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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO XVIII

A semana que passou não trouxe nada de especial. Rafaela e eu treinávamos diariamente e com grande empenho.

No dia 1 de Agosto, começou o torneio de Carcavelos. Devido à boa participação na Caparica, Rafaela e eu ficámos isentos do qualifying e aproveitámos esse dia para mais um treino.

No entanto, o segundo dia do qualifying contou com a nossa presença nas bancadas. Era importante observar os possíveis adversários da primeira ronda do quadro principal.

O estádio era semelhante ao da Costa da Caparica. Até parecia que o tinham lá ido buscar. As bancadas continuavam a ser uma escadaria de ferro e madeira.

O dia estava muito quente. A entrada do mês de Agosto aumentava as horas de calor durante o dia. E isso teria consequências no comportamento das duplas. No fim do qualifying, foi feito o sorteio do quadro principal. Rafaela trouxe da organização uma folha com a indicação dos jogos e o respectivo horário.

Seguiu-se o dia em que entrávamos em competição. O nosso jogo estava marcado para antes do meio-dia. Logo pela manhã, cerca das 09h30, saí de casa. Estava calor, mas a brisa que se sentia, deixava antever a possibilidade da presença no torneio de um dos maiores inimigos dos voleibolistas, o vento.

Após ir buscar Rafaela, seguimos rumo a Carcavelos. E quando chegámos, as minhas suspeitas foram confirmadas, estava de facto muito vento no local.

— Isto não nos vai ajudar. — disse Rafaela, sentindo o vento forte a bater no rosto.

— Já estava à espera. — informei eu. — Quando saí de casa, vi logo que isto ia acontecer.

— Quando escolheres o campo, deves ter isto em atenção. — avisou ela.

Eu acenei, afirmativamente, com a cabeça e disse:

— Eu sei! Mas com as mudanças de campo, isto vai ser prejudicial para todos.

Ainda havia um jogo antes do nosso, por isso, fomos para a bancada assistir. Quem visse o jogo, podia confirmar aquilo que eu disse. O vento forte afectava o desenvolvimento das jogadas e implicava grandes desentendimentos nas movimentações das duplas.

Os vencedores e os vencidos terminaram o jogo mais cansados com o vento, do que com o próprio jogo.

Chegou a nossa vez de jogar. Depois de nos equiparmos, fomos para o areal dar início à preparação.

Rafaela ia dando algumas indicações, relativamente ao vento e à sua direcção:

— Quando servires, tem em atenção a direcção e força do vento. É importante que saibamos jogar com ele e aproveitá-lo. Se estiver a favor, serve com pouca força para que não ultrapasse a linha de fundo. Se estiver contra, aplica a força necessária para que ultrapasse a rede. Mas, nunca te esqueças de dosear a tua força consoante a do vento.

— Então e se o vento estiver de lado? — perguntei eu, brincando.

Rafaela olhou para mim, muito séria, e disse:

— Não brinques que isso é possível. Nesse caso, atiras a bola ligeiramente inclinada contra o vento para que ele a empurre para o campo. Se ele soprar da tua direita, atiras a bola descaída para a direita para que ele a empurre para a tua esquerda, entendido? Se num caso destes atirares para a esquerda, a bola cai fora.

Com uma explicação tão detalhada, era impossível falhar.

O jogo começou com Rafaela a servir a favor do vento. Como não acertou à primeira com a força indicada, a bola perdeu-se para lá da linha de fundo.

No entanto, os nossos adversários ainda pareciam mais complicados com o vento e não acertavam uma bola com perfeição.

Rafaela e eu fomo-nos ambientando ao vento e vencemos o jogo por quinze a três e quinze a dois.

Após a realização do jogo, o torneio foi interrompido para o almoço e, também, para ver se o vento abrandava, o que não veio a acontecer.

Assim, a tarde, com a ajuda do vento, trouxe a grande surpresa do torneio. Quim e Marta perderam o seu jogo e foram eliminados. No fim, nós procurámo-los, mas já não os vimos, pois eles foram-se logo embora. Foi pena, uma vez que nós queríamos dar-lhes uma palavra de conforto.

A sua derrota era vantajosa para nós. Se ganhássemos mais jogos, poderíamos ultrapassá-los na classificação geral e aumentar a diferença pontual.

Foi com esta ideia que começámos a jogar, na manhã seguinte, o jogo dos oitavos de final e onde obtivemos mais uma vitória. Ao fim da tarde, mais um jogo, o dos quartos de final, e consequente vitória. Jogámos perante uma enchente de gente no estádio. O aproximar dos jogos decisivos atraía muita gente.

