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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XX

No Sábado, visitei Rafaela para ver como ela estava. Pensei em telefonar-lhe, mas queria vê-la com os meus olhos e matar as saudades que sentia.

À tarde, caminhei pela Avenida de Roma e desviei para a Avenida Estados Unidos da América até chegar ao prédio dela.

Toquei à campainha e do intercomunicador veio uma voz feminina, mas que não era a de Rafaela:

— Quem é?

— Boa tarde! É o Marco, um amigo da Rafaela. — informei eu.

— Ela saiu! — respondeu a voz com desprezo. — E não sei quando volta.

Antes que eu pudesse falar, a senhora desligou o intercomunicador.

Como Rafaela não estava em casa, decidi ir passear um pouco pela avenida e ver umas montras para fazer tempo. Caminhei até à Praça de Londres e voltei. Tempo suficiente para que ela voltasse.

Toquei novamente à campainha e a mesma voz atendeu:

— Quem é?

Voltei a dar a mesma explicação da primeira vez.

— Ela ainda não chegou. — informou a senhora.

Eu fiquei desapontado. Porém, a senhora esqueceu-se de desligar o intercomunicador e eu ouvi a voz de Rafaela, a perguntar à senhora quem é que tinha tocado. A senhora respondeu que era engano.

Para mim, ficou claro que aquela senhora estava a tentar impedir-me de ver Rafaela. Sendo assim, engendrei um plano para a ver.

Esperei um pouco e depois toquei para outro andar.

— Quem é? — perguntou uma voz masculina.

— Publicidade! — respondi eu.

A porta abriu-se e eu entrei. Voltei a esperar, como se estivesse a colocar os panfletos nas caixas, e fechei a porta da rua. Só que fiquei do lado de dentro.

Quem quer que fosse que me tivesse aberto a porta, ficou a controlar a minha presença até fechar a porta. Depois, convencido de que eu saíra, fechou a sua.

Eu subi as escadas até ao andar dela e toquei à campainha.

Do outro lado, a mesma voz de sempre perguntou:

— Quem é?

Eu, numa voz disfarçada e quase imperceptível, disse:

— É o Tiago.

A senhora abriu a porta. E, ao ver-me, ficou momentaneamente sem fala. Mas depois, disse:

— Que brincadeira vem a ser esta?

— A Rafaela? — indaguei eu.

— Já disse que não está. — repisou a senhora, enraivecida com a minha iniciativa.

— Eu sei que ela está cá. — avisei eu.

A senhora não quis ouvir mais nada e tentou fechar a porta. Porém, uma voz a impediu:

— Mãe!!!

A senhora parou o movimento e atrás de si apareceu Rafaela.

— Eu já a avisei para não impedir os meus amigos de me visitarem. — disse Rafaela, furiosa. — Veja lá se quer que eu conte à policia que foram vocês que mandaram aquele tipo agredir-me.

A senhora que eu não reconhecera, a sua mãe, afastou-se e refugiou-se na cozinha.

Rafaela, mais calma, abraçou-me e cumprimentou-me com dois beijos, convidando-me a entrar.

— Está tudo tratado. — informei eu. — Tanto na Figueira, como em Espinho.

— Ainda bem. — disse ela com visível satisfação.

— E tu, como é que estás? — inquiri eu.

— Melhor! O médico disse que posso voltar a treinar.

Eu dei dois passos e questionei:

— Dissestes aos teus pais que sabias que foi o Tiago quem mandou que te batessem?

— Disse! — confirmou ela. — E isso serve para que me deixem em paz e não me aborreçam.

As suas razões pareciam correctas e, por isso, não as questionei.

— Ouve! Quando é que partimos? — perguntei eu.

— Segunda, se puderes. — sugeriu ela.

— Tudo bem! Está combinado.

Como já era tarde, despedi-me dela e dirigi-me à porta. Mas, antes de sair, uma pergunta se tornou obrigatória:

— E depois do que aconteceu, persistes no casamento com o Tiago?

