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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XXV

A festa transferiu-se para o hotel, onde dezenas de pessoas se concentraram para os festejos.

Os meus pais vieram ao meu encontro, avisando que tinham de regressar a Lisboa. O dia seguinte era de trabalho, por isso havia que partir cedo. Rafaela e eu despedimo-nos dos amigos que vieram propositadamente de Lisboa para nos ver. Acompanhámo-los à carrinha e ficámos a vê-los partir, com a promessa de reencontro no dia posterior.

O salão do hotel estava em festa. Muitas pessoas dançavam ao som da música escolhida pelo speaker do torneio.

Quim veio ter connosco e, debaixo de todo aquele ruído, disse:

— Grande jogo.

— O quê? — perguntei eu, surdo com a barulheira.

— Grande jogo. — repetiu ele.

— Vocês também jogaram muito bem. — elogiou Rafaela.

— Mas, vocês é que ganharam. — lembrou Quim.

Eu encolhi os ombros, como se isso não tivesse qualquer importância.

Marta aproximou-se e disse:

— Agora, segue-se o título mundial.

Eu e Rafaela sorrimos. E eu disse:

— Não! Nós temos consciência do nosso valor. Sabemos que há duplas muito melhores.

Quim, num tom mais sério, afirmou:

— Marco, se pudermos ajudar em alguma coisa, no que diz respeito à vossa preparação, não hesitem em dizer.

— Obrigado, Quim. Vamos precisar de todo o apoio.

A festa prosseguiu com grande intensidade. Rafaela e eu não nos largámos um bocado, sempre agarrados, aos beijos e a dançar.

Perto das 23h00, ambos nos recolhemos aos nossos quartos. Queríamos descansar para partir na manhã seguinte. Despedimo-nos de Quim e Marta que ainda ficaram na festa. E subimos até ao nosso andar.

Rafaela entrou e, olhando para mim libidinosamente, convidou:

— Não queres entrar?

Eu sorri, abracei-a novamente, beijei-a e disse:

— Hoje não. Temos de descansar.

— Não queres fazer amor, esta noite? — interrogou ela.

— Descanso! — exclamei eu, sorrindo. — Nós amamo-nos e temos muito tempo para o fazer. Vamos aproveitar para dormir.

— E não queres dormir comigo? — questionou ela, com um sorriso cheio de segundas intenções.

— Rafaela, meu amor, ambos sabemos o que acontecia se eu aceitasse.

— És capaz de ter razão. — concordou ela, rindo e despedindo-se de mim com mais um beijo.

Após ela entrar, também eu recolhi ao meu quarto. Mal me deitei, caí num sono profundo.

Não me lembro o que sonhei, mas sei que foi um sono tranquilo. Pelo menos, até ser acordado pela campainha do telefone.

— Estou? — atendi eu, completamente ensonado.

— Sr. Marco Oliveira? — perguntou a outra voz.

— Sim, sou eu.

Do outro lado, uma voz feminina começou a falar, percebendo-se alguma preocupação no timbre:

— É do Hospital Distrital de Aveiro. O senhor Joaquim Campos e a senhora Marta Santos sofreram um acidente de automóvel e encontram-se neste hospital. Foi o senhor quem nos pediu para lhe telefonar.

Eu fiquei transtornado com a notícia e disse:

— Eu vou já para aí.

Apesar da gravidade da notícia, não quis perturbar Rafaela e deixei o quarto, rumo à recepção.

Desci pelo elevador e dirigi-me à recepcionista de serviço:

— Por favor, quando a minha colega acordar, avise-a de que eu fui ao Hospital Distrital de Aveiro, ver como estavam o Quim e a Marta. Certo?

— Com certeza, senhor Marco. Assim farei. — acatou a rapariga.

Entrei no carro e rumei a Aveiro. Só aí, reparei que eram 03h00. A noite ainda estava no ar, plena de escuridão.

A viagem não foi muito comprida, uma vez que Aveiro ficava perto.

Quando entrei no hospital, caminhei até às informações e pedi notícias acerca do caso. Uma enfermeira, muito simpática, direccionou-me para o local onde se encontrava o médico que os assistira.

— Então, doutor, como estão eles? — indaguei eu, muito preocupado.

