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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XXVII

Na manhã seguinte, saí de casa bem cedo e fui à procura do tal indivíduo que morava em Chelas. Já não me recordo da morada, mas sei que vivia num terceiro andar de um bloco de apartamentos desse bairro.

Toquei à campainha e atendeu-me um indivíduo africano que parecia uma torre, pois devia ter mais de dois metros.

Chamava-se José e tinha 29 anos. Era operacional dos Comandos e já estivera em várias missões no exterior, como Angola e Bósnia.

Para além de ser muito alto, tinha a pele muito escura e o cabelo quase rapado.

Apesar da sua postura militar, o comando era uma pessoa simpática e disposta a ajudar os amigos.

— Sargento José? — perguntei eu, com a cabeça num ângulo de quase quarenta e cinco graus.

— Sim! — respondeu o indivíduo com uma voz forte.

— Sou amigo do Bento. — expliquei eu.

— Ah sim, o Bento. Grande amigo! Fizemos a tropa juntos. — disse ele, lembrando-se imediatamente dele.

— Trago-lhe uma mensagem dele. — informei eu, entregando-lhe o papel.

O homem pegou no papel, desdobrou-o e começou a ler.

Bento escrevera no papel, tudo o que se passava e que precisava de ajuda para combater o tal grupo de marginais com quem Tiago estava.

Bastava tratar-se de um pedido de Bento, para o homem vir logo auxiliar-nos.

Depois de aceitar o pedido, o Sargento informou-me de que iria ter connosco, após o almoço. E eu regressei a casa.

Eram 15h00, quando o grupo de resgate se encontrou no meu prédio. O primeiro a chegar foi Bento que vinha do emprego. Saiu mais cedo, com a cumplicidade de Victor que ficou a encobrir a sua falta no escritório.

Pouco depois, chegou Humberto que transparecia algum receio.

— Humberto! Estás pronto? — perguntou Bento.

— Estou! — respondeu Humberto com a voz a tremer.

Seguiu-se a chegada do Sargento José.

Quando os olhares de Bento e do militar se cruzaram, ambos festejaram efusivamente, o reencontro.

— Há quanto tempo. — disse José.

— Desde que foste para a Bósnia. — lembrou Bento. — O Victor é que me contou que tinhas regressado na semana passada.

— É verdade. — confirmou o outro. — Encontrei-o no dia em que cheguei. Cruzámo-nos na Portela.

Ambos ficaram a conversar. E depois de fazer as apresentações, Bento explicou-lhe, mais pormenorizadamente, aquilo que tinhamos de enfrentar.

Como o meu automóvel era conhecido por Tiago, decidimos rumar a Almada no veículo de Bento. E partimos às 16h00 com tudo planeado.

Nenhum de nós conhecia o local, por isso, tivemos algumas dificuldades em encontrar o bar "Copo Cheio". Aquele que ficava num dos locais mais sombrios de Almada. Em marcha lenta, seguimos pelas ruelas do bairro, até chegar a um conjunto de barracões, onde o terceiro dava pelo nome de "Copo Cheio".

Bento conduzia com enorme precaução para não denunciar a nossa presença.

A cinquenta metros do bar, parámos o carro e ficámos à espera.

Debaixo de um céu cinzento que produzira uma tarde fria, alí permanecemos. Como era eu quem melhor poderia reconhecer Tiago, fiquei de vigia com os binóculos que o Sargento trouxera.

— O tempo está a piorar. — constatou Humberto.

— Já estamos no Outono. — lembrou Bento.

Humberto continuou:

— Não gosto nada deste tempo.

O militar não se pronunciava, mantendo-se atento a todas as movimentações.

— Parece que é um gang, quem controla as redondezas. — disse Humberto. — A Liliana contou-me que são muito perigosos e capazes de tudo.

— Não te preocupes. — disse eu, descansando-o.

O local era medonho. Vários armazéns, na maioria abandonados, as ruas desertas e vários indivíduos com aspecto de conduta duvidosa, a vaguear pela rua.

O nosso carro estava coberto por outros ali estacionados. O que nos permitia alguma camuflagem.

Quando Tiago apareceu, acompanhado por Rafaela, trazia consigo cinco indivíduos do grupo. Eram 18h30, quando os vi aparecer.

— Ali vêm eles. — avisei eu.

Todos os que me acompanhavam, ficaram alerta.

— Vamos fazer assim: — disse eu. — Eu vou lá dentro, tentar tirá-la de lá...