— Sim! Já te expliquei por que é que o faço. E isto não mudou nada. — confirmou Rafaela.

Sem alongar a conversa, despedi-me de Rafaela, abandonei o apartamento e desci até à rua, rumando de novo a casa.

No dia seguinte, Cajó telefonou-me a meio da manhã. Pediu-me para nos encontrarmos depois do almoço, pois precisava de falar comigo.

Desde que ele namorava a minha prima que eu não falava com ele. Não era uma atitude planeada, era apenas o deixar passar o tempo sem me preocupar em saber dele.

Porém, nessa manhã, Cajó tomara a iniciativa e eu aceitei. Combinámos encontrar-nos depois do almoço, no café do Estádio 1º de Maio.

Percorrido o caminho habitual, cheguei ao local às 15h00. Ainda não havia sinal de Cajó. Sentei-me na esplanada e pedi um café. Fiquei a observar a paisagem à minha volta, repleta de pessoas a correr ou simplesmente a andar. Era um lugar de atletas, mas também havia muita gente que fazia a sua caminhada por ali.

Minutos mais tarde, apareceu finalmente Cajó. Aproximou-se de mim e cumprimentou-me com um aperto de mão.

— Desculpa o atraso, mas o trânsito estava um sufoco. — justificou-se.

— Não faz mal! — desculpei eu, mantendo uma certa frieza nas palavras. — Então, o que é que querias falar comigo?

Cajó sentou-se, fez sinal ao empregado para trazer um café e começou:

— Queria conversar contigo sobre a Mónica.

— Sobre a Mónica? — questionei eu.

— Sim! — confirmou ele. — Desde que nós namoramos que tu me evitas e mal lhe falas a ela.

Eu não me pronunciei e Cajó prosseguiu:

— Não entendo o porquê da tua atitude. Gostas dela, é?

— Não! — neguei eu. — Estou é contra a vossa relação porque sei como tu és instável com as namoradas que tens. E eu não quero que ela se magoe.

— Marco, eu amo a nossa prima. Jamais a deixaria. — contrapôs ele. — Dá-me o benefício da dúvida e acredita em mim. ─ Eu parei um pouco para pensar e mantive-me silencioso. Cajó insistiu. — Aceita o nosso amor. E assim poderíamos voltar a ser todos amigos.

Eu olhei para ele, estendi-lhe a mão e disse:

— Tudo bem, eu aceito. Dou-te o benefício da dúvida. Só espero é que tu não me desiludas.

— Não imaginas como isso me deixa feliz. — confessou Cajó com um enorme sorriso.

Ainda ficámos algum tempo a conversar. Depois, Cajó despediu-se, tinha um compromisso com Mónica e queria passar por casa antes de a ir buscar.

Após a sua partida, também eu regressei a casa, fazendo o percurso inverso.

Por coincidência, quis o destino que encontrasse Carlinhos pelo caminho. Quando o vi, cumprimentei-o e perguntei-lhe por Madalena.

— Não sei! — respondeu ele.

— Então, ela não está a morar contigo?

— Não! — informou ele. — Há uns dias, ela apareceu lá e disse que vinha para ficar. E eu disse-lhe que não queria que ela vivesse comigo, nem queria qualquer compromisso com ela. A Madalena chamou-me um monte de nomes e eu expulsei-a do prédio. A partir daí, não sei mais nada dela.

— Essa atitude é mesmo o teu género. Andaste a aproveitar-te dela e, quando ela precisou de ti, fechaste-lhe a porta. — repreendi eu.

— Ouve uma coisa. — interrompeu Carlinhos. — Ela sabia bem qual o nosso tipo de relacionamento. Íamos para a cama fazer sexo, mas no fim, adeusinho e até à próxima. Não havia compromissos, entendes? Se eu tenho culpa do que aconteceu, ela também tem.

Em parte, ele tinha razão e eu não o contrariei. Porém, uma nova preocupação me assolava: Onde estaria Madalena?

— E ela não disse para onde ia? — indaguei eu.