O médico convidou-me a sentar numa cadeira de plástico e começou a falar:

— O senhor Joaquim Campos faleceu, pouco depois de chegar. Tinha muitos ferimentos externos e internos. Só teve tempo para pedir que o contactássemos e que olhássemos pela outra senhora.

A notícia chocou-me. A morte de Quim era uma tragédia para todos os seus amigos, inclusive eu.

— E a Marta? — perguntei eu, temendo uma resposta semelhante.

O médico, mantendo a seriedade na voz, continuou:

— A senhora Marta Santos sofreu várias lesões na cabeça. Está viva, mas encontra-se em estado de coma.

— Posso vê-la? — questionei eu.

— Talvez mais tarde. — sugeriu o médico. — Quando ela sair da Unidade de Cuidados Intensivos.

Eu fiquei na sala de espera, aguardando a altura para a poder ver.

Uma das enfermeiras, interpelou-me:

— É amigo daquele casal do volei que teve o acidente?

— Sou sim. — confirmei eu.

— Coitados. — lamentou ela. — Tão novos...

— Alguém sabe o que aconteceu? — questionei eu, esperando alguma informação adicional.

A senhora de meia idade, simpaticamente, relatou-me o que sabia:

— Segundo ouvi, um agente contou que um carro vinha em sentido contrário e colidiu com eles, atirando-os por uma ravina. Parece que o outro condutor vinha alcoolizado, tanto que andam à procura dele. Malandro, fugiu como um criminoso.

A notícia indignou-me. Mais um irresponsável nas estradas que matou e fugiu, tendo consigo a sorte de nada sofrer.

Cerca das 07h30, Rafaela apareceu vinda do hotel. Estava muito preocupada e não conteve as lágrimas, quando a informei daquilo que tinha conhecimento.

Minutos mais tarde, o médico avisou-nos que já podíamos ver Marta, encaminhando-nos pelo corredor do hospital.

Entrámos no quarto e deparámos com uma imagem assustadora. Marta deitada na cama, não se movia minimamente, parecendo não ter vida. Mas, olhando mais atenciosamente, observava-se que ela respirava lentamente.

— Como lhe disse, ela está em estado de coma. — reafirmou o médico.

— E quando é que ela melhora? — perguntou Rafaela.

— Só o tempo o dirá. — disse o médico. — Ela sofre de coma profundo, devido ao traumatismo craniano, resultante do impacto no vidro lateral do carro. Este estado pode durar uma hora, como um dia, um ano... Enfim, é uma incógnita.

— E não há nada que se possa fazer? — indaguei eu.

— Neste caso, é rodeá-la de amigos e conversar com ela. Mesmo que pareça não ouvir, a memória das pessoas num estado assim, regista tudo o que se passa à sua volta. Por isso, é importante que não a deixem sozinha e que a façam sentir-se querida.

Depois de falar com o médico, tanto eu como Rafaela permanecemos no quarto. Falámos com ela, mas Marta não reagiu.

— Devíamos procurar a sua família. — sugeriu Rafaela.

— Ela não tem família! Vive num quarto alugado em casa de um casal que pouco quer saber dela.

Perto do meio-dia, Rafaela sugeriu que eu fosse buscar qualquer coisa para comermos. E eu concordei.

Dirigi-me à pastelaria do hospital e trouxe umas sandes para ambos.

Antes de regressar ao quarto, telefonei para casa, a avisar que não voltava já para Lisboa. E relatei tudo o que acontecera.

Por motivo algum, nós abandonávamos Marta. Sempre que um saía, outro ficava a acompanhá-la.

Ao fim da tarde, Rafaela decidiu regressar ao hotel para descansar. E eu permaneci, junto à cama de Marta.

Sozinho, fiquei a olhar para ela, contemplando a sua beleza adormecida. Lembrei-me do que o médico dissera. E comecei a monologar:

— Marta! Não imaginas como me sentia feliz, se te visse abrir os olhos. Ver, novamente, o teu sorriso e a tua boa disposição. Conhecemo-nos há pouco tempo, mas vejo-te como uma... — Aqui parei. E pensei se devia dizer "amiga" ou "amante". Mas, não seria justo enganá-la, por isso, continuei com sinceridade. — ...uma amiga que amei. No entanto, continuo a gostar de ti. Não posso viver sem a tua amizade. Não me abandones, sem ter ouvido da tua boca, o perdão pelo mal que te fiz.

