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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XXXI

Dias mais tarde, no fim-de-semana, eu não saí de casa, pois o dia estava terrivelmente mau. Muita chuva e algum vento, muito pouco convidativos a sair.

Sendo assim, permaneci em casa, na companhia de Mónica, a jogar Monopólio. Estávamos sozinhos na sala de jantar, a conviver como amigos e a fingir que nos tratávamos de grandes empresários à custa de fortunas conquistadas em arrendamentos e multas.

Apenas os meus pais tiveram coragem de sair. Foram visitar uns parentes nossos que viviam em Algés.

O jogo decorria com emotividade. Mónica a encher a sua conta e eu muito perto da falência. E como estava cheio de azar, lá cai outra vez na "Rua Augusta", onde a minha prima conservava um dos seus "hoteis".

Quase vencido, as minhas movimentações, entre hipotecas e empréstimos, foram interrompidas pelo soar do telefone. Deixei Mónica a contabilizar os rendimentos e fui atender.

Do outro lado da linha, Rafaela pedia-me que a acompanhasse a uma reunião muito importante.

Nessa tarde, deslocámo-nos ao edifício onde ficavam os escritórios de uma marca de artigos desportivos, conhecida internacionalmente. Iamos acertar o contrato para o patrocinio no Campeonato do Mundo.

A direcção da empresa fizera-nos o convite, dias antes. Era uma oportunidade única que nos assegurava o financiamento dos custos que implicava a nossa participação na maior prova de voleibol de praia, a nivel mundial.

O escritório ficava na Rua da Misericórdia, num edifício novo que lá existia. Quando entrámos e anunciámos a nossa presença, a recepcionista encaminhou-nos ao director de publicidade da empresa, o Dr. Peter De Wurth. Era estrangeiro, mas falava um português correcto e, quase, sem falhas.

Rafaela e eu entrámos num gabinete enorme, com uma vista fabulosa sobre Lisboa. As paredes eram brancas e tinham o simbolo da empresa desenhado nelas. Por todo lado havia quadros com fotografias de atletas, anteriormente patrocinados por eles, que conseguiram grandes feitos mundiais.

Por trás de uma enorme secretária levantou-se da cadeira um indivíduo de fato e gravata que se dirigiu a nós, cumprimentando-nos. Era o Dr. Peter De Wurth.

Homem alto, cabelo e bigode ruivos, caminhava confiante na nossa direcção e convidou-nos a sentar em duas confortáveis poltronas. Tratava-nos com enorme simpatia, ao que não era estranho o seu interesse em nós e em conseguir chegar a acordo connosco.

Após a explicação das linhas gerais do contrato, o Dr. De Wurth quis saber a nossa opinião.

Rafaela olhou para mim. E perante a minha face muda, disse:

— A proposta é boa. Podemos chegar a acordo.

— Só há uma resalva que eu gostaria de fazer. — interrompi eu.

— Diga! — pediu ele, mantendo-se atento às minhas palavras.

— Gostaria de manter o antigo patrocinio, juntamente com o vosso. — sugeri eu.

O homem ficou com um semblante preocupado, temendo uma incompatibilidade imprevista.

— É da concorrência? — indagou ele.

— Não! — respondi eu, sorrindo. — É uma casa de electrodomésticos. Foi a pessoa que nos ajudou nos outros torneios e não seria correcto deixá-lo à parte, agora.

O indivíduo concordou de imediato, não deixando de fazer algumas exigências em relação à distribuição da publicidade. Nada de especial.

Com o acordo em todas as clausulas, o Dr. De Wurth chamou a sua secretária. Uma morena de cabelos compridos e encaracolados, olhos escuros, boca sensual, uma voz rouca, peito saliente coberto por uma camisa semi-aberta, saia curta e pernas longas e esguias. Perante um corpo tão atraente, eu fiquei petreficado a observá-la.

A contemplação foi interrompida por um discreto beliscão que Rafaela me deu, pois não estava a gostar muito da atenção que eu dispensava à senhora.

A secretária do Dr. De Wurth encarregou-se de dactilografar o contrato. E nós ficámos a conversar com o homem, enquanto ela executava a tarefa. Falou-se das nossas participações nos torneios portugueses, os nossos objectivos e as nossas esperanças.