— Não! Quando regressei a casa, fui à janela e vi-a apanhar um táxi. — explicou ele.

— Como ela não voltou a aparecer, calculei que estivesse contigo. — justifiquei eu. — Tu não parecias o tipo de pessoa que a aceitasse em casa (e não me enganei), mas ela tinha tanta certeza que me convenci de que estava em tua casa.

— E eu pensei que ela tivesse voltado para o marido. — afirmou ele.

Caminhámos até à Avenida do Brasil, conversando sobre outros assuntos. E quando chegámos junto à avenida, eu convidei Carlinhos a ir a minha casa.

— É melhor não! — disse ele. — Ainda encontro o Bento e isso pode dar problemas.

Ele tinha razão e eu acabei por concordar com ele. O pior foi ver Bento vir a descer a avenida. E mal viu Carlinhos, dirigiu-se a ele com alguma hostilidade.

— Ó palhaço, o que é que estás aqui a fazer? — interrogou Bento com raiva.

Carlinhos olhou para ele e disse:

— Caso não saibas, isto é público!

— Eu já te dou o público. — disse Bento, levantando a mão e enrolando os dedos com a intenção de socar Carlinhos.

Eu meti-me no meio e segurei Bento.

— Calma, Bento! O Carlinhos já se vai embora. — apaziguei eu.

Mas, Carlinhos não era pessoa para fugir a desaforos e começou a provocar Bento:

— Vai para casa esconder os cornos!

Bento, ao ouvi-lo, fugiu das minhas mãos e agrediu Carlinhos com um violento soco na cara, tendo o outro caído ao chão.

— Filho da puta! Ia-me partindo o nariz. — barafustava Carlinhos, caído no chão a sangrar do nariz.

Mais uma vez, segurei Bento e impedi-o de continuar. As agressões chamaram a atenção de alguns transeuntes que se apressaram a aproximar-se.

Enquanto eu segurava Bento, Carlinhos levantou-se e tentou responder à agressão. Valeram algumas pessoas que o seguraram e impediram a continuação do pugilato.

Eu arrastei Bento para casa e Carlinhos ficou no local. Durante o afastamento dos dois, ambos trocavam insultos em gritos enraivecidos. Foi uma cena vergonhosa.

Depois de deixar Bento em casa, regressei à minha. Nem sequer perdi tempo a reprimir os actos de Bento. Ele já era crescido para saber o que está certo e o que está errado.

Ao chegar a casa, dirigi-me ao meu quarto e comecei a arrumar as malas para partir no dia seguinte. Estava eu a tirar a mala de cima do armário, quando Mónica apareceu junto à porta.

— Marco! Posso entrar? — pediu ela.

Eu fiz um sinal afirmativo e ela aproximou-se de mim.

— O Cajó telefonou-me a contar a vossa conversa. — informou ela.

Eu não disse nada e continuei a arrumar a roupa.

Mónica continuou:

— Fico muito contente com a tua atitude. E gostava que voltássemos a ser amigos.

Eu parei as arrumações, olhei para ela e abracei-a com força, ao que ela respondeu da mesma forma. Era como se me tivesse reconciliado com a irmã que nunca tivera. Voltámos a ser amigos e todas as nossas divergências se esfumaram.

Com a ajuda de Mónica, arrumei as minhas coisas até à hora do jantar. E, após essa refeição, recolhi ao meu quarto para ir dormir, pois no dia seguinte partiria bem cedo.

Na Segunda-Feira seguinte, levantei-me da cama às 07h00. Depois dos procedimentos rotineiros da manhã, tomei um pequeno-almoço feito por mim. Só quando já estava pronto para sair, é que os meus pais se levantaram. Despedi-me deles e deixei um beijo para Mónica que permanecia na cama.

Pouco depois das 08h00, entrei no carro e parti para casa de Rafaela para a ir buscar.

O nosso primeiro jogo no torneio da Figueira da Foz só aconteceria na Quinta-Feira. Porém, nós decidimos partir mais cedo para treinarmos na praia do torneio e recuperar a forma física da minha colega de equipa.