— Isso é uma loucura. — contestou Bento. — Eles dão cabo de ti.

Nesse momento, parou um carro da policia em frente à porta do bar. Dois agentes, que faziam ronda no bairro, entraram no barracão.

— Estás a ver? Com a policia lá dentro, eles não vão fazer nada. — conclui eu.

— Vai! — concordou José. — Se precisares de ajuda, foges cá para fora. E nós vamos em teu auxilio.

Bento conduziu o carro até ao bar e parou junto à perede lateral, num pequeno parque. Eu saí do carro e dirigi-me à entrada. Mal cheguei à porta, já podia escutar a música interior. Entrei no bar e observei o interior. Muitas das mesas estavam ocupadas por elementos do grupo ou por simples marginais que nada tinham a ver com o assunto. Os policias tomavam, calmamente, um café ao balcão. Numa mesa, ao fundo do recinto, estavam Tiago, Rafaela e mais quatro elementos do grupo. O ambiente era verdadeiramente hóstil.

Eu receava o que me pudesse acontecer. Mas a minha única preocupação era tirar Rafaela dalí. Sendo assim, prossegui na minha missão, sem olhar aos perigos. E sentei-me numa mesa junto à parede.

Ao ver-me, Tiago ficou cauteloso e alertou os companheiros para a minha presença. Rafaela tentou vir ao meu encontro, mas foi impedida pelo ex-noivo que a agarrou pelo braço. O seu olhar denunciava todo o receio que sentia por mim.

Os dois agentes da autoridade continuavam a tomar o seu café e a conversar, sem se aperceberem do que se estava a passar.

Uma das empregadas acercou-se da minha mesa e perguntou-me o que desejava.

— Um café! — disse eu.

A jovem, com aspecto de quem trabalha à noite numa qualquer esquina, afastou-se e dirigiu-se ao balcão.

Todo aquele sítio tinha um aspecto asqueroso. Sujo e imundo, onde o fumo dos cigarros se misturava com o odor a suor e a esgoto.

Tiago fez sinal à empregada para que fosse à mesa dele. Disse-lhe algumas palavras e mandou-a embora.

Ela passou pelo balcão, pegou no café e trouxe-mo.

— Quando acabar, vá-se embora. — ordenou ela pousando a chávena na mesa.

Eu sorri e não me pronunciei, indicando que cumpriria a ordem.

Não era preciso pensar muito para chegar à conclusão de que se tratava de uma mensagem de Tiago.

Depois de beber o café, deixei umas moedas na mesa e levantei-me. Os meus movimentos eram seguidos, atenciosamente, por Tiago e pelos seus companheiros de mesa.

Tiago ria como quem tinha levado a melhor.

Só que eu não me levantei para sair. Levantei-me para me dirigir à sua mesa. Aproximei-me deles e, olhando-o nos olhos, disse:

— És tão cobarde que precisas de putas a dar ordens por ti.

Tiago ficou furioso e tentou levantar-se para responder. Mas um dos membros do gang, que me pareceu ser o chefe, agarrou-lhe o braço e lembrou-lhe a presença dos policias.

— O que queres? — questionou o indivíduo.

— Quero levar a minha namorada daqui para fora. — disse eu, apontando para Rafaela.

Rafaela estava apavorada e temia pela minha segurança.

— Ela é minha noiva. — disse Tiago. — E tu não tens nada que te meter.

— Rafaela! Anda comigo. — pedi eu.

Porém, Rafaela temia que me magoassem e preferiu pedir-me que abandonasse o local.

— Eu só saio daqui contigo. — disse eu.

Rafaela sorriu, pois alegrava-lhe a minha persistência. Mas o seu sorriso era nervoso, devido às consequências que implicavam os meus actos.

— Saí daqui, senão... — ameaçou Tiago.

— Senão... o quê? — interroguei eu. — Vais chamar a polícia? Se quiseres eu chamo. Eles estão já ali.

Tiago não se pronunciou e eu estiquei a minha mão até Rafaela, dizendo:

— Anda, Rafaela. Vamos embora.

Rafaela agarrou a minha mão e levantou-se.

No entanto, a sorte não nos acompanhou. Infelizmente, os polícias deixaram o balcão e sairam do bar.

Tiago aproveitou, imediatamente, para agarrar o braço de Rafaela.

— Pára! Tu já não sais daqui. — disse ele, num tom ameaçador.

O lider do gang retirou uma navalha do bolso e disse:

— Põe-te andar daqui para fora.

— Só saio daqui com ela. — repeti eu.

