta era a última reunião com os patrocinadores, antes da partida para o Brasil. Havia dois dias que eu combinara tudo com o outro patrocinador, o meu grande amigo Sr. Casimiro. Acertámos tudo sem qualquer problema. O Sr. Casimiro ficou muito sensibilizado por eu querer continuar com o seu patrocinio, mesmo já tendo o apoio de uma multinacional.

Aquela última reunião era, novamente, com o Dr. Peter De Wurth, director de publicidade de uma empresa de artigos desportivos. O contrato que nos ligava já estava assinado e esta reunião servia apenas para acertar os últimos pontos.

Pouco antes das 19h00, Rafaela e eu chegávamos ao escritório da empresa na Rua da Misericórdia.

Fomos recebidos pela esbelta secretária do Dr. De Wurth.

— Boa noite. — disse eu, uma vez que lá fora já estava escuro.

A atraente senhora levantou-se da cadeira e cumprimentou-nos, estendendo a mão direita.

— O Dr. De Wurth está à vossa espera no gabinete. — informou ela, indicando-nos o caminho.

Eu agradeci a informação e sorri-lhe simpaticamente. Porém, evitei olhar muito para ela, para não provocar ciumes em Rafaela.

Rafaela e eu entrámos no gabinete, após o anúncio da secretária.

O Dr. De Wurth, que estava sentado na sua cadeira, levantou-se e dirigiu-se a nós com uma postura firme, para nos cumprimentar.

— Como estão?

— Bem. — respondemos ambos.

O director de publicidade convidou-nos a sentar nas poltronas do seu gabinete. A seguir, também ele se sentou, regressando à sua cadeira.

— Já agendaram a partida para o Rio? — indagou ele.

— Sim! — respondeu Rafaela. — Partimos no Domingo.

— Eu já dei ordem para que fosse depositado o valor combinado na vossa conta. — informou ele.

— O banco já nos comunicou a entrada da verba. — disse eu.

O Dr. Peter de Wurth retirou uma pasta da gaveta, começou a desfolhá-la e disse:

— Vamos, então, falar dos prémios de jogo. Temos por hábito recompensar o sucesso dos nossos patrocinados. Aquilo que eu vos proponho é o seguinte: Pela participação, mil contos a cada um, para além das despesas já acordadas anteriormente. Apuramento para a fase seguinte, dois mil contos a cada um. Apuramento para as meias finais, cinco mil contos a cada um. Terceiro lugar, sete mil e quinhentos contos a cada um. Segundo lugar, dez mil contos a cada um. E se vencerem o torneio, cada um ganha vinte mil contos (sem contar com os prémios do próprio torneio), um automóvel, estadia paga durante uma semana em Cancun e o contrato connosco por dois anos para fazerem o circuito mundial de voleibol de praia. Então?

Nós ficámos estupfactos com os prémios. Era mais do que poderiamos esperar. Rafaela e eu concordámos de imediato e agradecemos todo o apoio que nos estavam a fornecer.

Finda a reunião, Rafaela e eu despedimo-nos do Dr. De Wurth.

— Boa sorte! — desejou ele, antes de sairmos.

— Obrigado. — agradecemos ambos.

A bela secretária do Dr. De Wurth acompanhou-nos à porta da rua e despediu-se de nós com bastante simpatia.

Aquela reunião finalizava o processo de preparação do Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia. A partir daquele momento, a sorte estava lançada. E pela frente tinhamos a participação no maior torneio de volei de praia, a nivel mundial.

Os dias que nos restaram, até à partida, serviram para continuar a preparação para o torneio.

Na Terça-Feira, Rafaela e eu repetimos o treino do dia anterior. Perante um dia igual, o treino teria de ser idêntico.

Na Quarta-Feira chovia torrencialmente por toda a cidade. Rafaela telefonou-me, bem cedo, para discutirmos o que fazer.

— Podiamos treinar na piscina. — sugeriu ela.

— Por mim, tudo bem. — concordei eu.

— Mas o melhor é treinar à tarde. — avisou ela. — Há menos gente e podemos treinar mais à vontade.

— A que horas é que queres que te vá buscar? — perguntei eu.

— Por volta das quatro da tarde. — disse ela.

A hora ficou combinada. Ambos desligámos e só voltámos a falar quando nos encontrámos à porta do seu prédio.

Em toda a tarde, nunca parou de chover. Mesmo indo de carro, não conseguimos evitar de nos molharmos no trajecto, entre o parque e a entrada das piscinas.

Assim que entrámos, cada um seguiu para o respectivo balneário, reencontrando-nos na piscina. Eu levava uns calções de banho, os mesmos da praia. E Rafaela vestia um fato-de-banho vermelho, impermeável e que lhe realçava as formas do corpo.

Entrámos na água de mão dada. Estava morna e apetecivel devido ao frio exterior. Rafaela trouxe consigo a bola de volei para treinarmos na água.

Ficámos mais de uma hora dentro de água. Fizemos exercicios e jogámos com a bola. Sentiamo-nos tão bem ali dentro que nos custou sair.

Uma hora mais tarde, já noite, depois de deixar Rafaela em sua casa, dei por mim a correr para casa, tentando evitar a tromba de água que se abateu sobre a avenida.

Na Quinta-Feira, conseguimos aproveitar novo dia de Sol e treinámos ao ar livre. No entanto, na Sexta-Feira seguinte, a chuva voltou e o treino foi, mais uma vez, feito na piscina. A única diferença foi que, desta vez, o fizemos de manhã.

Foi de manhã porque à tarde tinhamos de ir a uma agência de viagens comprar os bilhetes para o Brasil. Duas passagens para o vôo do meio-dia com destino ao Rio de Janeiro.

O último treino em Portugal decorreu na manhã de Sábado. Novamente, aproveitando o Sol, Rafaela e eu fizemos umas corridas pelo complexo desportivo.

A tarde ficou reservada para os preparativos da viagem e para algumas despedidas.

Estávamos cada vez mais perto do início do torneio. E a ansiedade ia crescendo de dia para dia.

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