Ao chegar ao endereço de Rafaela, apitei e esperei que ela viesse. Dois minutos depois, apareceu junto à porta do edifício. Cada vez mais bonita, Rafaela envergava uma camisola de manga curta, branca, e calções de ganga. E na mão esquerda trazia o saco de viagem.

Apesar de recuperada da lesão, Rafaela caminhou até ao carro dando mostras de um ligeiro coxear, o que me levava a crer que não se encontrava totalmente recuperada.

Eu saí do carro e esperei-a junto ao porta-bagagens. Rafaela aproximou-se do carro e beijou-me duplamente o rosto.

— Como estás? — questionei eu.

Rafaela apontou para o joelho e disse:

— Esta noite ressenti-me do joelho. Só espero é que não piore.

Eu sorri para a descansar, peguei no seu saco e coloquei-o ao lado da minha mala, no interior do porta-bagagens.

Depois de entrarmos no carro, arranquei e seguimos viagem.

Passámos a portagem de Sacavém às 08h35 e continuámos pela A1 até Coimbra. Cerca de duzentos quilómetros de calor, pinheiros e desolação.

Às 10h05, chegámos ao desvio para a Figueira da Foz. Mais vinte cinco minutos e estávamos junto ao hotel.

— Cá está o hotel que combinámos. — disse eu, apontando para o edifício.

— Maravilha! Assim, estamos perto da praia e podemos aproveitar mais o tempo para treinar. — afirmou ela.

No entanto, ao ver o hotel, lembrei-me do encontro com Marta e pensei no nosso novo relacionamento. E lembrei-me, igualmente, de que Rafaela nada sabia e que, mais tarde ou mais cedo, todos nos reencontraríamos. Não sabia se seria capaz de esconder o namoro com Marta aos olhos de Rafaela. Mas, também não tinha coragem para lhe contar isso.

Estacionei o carro no parque do hotel e retirei a bagagem. Peguei em ambos e transportei-os até à recepção. Depois de confirmadas as reservas e feita a indicação dos quartos, um dos empregados do hotel carregou a bagagem para o terceiro andar, onde ficavam os nossos aposentos.

Chegado ao quarto, o empregado deixou a bagagem e eu retribuí o serviço com uma gorjeta.

O quarto de Rafaela ficava ao lado do meu. Entre eles havia uma porta de ligação, donde eu retirei a chave e a entreguei a Rafaela para que se sentisse mais à vontade.

À tarde, Rafaela e eu caminhámos um pouco pela praia. Um exercício de recuperação do seu lindo joelho. Uma caminhada bem longa pela beira-mar.

Depois do jantar, estávamos tão cansados que recolhemos aos nossos quartos bem cedo. Despedi-me dela, junto à sua porta e desejei-lhe uma boa noite.

Quando me deitei na cama, fiquei a observar a parede que nos separava e pensava que do lado de lá estava a mulher que eu amava. Mas, ao pensar no amor, veio-me à ideia o namoro com Marta e no compromisso que assumira.

Isto pode parecer confuso, mas aquilo que sentia por Marta era uma atracção fisica que na altura me levou a acreditar que era amor. Enquanto que, em relação a Rafaela era amor na sua forma mais pura e bela. O namoro com Marta poderia tornar-se numa frustração por não ser com a pessoa desejada... Não tive tempo para mais divagações, pois o sono apoderou-se de mim.

No dia seguinte, Rafaela e eu tomámos o pequeno almoço juntos.

— Vamos começar a treinar? — perguntei eu.

— O médico disse-me para começar com corridas. — explicou ela. — Só depois, é que devo treinar jogadas.

— Tudo bem! Então vamos começar a correr junto ao mar. E já! — sugeri eu.

Rafaela sorriu e aceitou a proposta.

Durante a manhã, corremos pela praia e fizemos exercícios físicos no areal. Rafaela parecia aguentar bem o ritmo do treino.

À tarde, dirigimo-nos ao estádio e estivemos a assistir aos jogos do qualifying.