O apuramento para as meias-finais permitiu-nos passar para o comando do campeonato e amealhar pontos de vantagem para a concorrência directa.

Rafaela e eu nem queriamos acreditar no nosso sucesso. Estar no comando do campeonato era um sonho que começava a tomar contornos reais.

Na viagem de regresso a Lisboa, ambos comentámos o assunto.

— Amanhã temos a hipótese de nos qualificarmos pela primeira vez para uma final. — concluiu Rafaela com um ar sorridente.

— Se ganhássemos o torneio, ficávamos com uma boa vantagem sobre o segundo classificado. — afirmei eu.

Rafaela, mais séria, avisou:

— Não podemos deixar o sucesso subir-nos à cabeça.

Quando parei junto à porta de Rafaela, ela deu-me dois beijos e saiu do carro. A seguir, debruçou-se sobre a porta do carro e disse:

— Eu amanhã telefono-te a dizer a hora para me vires buscar.

Subitamente, enquanto ela falava, um desconhecido passou por ela e agrediu-a no joelho direito com um bastão e pôs-se em fuga, correndo pela avenida abaixo.

Eu, mal o vi com o bastão, ainda gritei "cuidado". Mas de nada valeu, pois ela não teve tempo para reagir.

Rafaela ficou caída no chão, a gritar com dores.

Eu saí do carro com o objectivo de perseguir o indivíduo, só que os gritos de Rafaela e o seu estado concentraram a minha atenção.

Quando me aproximei dela, Rafaela chorava e gritava, enquanto as suas mãos comprimiam o joelho vitimado.

Do outro lado da avenida, Liliana veio à janela alarmada com os gritos. Donde estava, ela via claramente quem ali se encontrava.

— Rafaela! — chamou Liliana.

Perante o desespero dela, eu é respondi:

— Chama uma ambulância.

As pessoas começaram a juntar-se à nossa volta. Todos sabemos como o povo português é solidário nestas alturas. Houve quem se dispusesse a transportá-la ao hospital, a chamar uma ambulância, etc... Todos muito prestáveis.

Uma senhora perguntou-me o que se passara e eu contei-lhe, enquanto amparava o tronco de Rafaela nas minhas pernas.

Rafaela chorava não só com as dores, mas também por saber que poderia ter uma lesão que a impedisse de voltar a jogar.

Cinco minutos mais tarde, apareceu Liliana que se apressou a auxiliar Rafaela.

— A ambulância já vem a caminho. — informou ela. — Tem calma, Rafaela.

— Sim! Tem calma! Isso não deve ser grave. — disse eu.

As minhas palavras não estavam em sintonia com o meu pensamento. Eu suspeitava que a perna de Rafaela estivesse partida. E se assim fosse, a nossa participação no volei de praia daquela ano, tinha acabado.

Liliana limpava as lágrimas de Rafaela e perguntou:

— Os teus pais estão em casa?

— Não sei. — disse ela, por entre o sofrimento.

— Eu vou lá ver. — disse Liliana.

Liliana foi até à campainha do prédio e tocou várias vezes. Porém, ninguém atendeu. A jovem também não insistiu, pois a ambulância acabara de chegar.

Ao mesmo tempo que os enfermeiros colocavam Rafaela na ambulância, eu tranquei o carro e disse a Liliana:

— Fica aqui e avisa os pais dela quando vierem. Eu acompanho-a ao hospital.

Liliana concordou e eu entrei para a ambulância. E esta partiu com urgência para o hospital. Durante o trajecto, Rafaela chorou compulsivamente e pediu-me para lhe segurar a mão.

— Não me abandones. — implorava ela.

— Calma! Eu não te largo. — acalmei-a eu.

Quando chegámos ao hospital, os enfermeiros retiraram a maca com Rafaela e levaram-na para observação. Um dos enfermeiros pediu-me que esperasse, pois não poderia passar aquela porta.

— Um médico virá ter consigo e dir-lhe-á o que se passa. — disse o enfermeiro.

Eu fiquei na sala de espera, mais de meia hora, até que o médico aparecesse e trouxesse notícias.

— É o senhor que veio com a senhora Rafaela Pereira? — indagou o médico.

— Sim! — respondi eu, receando o diagnóstico.

O médico fez o seu relatório:

— Não é nada de grave! Ela sofreu uma pancada forte no joelho, o que lhe provocou um hematoma. Numa semana estará recuperada.

— Só numa semana? — questionei eu. — Nós jogamos volei. E temos um jogo amanhã.

— Tenho muita pena, mas ela não poderá voltar a jogar antes desta altura. — confirmou o médico. — E só deixará o hospital na Segunda-Feira para que tenhamos a certeza de que não é mais grave.