A continuidade do seu estado e a inexistência de qualquer reacção, levou-me a chorar desesperado.

Uma hora mais tarde, já sem lágrimas, uma enfermeira entrou no quarto, carregando um tabuleiro com um prato de sopa.

— Trago-lhe isto. O senhor não pode ficar sem comer.

Eu agradeci a sua gentileza que me permitiu jantar sem me ausentar do quarto.

A noite foi-se alongando e eu acabei por adormecer, sentado na cadeira, junto à cama de Marta.

Porém, fui despertado por uns valentes puxões no meu braço.

— Marco! Marco! — chamava um voz fraca.

Eu abri os olhos e nem queria acreditar no que via. Marta despertara do estado de coma e puxava-me o braço para que a auxiliasse. Fiquei tão feliz que a abracei.

Marta, com a voz rouca, perguntou:

— O Quim? Como está o Quim?

Eu não sabia como lhe contar o sucedido. Por isso, mudei de assunto e corri a chamar o médico.

O doutor veio apressadamente e examinou Marta.

— Vejo que está melhor. — disse ele.

— E o Quim? — continuou ela.

O médico, apercebendo-se de que eu não contara nada, relatou-lhe o sucedido. Marta ficou desesperada e entrou em histerismo, obrigando o médico a dar-lhe um calmante.

— Agora, só acorda amanhã. — disse o médico.

— E vai ficar boa? — perguntei eu.

— Penso que sim. — confirmou o médico.

— Então, eu vou aproveitar e vou regressar ao hotel para descansar.

Nos três dias que se seguiram, Rafaela e eu visitámos regularmente Marta. Aos poucos, ela foi-se habituando à ideia da morte de Quim. O funeral dele realizou-se na Quinta-Feira seguinte. Na Sexta-Feira, Marta teve alta do hospital. Rafaela e eu fomos buscá-la e levámo-la para casa.

Os donos do apartamento, receberam-nos com grande simpatia e disseram-nos para a visitarmos. Claro que nem era preciso dizer, pois já tínhamos ideias de o fazer. Ficámos alguns minutos com ela, tendo depois, regressado ao hotel.

Nessa noite, após uma acalorada relação entre os lençóis, Rafaela informou-me da sua intenção de voltar para Lisboa.

— Vens comigo, não vens? — completou ela.

— Não posso, amor. — disse eu. — Não posso deixar a Marta sozinha.

— Ela já está bem. — contrapôs Rafaela. — E nós não podemos ficar indefinidamente aqui.

— Não sejas assim. — ripostei eu. — Só mais uns dias.

— Não! Eu não fico mais tempo. — avisou ela, permanecendo irredutível. — Vens ou não vens?

— Não vou. — respondi eu, friamente.

Rafaela saiu da cama, vestiu-se apressadamente e disse:

— Já vi que estava iludida, quando acreditei que me amavas.

— Estás a ser injusta! — disse eu, levantando-me igualmente da cama.

— Achas? Achas? — interrogava ela, furiosa. — Deixas-me partir, preferindo ficar com ela.

— Ela precisa de nós. — contrapus eu.

— Ela precisa é de ti. — disse Rafaela. — E sabes que mais? Fiquem um com o outro. Vocês merecem-se. Eu é que andei a fazer figura de parva, este tempo todo.

E com aquelas palavras, entrou no seu quarto e fechou-me a porta na cara.

— Rafaela... — proferi eu, mas não tive hipóteses de argumentar.

Voltei à cama e adormeci com a ideia de que tudo se resolveria no dia seguinte. Mas estava enganado. Quando me levantei pela manhã, a funcionária do serviço de quartos informou-me que Rafaela partira, bem cedo, de regresso a Lisboa.

Perante este cenário, naquele momento, nada havia a fazer.

À tarde, visitei Marta. Dirigi-me ao apartamento onde ela vivia, para me inteirar do seu estado.

Marta estava sozinha. Ao ver-me, convidou-me a entrar e eu aceitei.

— A Rafaela não veio? — perguntou ela.

— Não! Teve que regressar a Lisboa. — informei eu.

— E tu quando é que regressas? — indagou Marta.

— Não sei. — disse eu.