Este estádio era melhor que os anteriores. Ligeiramente maior e com as bancadas cobertas por cadeiras que permitiam um maior conforto aos espectadores. Mas, mesmo assim, não havia muita gente a assistir aos jogos de qualificação.

Nessa noite, chegavam ao hotel Marta e Quim que nos procuraram logo depois de deixarem as malas nos seus quartos.

Rafaela e eu estávamos no bar do hotel e não demos pela sua chegada, tendo acabado por ser surpreendidos pela sua presença.

Quim vinha à frente, cumprimentou Rafaela com um beijo e apertou-me a mão. Marta, logo a seguir, cumprimentou Rafaela com um beijo.

Cheguei a temer que Marta se tivesse esquecido do meu pedido e me beijasse enamoradamente, mesmo na frente de Rafaela. Porém, Marta cumprimentou-me como combináramos, dando-me um beijo na face.

No entanto, Rafaela ficou desconfiada com a maneira como as nossas mãos se tocaram. Marta colocou as suas nas minhas pernas e eu pus as minhas nas suas costas. Uma atitude irreflectida que quase nos denunciou.

Ficámos sentados numa mesa, a conversar, durante algum tempo até recolhermos aos nossos quartos.

Seguimos no elevador até ao terceiro andar, onde eu e Rafaela saímos.

— Vocês seguem? — perguntei eu.

— Sim! Os nossos quartos são no andar de cima. — informou-me Marta, cumplicemente.

A porta do elevador fechou-se e nós separámo-nos.

Quando me preparava para me despedir de Rafaela, ela perguntou-me:

— Existe alguma coisa entre ti e a Marta?

Senti um arrepio na espinha.

— Tal como? — respondi eu, como se não fizesse a mínima ideia do que ela estava a falar.

— Não sei. Vocês pareciam tão íntimos. — justificou Rafaela.

Eu dei uma gargalhada, como se tudo não passasse de um disparate, e disse:

— És muito imaginativa.

O diálogo ficou por ali e ambos recolhemos aos nossos quartos.

O dia seguinte foi uma cópia do anterior. Dividiu-se no treino matinal e observação de jogos da parte da tarde.

Antes do jantar, no regresso ao hotel, eu segui para o meu quarto. E Rafaela foi até à papelaria do hotel para comprar uma revista.

Quando cheguei à porta do meu quarto, apareceu Marta.

— Olá, amor. Não imaginas as saudades que sinto de ti. — disse ela, abraçando-me.

— Espera! — pedi eu, afastando-a ligeiramente. — Alguém pode ver.

— Não está aqui ninguém. — constatou ela. — Dá-me um beijo!

Eu acedi ao seu desejo e beijei-a rapidamente nos lábios, antes que alguém aparecesse. Principalmente, antes que Rafaela regressasse.

Marta retirou uma chave do bolso e disse:

— Toma! É a chave do meu quarto. Vai lá ter, logo à noite. Quero fazer amor contigo!

Nesse momento, a porta do elevador abriu e, do seu interior, saiu Rafaela.

Marta e eu disfarçámos a conversa, enquanto Rafaela se aproximava.

— Bem, vou andando. — disse Marta, despedindo-se de mim e de Rafaela com um gesto simples.

Marta entrou no elevador e seguiu para o seu andar.

Rafaela olhou para mim com um ar desconfiado, mas não me questionou.

— Estávamos a falar sobre o torneio. — informei eu, sem obter grande interesse por parte de Rafaela.

Nessa noite, pouco antes da meia-noite, saí do meu quarto muito silenciosamente e dirigi-me ao andar de cima pelas escadas para não fazer barulho. Entrei no corredor do quarto andar e procurei a porta do quarto de Marta. Quando a encontrei, meti a chave na fechadura e abri a porta, entrando seguidamente.

O interior estava escuro e receei que ela tivesse adormecido. No entanto, uma luz se acendeu e eu pude ver Marta envergando uma lingerie vermelha, deitada na cama, a segurar o interruptor do candeeiro que acabara de acender.