— Olha que a polícia já se foi embora. — lembrou Tiago com sarcásmo.

A situação não decorria a meu favor. E tudo se complicava cada vez mais.

— Vai-te embora, antes que eu vos mate aos dois. — voltou a ameaçar Tiago.

Quando reparei, já três indivíduos me cercavam. Como estava em clara inferioridade, decidi alterar o plano.

— Está bem! Venceste. — disse eu, dando-me por derrotado.

Tiago sorriu e olhou à volta, mostrando a todas as pessoas a sua superioridade.

Eu olhei para ele e, com uma voz fraca, pedi:

— Já que vais ficar com ela, não te importas que me despeça da Rafaela? Dá-me um minuto, em particular, para me despedir.

O lider dos marginais olhou para mim, suspeitando da minha atitude. Mas Tiago, que se entretinha a expôr a sua vaidade por levar a melhor, disse:

— Está bem. Tens um minuto para te despedir. — concedeu ele com um ar de gozo, de quem domina tudo e todos. — Aproveita, pois é a última vez que a vês.

Rafaela começou a chorar, convencida de que eu a ia abandonar.

Tiago e os seus comparças sairam da mesa e deixaram-nos sozinhos.

Eu sentei-me ao lado de Rafaela e disse:

— Rafaela, ouve o que te digo.

— Porquê, Marco? Porque desistes assim? Não me abandones.

— Eu não te vou abandonar. — murmurei eu para sua satisfação. — Ouve!

Rafaela limpou o rosto e prestou mais atenção às minhas palavras.

Eu vigiei os meus inimigos que conversavam no balcão. E depois, olhando para os lindos olhos de Rafaela, indaguei:

— Há mais alguma saída, sem ser a porta da frente?

— Não sei... — disse ela.

— Pensa, Rafaela. — pedi eu. — Não te preocupes. Eu juro-te que nunca te abandonarei.

Rafaela abraçou-me e agradeceu-me o empenho.

Tiago olhava e sorria como quem tivesse tudo controlado. Ele estava certo de que se tratava de uma despedida. Como as pessoas se enganam...

Rafaela fazia um esforço enorme para se lembrar de outra saída. Mas, parecia não encontrar nenhuma na sua memória. Até que...

— Já sei. — disse ela, sussurrando. — Na casa-de-banho existe uma janela pequena que dá para as traseiras.

— E achas que consegues passar por lá? — perguntei eu.

Rafaela ficou a olhar para mim, estranhando a pergunta. Porém, respondeu:

— Sim... Penso que sim.

— Então, depois de eu sair, arranjas maneira de ir para lá e foges por essa janela. Está bem?

Rafaela franziu o rosto e alertou:

— Se eu for lá, o Tiago manda uma dessas tipas comigo.

Eu pensei um pouco, pois a questão era complicada.

— A janela está aberta? — indaguei eu.

— Está! — respondeu ela.

— Ainda bem. — disse eu. E depois, continuei com a minha ideia. — A seguir a eu sair, deixas passar dois minutos e vais lá. Eu trato do resto.

Rafaela sorriu e eu dei-lhe um beijo.

Ao olhos de Tiago, era um beijo de despedida. Mas, na realidade, era um beijo de ausência momentânea.

Levantei-me da cadeira, passei por eles e saí do bar. Mal me afastei da porta, reparei que era seguido por três elementos do gang. Adivinhava-se um ajuste de contas, alí na rua.

Virei a esquina do barracão e dirigi-me ao carro. Porém, não avistei nenhum dos meus amigos, o que me levou a temer que tivessem sido descobertos.

Aproximei-me do carro e abri a porta.

— Ei! — chamou um deles. — Tu aí. Estou a falar contigo.

Eu olhei para ele e disse:

— Comigo? Deves estar enganado. Eu não vos conheço de lado nenhum.

O indivíduo continuou a aproximar-se e, sacando da navalha, disse:

— Vou cortar-te todo. Hás-de aprender a não apareceres sem seres convidado.

À frase dele, seguiu-se uma voz conhecida:

— Queres alguma coisa, ó palhaço?

Era a voz de Bento, acompanhado por Humberto e José. O militar agarrou no indivíduo e separou-o da navalha. Enquanto Humberto e Bento trataram dos outros dois. Deu-se, assim, início a uma cena de pugilato, ali no meio da rua, mas a que eu não pude auxiliar.