Marta levantou-se do sofá, onde ambos estávamos, e foi buscar umas bebidas.

— E agora, o que vais fazer? — questionei eu, observando a sua movimentação pela sala.

— Ainda não sei. Possivelmente, vou procurar emprego. — disse ela.

— Não voltas a jogar volei?

— Não! — respondeu ela, prontamente. — Com a morte do Quim, decidi não voltar a jogar.

A sua decisão pareceu-me tão vincada que não me atrevi a demovê-la.

— Sinceramente, não sei o que vai ser o meu futuro. — confessou ela.

Eu escutei-a com atenção e tive uma ideia.

— Marta, porque é que não vais viver para Lisboa? — propus eu.

— Contigo? — interrogou ela, com um sorriso brincalhão.

— Não. — respondi eu.

— Eu sei. Estava a brincar.

— E então, o que achas da ideia? — interroguei eu.

Marta ficou pensativa. E eu insisti:

— Era melhor para ti. Ou tens alguma coisa que te prenda aqui?

— Não. O meu único amigo era o Quim. E ele já... — A tristeza embargou-lhe a voz.

— Pensa nisso. — aconselhei eu. — Terei todo o prazer em ajudar-te.

— Vou pensar, depois digo-te.

Como já era tarde, despedi-me dela e regressei ao hotel.

Marta não precisou de muito tempo para pensar. Nessa noite, telefonou-me para o hotel e informou-me que decidira aceitar a minha sugestão. No entanto, precisava de uma semana para resolver umas coisas. Só depois, poderia abandonar Espinho.

Eu disse-lhe que permaneceria em Espinho, até ela resolver a sua situação. E que depois, a levaria comigo para Lisboa.

A semana passou. Seis dias em que acompanhei Marta no tratamento dos assuntos necessários. Passeámos muitas vezes, como bons amigos que éramos. Em nenhuma ocasião, Marta lembrou o nosso relacionamento passado ou sugeriu uma possível reconciliação amorosa.

Durante essa semana, telefonei várias vezes para Rafaela. Mas ela recusou-se sempre a atender-me. A sua mãe vinha ao telefone e, com gosto na função, vinha dizer que Rafaela não queria falar comigo.

Isso deixou-me amargurado e convenci-me que o namoro com Rafaela poderia ter chegado ao fim.

No Sábado, visitei Marta novamente.

Ao chegar, fui recebido pelos donos da casa que me encaminharam para o quarto de Marta. Quando entrei, reparei nas malas dela empilhadas no chão.

— Marco, ainda bem que vieste. — disse ela.

— Que aconteceu? — perguntei eu, estranhando as arrumações.

— Já tenho tudo tratado. E terminei o arrendamento com os donos da casa. Por isso, podemos partir quando quiseres.

A notícia alegrou-me, fazendo-me propor a partida para o dia seguinte.

— Concordo. — disse Marta. — Tenho é que arranjar um sítio para passar a noite.

— Alugas um quarto no hotel. — sugeri eu.

Marta concordou.

Eu carreguei as malas para o carro e Marta despediu-se dos seus ex-senhorios. E com o carro carregado com todas as malas, partimos para o hotel.

Minutos mais tarde, estávamos no interior do hotel. Marta deslocou-se à recepção para reservar um quarto. Porém, a funcionária pediu desculpa, mas tinham a lotação esgotada.

Eu observava o empregado do hotel a descarregar as malas, quando Marta regressou ao local onde eu estava.

— Já não têm quartos. — informou ela.

A notícia apanhou-me de surpresa, mas tomei uma decisão de imediato:

— Não te importas que partilhe o meu quarto contigo, pois não?

— Não. — confirmou ela com um sorriso.

— Então, rapaz, leve essas malas para o meu quarto. — pedi eu, temperando a mão do empregado com uma nota.

Quando subimos até ao quarto, Marta foi tomar um banho. Enquanto eu telefonei para casa, a avisar que chegaria no dia seguinte. A seguir, tentei fazer o mesmo para casa de Rafaela, mas ninguém atendeu.

Ao pousar o auscultador do telefone, apareceu Marta em roupão. Tinha acabado de sair do banho.

— Já avisei que chego amanhã. — disse eu.