Eu aproximei-me da cama e sentei-me a seu lado, acariciando-lhe a pele da perna.

Marta ajoelhou-se na cama, abraçou-me por trás e começou a beijar-me o pescoço. Depois, as suas mãos desceram até à minha cintura e entraram nas minhas calças.

Eu puxei-a para o meu colo e deitei-a nos meus braços, enquanto a beijava apaixonadamente.

Marta ajoelhou-se sobre as minhas pernas e empurrou-me para trás, deitando-me na cama. A seguir, começou a despir-me as calças e a camisa. Quando me deixou em cuecas, levou as mãos atrás das costas e desapertou o soutien, despindo-o seguidamente.

Eu acariciei-lhe os seios e puxei-a para mim, deitando-a sobre o meu corpo excitado. Beijando-a sucessivamente, rolei com ela sobre a cama e fiquei por cima. Despi-me completamente e comecei a beijar-lhe as coxas, até chegar ao que restava da lingerie. Afastei o tecido e continuei a beijar.

Marta esfregava-me o cabelo e gemia suavemente. Depois, pediu-me para fazer uma pausa, levantou-se e deitou-me na cama. Ajoelhou-se sobre a minha cabeça e debruçou-se na minha cintura. Enquanto a continuava a beijar no mesmo sítio, senti-a a fazer o mesmo, mais abaixo.

Muito excitados, Marta deitou-se na cama e eu coloquei-me entre as suas pernas. As molas do colchão chiaram ruidosamente a cada compasso dos nossos movimentos.

Quando nos satisfizemos, eu desprendi-me dela e fiquei a acariciá-la com a mão, na zona que tanto prazer me dera. Tocava suavemente e Marta respondia às carícias com ternos gemidos de prazer. Os meus dedos foram escorregando para baixo até chegar ao outro lado. Continuei os toques suaves e introduzi, levemente, a ponta de um dos dedos.

Marta, percebendo qual a minha intenção, ajoelhou-se de costas para mim e colocou os cotovelos apoiados no colchão.

Eu comecei a beijar a zona desejada e, depois, repeti as acções anteriores.

Foi uma noite maravilhosa, recheada de prazer e paixão.

Quando deixei o quarto de Marta, o meu relógio marcava 02h00. Regressei ao meu, sem fazer o menor ruído. Ninguém desconfiou do que acontecera.

Na tarde seguinte, Rafaela e eu começámos a nossa participação no torneio. O jogo não teve muitos pontos de interesse, tendo nós ganho por quinze a dois e quinze a um. Foi uma partida fácil.

Havia muita gente a assistir ao nosso jogo. Rafaela disse-me que já estávamos a criar fama no mundo do voleibol de praia.

Após o nosso jogo, foi a vez de Quim e Marta jogarem. Tiveram um jogo menos fácil, mas também ganharam sem grandes problemas. Uma vitória por quinze a quatro e quinze a seis.

No regresso ao hotel, todos vínhamos visivelmente satisfeitos. Quim e Marta subiram até aos seus quartos para mudarem de roupa. Rafaela fez o mesmo. Mas, eu preferi ficar um pouco na piscina do hotel.

Deitei-me numa das cadeiras que estavam junto à água e fiquei a desfrutar do pôr-do-sol. Dez minutos mais tarde, tinha a companhia de Marta e Quim.

Perto das 20h00, levantei-me da cadeira e disse:

— Bom, vou tomar um banho. Vemo-nos no jantar?

— Combinado! — concordou Quim.

— Eu vou contigo. — avisou Marta. — Tenho que ir ao quarto.

Tratava-se de uma desculpa para me acompanhar.

Dirigimo-nos ao elevador e subimos até ao terceiro andar.

No interior do elevador, Marta afastou a parte superior do biquini e disse:

— Já fizeste amor num elevador?

— Marta, pára com isso que alguém pode ver. — pedi eu, escondendo-a atrás de mim.