O Dr. De Wurth levou a mão à gaveta e retirou dois envelopes.

— Estão aqui duas passagens para as Canárias, com estadia paga, durante o tempo necessário, para que vocês façam um estágio de preparação para a prova.

A oferta deixou-nos muito felizes, uma vez que o clima lisboeta nos continuava a impedir de executar uma preparação adequada.

A secretária regressou ao gabinete e entregou as folhas dactilografadas ao Dr. De Wurth. Cada um de nós selou o contrato com a sua assinatura e tudo ficou resolvido.

Após as despedidas, Rafaela e eu deixámos o gabinete do Dr. Peter De Wurth. À saída, houve ainda oportunidade para nova olhada à secretária do director de publicidade.

Já na rua, Rafaela mostrava-se aborrecida comigo.

— Gostaste da tipa? — perguntava ela com ironia e com uma voz irritada.

Eu sorri e disse:

— Nem reparei...

— Eu bem vi. — insistiu ela. — Só faltou, começares a babar-te aos pés dela.

— Não digas disparates. — disse eu carinhosamente. — Eu amo-te Rafaela. E não te trocava por mais nenhuma mulher do mundo.

As minha palavras sensibilizaram-na e extinguiram a raiva que sentia. Num gesto ternurento, abraçou-me e beijou-me carinhosamente, ali no meio do passeio, com pessoas a cruzarem-se connosco.

Dois dias mais tarde, partimos para as Canárias, dando início à nossa preparação para o Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia.

Marta acompanhou-nos no estágio, auxiliando-nos na nossa preparação. A sua presença e o seu apoio eram uma grande ajuda, uma vez que a sua experiência e as suas participações naquele confronto mundial nos daria uma ideia do que tinhamos pela frente.

Passara já uma semana, desde a nossa chegada às Ilhas Canárias. O tempo estava muito bom, com dias radiantes de Sol e uma temperatura amena, óptimo para os nossos treinos.

Durante essa semana, sob orientação de Marta, Rafaela e eu seguimos um esquema de treinos muito rigoroso. Todos os dias nos levantávamos cedo, iamos para a praia executar o nosso treino matinal e almoçávamos ao meio-dia. Depois, à tarde, novo treino na praia, algum tempo para disfrutar dos encantos da costa e regresso ao hotel para jantar. O dia terminava com o recolhimento aos quartos, por volta das 22h00.

Rafaela e eu ficámos no mesmo quarto. Um belo abrigo de namorados onde partilhavamos a mesma cama e onde todas as noites nos amávamos. Marta ficou no quarto ao lado. Um quarto tão grande como o nosso, onde ela dispunha de toda a sua privacidade.

Na noite em que fazia oito dias que ali permaneciamos, durante o jantar, Marta começou uma conversa muito estranha. Falava-se das nossas relações amorosas, a minha com Rafaela e a de Marta com Bento, quando...

— Eu sinto-me muito feliz com Bento. Damo-nos bem na cama e isso para mim é essencial para uma relação amorosa. E vocês?

Rafaela gaguejou, pois não esperava a pergunta e sentiu-se intimidade com a questão. Mas eu encarei o assunto com normalidade e respondi:

— A última vez em que fazemos amor é sempre melhor que a penúltima.

Rafaela sorriu com ternura e acariciou-me o rosto.

Também Marta sorriu e, levando o copo de vinho à boca, continuou:

— Nós também no entendiamos bem.

— Águas passadas. — respondi eu, imediatamente, vendo que Rafaela já não estava a gostar do rumo da conversa.

Marta não largava o copo de vinho e prosseguiu:

— Eu adoro sexo. Mas, de todos com quem já fui para a cama, apenas guardo uma feliz recordação de ti, do Quim e, agora, do Bento.

Eu fiquei um pouco surpreso, ao ouvi-la contar que se entregara a Quim.

Marta contou que durante um torneio, no ano anterior, ambos se sentiram atraidos um pelo outro. Uma noite, resolveram o assunto no quarto do hotel. Segundo ela, foi bom, mas constataram que não se amavam. Por isso, tudo nunca passou de uma bela amizade.