Eu queria ajudá-los, mas tinha que manter o plano e ajudar Rafaela. Segui para as traseiras do barracão e encontrei a janela aberta. Era uma janela com uma altura de metro e meio do chão. Não era muito grande, mas dava para passarmos.

Entrei na casa-de-banho e esperei, escondendo-me atrás da porta. Mesmo a tempo, pois esta já se abria pela mão de Rafaela.

Rafaela entrou e nem reparou onde eu estava. E a sua vigia seguiu-a.

Quando a mulher passou a porta, eu dei-lhe uma pancada nas costas e deixei-a inanimada, caída no chão.

Rafaela abraçou-me, felicíssima.

— Calma! — disse eu. — Ainda não estamos a salvo.

Rafaela saiu pela janela. Mas quando eu me preparava para a seguir, ouvi a porta a bater. A jovem que a acompanhara, recuperara os sentidos e correu a dar o alarme.

Sem perder tempo, saltei para o exterior e disse:

— Anda, Rafaela. Depressa! Corre!

Rafaela e eu corremos o mais depressa que podíamos. E quando chegámos à esquina do barracão, já Tiago saltava a janela.

Corremos desesperadamente para o parque, onde os meus amigos já tinham dado conta dos marginais, e gritei:

— Bento, põe o carro a trabalhar.

Enquanto nos aproximávamos do carro, eles os três entraram e Bento pô-lo a funcionar. Mas, Tiago estava a aproximar-se. Era a nossa ultima oportunidade.

Rafaela entrou no carro, mas eu fui agarrado por Tiago.

— Malandro! Não vais fugir. — disse ele, puxando-me pelo casaco.

Eu virei-me e fiz uma coisa pela qual ansiava à muito. Dei-lhe um valente soco na cara que o deixou estendido no chão.

A seguir, entrei no carro e fechei a porta.

— Arranca! — mandei eu.

Bento arrancou com o automóvel. Só que à saída, apareceram vários membros do gang.

— Não pares! — disse José ao seu amigo. — Eles que se desviem.

Bento não parou. E eles atiraram-se para o chão, desviando-se do carro.

Já a salvo, Rafaela não se conteve e abraçou-me com firmeza, como se tivesse medo de voltar a separar-se de mim.

Humberto, sentado para lá de Rafaela, deu-me um toque no braço, felicitando-me pelo sucesso da missão. E à frente, Bento conduzia com a mesma satisfação. A seu lado, José permanecia sereno.

Eu dei-lhe um toque no ombro e disse:

— Obrigado!

— Nada. — respondeu ele. — Os amigos do Bento são meus amigos. E eu nunca deixo um amigo sem ajuda.

E naquela boa disposição e satisfação pelo êxito, regressámos a Lisboa.

Bento deixou-me a mim e a Rafaela, junto à porta do meu prédio.

— Vou levá-los a casa. — informou Bento.

— Está bem. — disse eu. — E obrigado por tudo.

— Marco! — chamou o Sargento José. — Já sabes. Se voltares a precisar de ajuda, podes contar comigo.

Eu estendi-lhe a mão e agradeci a oferta.

Bento partiu. E eu levei Rafaela para minha casa.

O relógio marcava 21h00, quando entrámos na residência. Os meus pais não estavam e deixaram um bilhete a avisar que tinham ido jantar fora.

Rafaela olhou para mim e perguntou:

— Posso tomar um banho? Sinto-me imunda.

— Claro! Estás à vontade. — disse eu. — E vais passar cá a noite.

Rafaela hesitou em aceitar. Porém, eu disse-lhe:

— Não convém voltares para casa dos teus pais. O Tiago pode repetir o rapto, se te souber lá. Passas cá a noite e amanhã decides para onde deves ir.

Enquanto desapertava o casaco, Rafaela sugeriu:

— Vou telefonar para os meus tios que vivem em Espanha e pedir-lhes para ficar com eles uns dias.

Ouvir a possibilidade de ela ir para longe, não me deixava nada satisfeito, por isso reclamei:

— Espanha? Então e nós? Assim, vamos ficar longe.

— É a melhor solução. — contrapôs ela. — Tu próprio disseste que era melhor eu esconder-me por uns tempos.

Eu continuei triste. E Rafaela, reparando nisso, deu-me um beijo e disse:

— Descansa que eu não me vou esquecer de ti. Eu amo-te!

— Eu também te amo.

Rafaela seguiu para a casa-de-banho e foi tomar o seu banho.

Eu fui para o meu quarto e esperei por ela. Só que, entretanto, os meus pais regressaram. E eu apressei-me a pô-los ao corrente do sucedido e a pedir-lhes permissão para que Rafaela passasse lá a noite.