Marta voltou a cobrir os seios com o biquini e confessou:

— Este secretismo do nosso namoro, excita-me. Huummm...

Eu sorri e beijei-a com paixão.

Nesse momento, o elevador chegou ao terceiro andar e a porta abriu. Em frente a nós, ficou Rafaela que esperava o elevador.

Ao ver aquela cena, Rafaela ficou pálida e voltou calmamente para o seu quarto, de forma a esconder a amargura que aquilo lhe provocara.

Eu saí do elevador e chamei-a. Mas, Rafaela não me ligou e continuou.

Marta ficou no elevador e seguiu para o seu andar.

Rafaela entrou no quarto e trancou a porta.

— Rafaela! Deixa-me entrar. Precisamos de conversar. — pedia eu, enquanto batia na porta.

Rafaela não respondeu e eu acabei por desistir, regressando ao meu quarto.

Depois de tomar banho, voltei a chamar Rafaela, batendo na porta que ligava os nossos quartos. Ela não respondeu e sentei-me na cama, ficando a ler o jornal. Subitamente, a porta de ligação entre os dois quartos abriu-se e Rafaela apareceu.

— Por que é que não me contaste? — interrogou ela.

— O quê?

— Não te faças de parvo, Marco. Tu sabes do que eu estou a falar. — afirmou ela.

Eu levantei-me da cama e estendi-lhe a mão para que ela se aproximasse.

Rafaela entrou, mas evitou aproximar-se de mim e muito menos da minha mão.

— Podias ter-me dito que vocês namoravam. — disse ela.

Eu voltei a sentar-me e justifiquei:

— Não disse porque sabia que tu ficarias assim.

— Assim como? — interrogou Rafaela com raiva.

— Estás a ver? Furiosa. — acrescentei eu. — E, ao saberes, ias recriminar-me duplamente, se eu falhasse alguma jogada quando jogássemos contra eles. Rafaela! Eu ia contar-te. Mas, só no fim do campeonato.

— E fazia figura de parva todo esse tempo? Era? — contrapôs ela.

Eu levantei-me novamente e, elevando o tom de voz, interroguei:

— Também não entendo o porquê de estares tão chateada.

Rafaela olhou para mim com ódio. Um ódio por eu ser tão insensível em relação aos seus sentimentos. Mas eu não era assim tão burro. Eu sabia que o seu aborrecimento se devia ao seu amor por mim. No entanto, eu queria que ela o dissesse, queria que ela o confessasse, ali, à minha frente.

Quase a deixar escapar uma lágrima, Rafaela disse:

— Estúpido! És tão burro que não percebes nada.

E correu, de volta, para o seu quarto. Não me dando hipóteses de argumentar.

Estávamos a ser ambos casmurros. Ela porque não confessava o que sentia e eu porque queria fazer crer que já não a amava. Se ao menos ela terminasse o noivado com Tiago...

Devido a isto, o jantar com Quim e Marta ficou sem efeito. Rafaela não voltou a sair do quarto até ao dia seguinte. E eu jantei mais tarde, no próprio quarto.

A meio da noite, liguei para o quarto de Marta e disse-lhe que não iria ter com ela naquela noite.

Marta não gostou e perguntou-me se eu namorava com Rafaela e a traía com ela.

— Não, não é nada disso. — disse eu. — Ela só não gostou que eu tivesse escondido isto dela.

— Então porque é que não vens cá? — interrogou ela.

— Bem... É melhor não. — disse eu. — As pessoas podem desconfiar.

— Isso são desculpas. Tu estás a enganar-me. — suspeitou ela, aborrecida com a minha recusa.

— Pronto! Eu vou aí para conversarmos melhor. — sugeri eu.

Desliguei o telefone e saí do quarto, fazendo o mesmo percurso da noite anterior. Uma vez no quarto, Marta e eu fizemos tudo menos conversar.

Foi uma noite tão boa que nem regressei ao meu quarto, tendo adormecido na cama de Marta, depois de várias sessões em duetos.

A relação amorosa com Marta ia às mil maravilhas.

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