Marta não se pronunciou e continuou a andar até mim, sentando-se posteriormente a meu lado. Cruzou as pernas e destapou-as até meio das coxas.

— Marco, não tens saudades do tempo em que namorávamos? — indagou ela.

— Marta, não quero falar nisso. — disse eu.

— Dava dez anos da minha vida para te voltar a ter. — afirmou ela.

Eu olhei-a com firmeza e disse:

— Eu amo a Rafaela. E é com ela que eu quero casar.

Marta desapertou o roupão e desnudou os seios, questionando:

— Não te sentes, minimamente, atraído por mim?

Eu cobri-lhe, novamente, o peito e expliquei:

— Muito! Tu atrais qualquer homem. És muito bonita. Mas eu amo a Rafaela e era incapaz de traí-la.

Marta aproximou-se, ainda, mais e sugeriu:

— E se fizéssemos amor uma última vez?

— Não, Marta. Não insistas! — recusei eu.

Marta beijou-me o rosto com amizade e disse:

— Só espero que um dia, eu encontre alguém que me ame tanto e seja tão fiel, como tu o és para com a Rafaela.

Eu sorri e desejei-lhe sorte na sua busca. Mas, interiormente, pensei se não estaria a ser burro, por não aceitar o seu amor, se estava em vias de terminar tudo com Rafaela.

À noite, ofereci a minha cama a Marta. E dormi numa cama improvisada no chão. Foi uma noite calma e sossegada.

A meio da manhã seguinte, eu e Marta, deixámos o hotel e viajámos para Lisboa. Uma viagem de três horas pelas estradas portuguesas.

Ao entrar em Lisboa, Marta pediu-me que a encaminhasse para um hotel. E eu levei-a para aquele onde Guida se hospedara quando regressou da Austrália.

Após o preenchimento do livro de registos do hotel, a bagagem foi descarregada para os seus aposentos e eu despedi-me dela, dirigindo-me a casa.

Ia com alguma pressa, pois tinha muitas saudades da minha família.

Quando cheguei a casa, os meus pais receberam-me com grande alegria, tal como a minha prima.

Extintas as saudades, larguei a mala no quarto e fui tomar um banho relaxante. Óptimo para consertar o desgaste da viagem.

Depois do jantar, voltei a telefonar a Rafaela. Mas, mais uma vez, fui informado pela sua mãe de que ela não queria falar comigo. E ainda me exigiu que não voltasse a telefonar.

Quando desliguei o telemóvel, Mónica bateu à porta e pediu para entrar.

— Entra! — disse eu.

— Podes dar-me um minuto de atenção? — interrogou ela, sentando-se na cama.

— Claro. — concordei eu.

— Tenho um assunto muito grave, a preocupar-me. E preciso de desabafar com alguém. — disse ela, quase em lágrimas.

— Que se passa, Mónica? — perguntei eu, aflito.

Mónica olhou para mim com os olhos húmidos. E num desabafo, confessou:

— Estou grávida do Cajó.

A revelação deixou-me sem fala. Mas depois de alguns segundos de recuperação, perguntei:

— E ele? Ele já sabe?

— Já! — respondeu ela, a chorar. — Sabe, mas não assume qualquer responsabilidade. Diz que eu sabia as consequências do que fazíamos.

— Pulha! Aquele Cajó é mesmo um pulha. Eu bem te avisei. — lembrei eu. — Mas, agora, também não vale a pena chorar sobre o leite derramado. É preciso tomar um decisão.

— Ele quer que eu faça um aborto. — disse Mónica.

— O quê? E tu queres fazê-lo?

— Não. — disse ela. — Mas, também, não sei o que vai ser da minha vida.

— Eu vou falar com ele. — decidi eu.

— Não... — pediu Mónica.

— Desculpa, mas ele tem que assumir as responsabilidades.

Mónica limpou as lágrimas e implorou-me que não dissesse nada aos meus pais. Eu acedi ao seu pedido e disse:

— Mónica, não foi por falta de aviso que isto aconteceu. No entanto, quero que saibas que podes contar comigo.

Mónica abraçou-me e agradeceu-me o apoio.

A seguir a ela deixar o meu quarto, telefonei a Cajó, confrontando-o com o sucedido. Porém, ele não quis saber. Afirmou que não assumia qualquer responsabilidade e desligou-me o telefone na cara.

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