Perante os factos, os meus pais concordaram imediatamente.

Nessa noite, Rafaela dormiu no antigo quarto de Mónica. Enquanto eu, mal dormi no meu, só de pensar que a tinha alí tão perto. Tinha tantas saudades de a amar que não conseguia sossegar.

Perto das 03h00, cansei-me de tentar dormir e levantei-me. Vestindo o meu pijama, saí do quarto, muito lentamente e silenciosamente, e dirigi-me ao de Rafaela.

A porta não estava trancada e eu entrei na escuridão do interior. Esperei um pouco para adaptar os olhos ao negro do quarto e caminhei até à cama do meu amor.

Rafaela dormia repousadamente, sem suspeitar da minha presença.

Eu ajoelhei-me a seu lado e, muito baixinho, chamei:

— Rafaela! Rafaela, acorda.

Ela abriu os olhos e assustou-se com a minha presença.

— Xiu, não faças barulho. — pedi eu.

Rafaela sentou-se na cama e perguntou, sussurrando:

— Que fazes aqui?

— Vim dar-te um beijo. — disse eu.

— Um beijo? — estranhou ela.

Eu coloquei a mão no seu rosto e beijei-lhe os seus doces lábios. E continuei a beijá-la, ao mesmo tempo que as minhas mãos acariciavam o seu corpo.

— Marco, pára! — ordenou ela. — Os teus pais podem ouvir.

— Eles não ouvem, Rafaela. E eu tenho muitas saudades tuas.

Rafaela sorriu e disse:

— Já é tarde.

— Rafaela, meu amor, tenho saudades de fazer amor contigo. — confessei eu. — E tu amanhã, podes já não estar cá.

Ela sorriu, novamente, respondeu aos meus beijos e afastou o lençol da cama, pondo a descoberto as suas longas pernas.

— Anda! Entra para aqui. — convidou ela.

Eu sentei-me na cama a seu lado e ela cobriu-nos com o lençol. Depois, levou as mãos à camisola e despiu-a pela cabeça, ficando completamente nua.

— Deita-te, Marco. — pediu ela.

Acatando o seu pedido, despi o casaco do pijama e deitei-me.

Rafaela deitou-se sobre mim e despiu-me os calções do pijama. A seguir, ajoelhou-se sobre a minha cintura e deu início a mais um momento de grande paixão.

Duas horas mais tarde, regressei ao meu quarto sem que ninguém suspeitasse. Os meus pais dormiam profundamente e nem deram por nada.

Na manhã seguinte, Rafaela telefonou para os tios e pediu-lhes para passar uns dias com eles. Tendo estes aceite, de imediato, a sua visita.

Seguiu-se um telefonema, a reservar o bilhete para a viagem. Rafaela pediu que fosse o mais cedo possível. E, infelizmente para mim, o mais cedo possível foi a seguir ao almoço. Às 14h00, levei Rafaela ao aeroporto, onde ela embarcaria no voo Lisboa-Palma de Maiorca, local onde os tios viviam.

A chamada para o voo foi feita antes das 15h30. Rafaela abraçou-me com firmeza, beijou-me longamente e disse:

— Quando chegar, telefono-te. Espero que não te esqueças de mim e também me telefones.

— Claro que sim, Rafaela. Eu amo-te muito. Jamais te esquecerei.

— Eu também te amo muito. Nunca amei ninguém, como te amo a ti. — retribuiu ela, muito emocionada.

— Quando é que voltas? — questionei eu.

— Não sei! — disse ela. — Vamos deixar passar algum tempo. Depois logo se vê.

Mais uma vez, unimo-nos num abraço. Beijámo-nos repetidas vezes e ela partiu, rumo ao avião que a levaria para um lugar seguro. E eu ali fiquei, a vê-la partir. Temia que nos separássemos para sempre, mas acreditava na força do nosso amor. Um amor que tinha de resistir a mais um contratempo.

Após a partida do avião, deixei o Aeroporto da Portela e dirigi-me ao carro que deixara estacionado no parque. Ainda não fizera dez minutos que Rafaela partira e eu já sentia saudades suas, como se não a visse havia anos. Deixei o parque, dirigindo lentamente. Um ritmo coincidente com o estado de nostalgia que sentia.

Longe dela, eu percebia o quanto a amava. Estava amargurado por ficar longe, mas feliz, por sentir que ganhara definitivamente o seu amor.

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