Por alguns momentos, permanecemos silênciosos. Eram 21h30 e aproximava-se a hora de recolher. Porém, Marta voltou ao assunto:

— Eu entendo o que atraí os homens. Sei o que sentem quando amam uma mulher.

Eu olhei-a com ironia e interroguei:

— Parece que tens experiência com mulheres, será?

Para nosso espanto, Marta revelou:

— Tenho! Já fiz amor com uma mulher.

A nossa surpresa reflectia-se no nosso silêncio. Nunca imaginei que Marta tivesse esse gosto. Mas confesso que me senti curioso em relação à sua afirmação.

— Marta, vamos até lá cima e contas-nos isso.

Rafaela ficou duplamente supreendida. Por um lado, com a confissão de Marta, por outro, com a minha curiosidade.

Marta sorriu, sabia que cativara o meu interesse.

— De acordo. — concordou ela.

Levantámo-nos da mesa e subimos até ao meu quarto. Marta caminhava triunfante, como se se sentisse na posse de algo precioso. Já Rafaela denotava um ar preocupado, temendo o que se poderia seguir.

Entrámos no quarto e eu sentei-me na cama, puxando Rafaela para o meu lado. Marta sentou-se numa pequena poltrona que mobilava o interior.

— Podes começar a contar. — sugeri eu, sentindo-me excitado com a curiosidade.

O meu braço direito abraçava Rafaela pela cintura, enquanto o esquerdo se apoiava na cama.

Marta desapertou um botão da camisa, cruzou as pernas e ajeitou a saia. A seguir, começou o relato:

— Tudo aconteceu quando eu jogava no Espinho. A equipa de voleibol viajou a Itália para jogar com uma equipa local. Um jogo a contar para as competições europeias. Ficámos no hotel arrumadas aos pares nos quartos. Eu fiquei com uma colega minha, por quem sentia uma certa atracção. Por vezes, observava-a no duche e isso excitava-me (só de me lembrar, já fico com calor).

Marta parou o relato e desapertou todos os botões da camisa, permanecendo no entanto com o tronco coberto.

— Nessa viagem, — continuou ela. — quis o destino que ficassemos no mesmo quarto de hotel. Não tive coragem de lhe dizer o que sentia, mas na noite antes do jogo, tomei coragem e avancei. Quando nos deitámos, dei-lhe um beijo na face, como era costume, só que não fiquei por aí. Comecei a acariciar-lhe o cabelo e beijei-lhe os lábios.

A história começava a excitar-me, o que levou a minha mão direita a resvalar pela perna de Rafaela, enquanto a esquerda veio tomar lugar na outra perna.

Rafaela olhou para mim, percebendo o que eu estava a sentir. Porém, a sua atenção foi desviada para a pergunta de Marta:

— Rafaela, já beijaste uma mulher na boca?

— Não!

— E gostavas de beijar?

— Não! — respondeu ela com repugnância.

— Porquê? — inquiriu Marta. — Como podes não gostar, se nunca beijaste?

Rafaela sentiu-se desagradada com a conversa e fez um movimento para se levantar. Mas eu impedia.

— Onde vais? — perguntei eu, segurando-a.

— Estou farta desta conversa. — respondeu ela, furiosa.

— Tudo bem, vai! — disse eu. — Eu fico a ouvir o resto da história.

Rafaela parou. Não lhe agradava a ideia de eu ficar sozinho com Marta, por isso, permaneceu no seu lugar.

Marta, vendo que Rafaela jamais se separaria de mim, continuou o inquérito:

— Então? Ainda não me respondeste.

— Ao quê? — interrogou Rafaela, fazendo-se esquecida.

— Se nunca beijaste uma mulher, como podes dizer que não gostas? — lembrou Marta.

Perante a insistência, Rafaela acabou por confessar que não sabia se gostava. Apenas a ideia a repugnava.

— Não queres experimentar comigo? — sugeriu Marta.

— O quê? — interrogou Rafaela, saltando da cama.

— Vá, experimenta. — disse eu. — Não tem nada de mais.

Ao ouvir-me, Rafaela voltou a sentar-se e dispôs-se a experimentar.

Marta levantou-se da poltrona, segurou a camisa para que não se abrisse e sentou-se ao lado de Rafaela.

— Vá, podes experimentar. — concedeu Marta, oferecendo-lhe os lábios.

Rafaela hesitou. Depois esticou-se na sua direcção, um pouco a medo, e escostou os seus lábios aos de Marta.

A cena excitava-me cada vez mais. Ver os seus lábios tocarem-se, fez-me desejar possuir a duas naquela cama em que estavamos sentados.

— Pronto, já está. — disse Rafaela, afastando-se de Marta, como se tivesse cumprido uma tarefa penosa.

— Rafaela, beija-me como se eu fosse o Marco. — aconselhou Marta.

Rafaela encarou a sugestão como mais um fardo pesado, sentiu-se tentada a recusar, mas a minha insistência levou-a a aceitar a sugestão. Fez o mesmo movimento em direcção a Marta, os seus lábios tocaram-se novamente, as suas bocas abriram-se e ambas se invadiram com a lingua, colando-as num profundo beijo.

O beijo excitou muito Marta que abriu a camisa e desnudou os seios.

Rafaela pareceu gostar do beijo, e com ele acabado, olhou os seios de Marta com paixão e levou as suas mãos a acariciá-los, para enorme prazer da outra.

Atrás de Rafaela, eu encaminhei as minhas mãos pela camisa de Rafaela e acariciei os seus, propurcionando-lhe uma onda de prazer, semelhante à sentida por Marta.

No entanto, Marta interrompeu a acalorada cena. Beijou novamente Rafaela que não se opôs e disse:

— Vou acabar de contar o episódio.

Ambos a ouvimos com atenção. E eu continuei a acariciar Rafaela que, naquele momento, colocou as suas mãos sobre as minhas, indicando-me onde queria ser tocada.

Marta, deliciada com o que via, prosseguia na sua história:

— Após o primeiro beijo, outros se seguiram. Empurrei-a para a cama e despi-a, acariciando-lhe o corpo e beijando-lhe as suas partes mais intimas. Enquanto a beijava entre as pernas, ela procurava o mesmo sítio em mim. Levou a mão com que fazia fabulosos serviços no volei, ao interior das minhas cuecas e acariciou-me com dois dedos. Eu respondia, massajando-a no mesmo local, freneticamente. Partilhámos intensamente todos aqueles momentos de prazer, até ficarmos extasiadas.

Quando Marta terminou, Rafaela e eu estávamos tão excitados que ela tinha a saia pela cintura, as cuecas nos joelhos e a minha mão direita a acariciar-lhe a fonte de prazer, enquanto a mão esquerda viajava pelo seu peito nu.

Ao ver-nos, Marta desprezou as palavras e juntou-se a nós, colocando as suas mãos a acompanhar as minhas.

Rafaela suspirava de prazer e tinha uma respiração ofegante, resultado das caricias daquelas quatro mãos no seu corpo.

Eu despi-me completamente, deixando Marta e Rafaela a trocarem quentes beijos na cama. A seguir, coloquei-me entre elas, beijando as suas intimidades, alternadamente.

Rafaela empurrou-me contra o colchão, deitando-me de costas, enquanto Marta se debruçava sobre a minha cintura, saboreando-me toda a excitação. Logo de seguida, Rafaela afastou Marta e colocou as suas pernas a cercarem as minhas, sentando-se sobre o seu maior desejo. Vi a sua mão encaminhá-lo para a zona mais desejada, perante o olhar excitado de Marta, quando...

Nem quis acreditar, ao abrir os olhos e perceber que tudo não passara de um sonho. Olhei para o relógio e constatei que o Sol ainda nem havia nascido. A meu lado na cama, Rafaela dormia tranquilamente. E no quarto ao lado, Marta estaria a fazer exactamente o mesmo.

Por alguns minutos, imaginei como seria se o sonho fosse real. Sorri sozinho, percebendo que Rafaela jamais alinharia em semelhante fantasia. Marta, talvez... Acabei por adormecer, sem sonhar nada de relevante.

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