Mal acabou a explicação, entraram os pais de Rafaela, acompanhados por Tiago. Eu afastei-me e fui ver Rafaela. O médico ficou a dar-lhes a mesma explicação.

No quarto, Rafaela estava com a perna destapada e o joelho ligado. E ainda tinha indícios de lágrimas no rosto.

— Como te sentes? — perguntei eu.

— Mal! — disse ela com a voz trémula. — O médico diz que só daqui a uma semana é que posso voltar a jogar.

— Não penses nisso. Nos outros torneios recuperamos estes pontos. — disse eu, tentando animá-la.

Rafaela permaneceu triste e chorosa. E eu passei a outro assunto:

— Vou à policia apresentar queixa.

— Fazes ideia de quem terá sido? — perguntou Rafaela.

— Quem o fez, fê-lo a mando de alguém. Alguém que sabia que nós os reconhecemos se os virmos. — disse eu.

— E suspeitas de alguém? — indagou ela.

— Só havia duas pessoas que beneficiavam com a nossa desistência: O Quim e a Marta. — sugeri eu.

— Também acho. — concordou ela.

Os pais de Rafaela entraram no quarto, juntamente com Tiago. Eu despedi-me dela e disse:

— Vou tratar daquele assunto.

Saí do quarto, cumprimentando ligeiramente os recém chegados, e abandonei o hospital, dirigindo-me à esquadra da policia.

Já pela noite dentro, prestei depoimento na esquadra, mas não indiquei quais as minhas suspeitas, uma vez que sem provas seria pura difamação.

A partir daquela altura, a investigação seria da policia e eles encontrariam o culpado e os mandantes do crime.

No Sábado, pela manhã, visitei Rafaela no hospital. Mónica acompanhou-me, uma vez que também ela estava preocupada com a minha parceira de jogo. No hospital, pedimos a uma enfermeira para visitarmos Rafaela e a senhora acedeu ao nosso pedido, encaminhando-nos para o quarto dela.

— Então, Rafaela, como te sentes? — interroguei eu, entrando no quarto.

— Melhor. — respondeu ela.

— Olá, Rafaela! — cumprimentou Mónica.

Rafaela retribuiu o cumprimento e, olhando para mim, perguntou:

— Marco! E o torneio?

— Não penses nisso. — aconselhei eu. — O importante é que recuperes para o próximo.

Estas palavras não retiraram o semblante triste dela.

Eu pedi a Mónica que lhe fizesse companhia, enquanto eu ia a Carcavelos falar com a organização do torneio.

Mónica acedeu de bom agrado. E eu saí do quarto, deixando ambas a conversar.

Meia hora mais tarde, estava no estádio de volei.

Desloquei-me ao gabinete da organização e contei o sucedido, tornando claro que não havia outra hipótese senão desistir.

O director do torneio comunicou-me que não seria repescada qualquer dupla para as meias-finais. E assim Rafaela e eu ficávamos com o quarto lugar no torneio, o pior das meias-finais.

Passaram-se mais quarenta e cinco minutos, até eu regressar ao hospital e contar a novidade a Rafaela. A notícia não a encheu de felicidade, mas, pelo menos, aliviou o seu rosto deprimido.

Após alguns minutos de conversa, Mónica e eu despedimo-nos de Rafaela e regressámos a casa. A seguir ao almoço, eu regressei ao hospital.

Nessa tarde, enquanto eu conversava com Rafaela, uma enfermeira entrou e comunicou:

— Está lá fora um casal que a veio visitar.

— Eles que entrem. — disse Rafaela.

A enfermeira fez sinal aos visitantes e estes entraram. Tratava-se de Quim e Marta.

Ao vê-los, não me contive e interroguei:

— O que é que vocês querem? Vêm ver se o serviço foi bem feito?

— Não entendo! — exclamou Quim.

Rafaela não dizia nada. Mas eu despejava toda a minha raiva nas palavras e não escondia as minhas suspeitas.

— Foram vocês que mandaram o tipo agredi-la! — afirmei eu, fazendo das minhas suspeitas, um facto comprovado.

— O quê? — interrogou Marta.

— Por certo, não estás a insinuar que fomos nós os culpados pelo que se passou? — questionou Quim.

— Estou, estou. — insisti eu. — Quem mais lucraria com a nossa desistência.

Quim irritado, disse:

— Eu não admito esse tipo de acusações. Tens provas daquilo que afirmas?

— Não, nem preciso. — disse eu, confiante no meu raciocínio.

Quim ficou furioso e preparava-se para responder às acusações com palavras fortes e a bom som. Porém, foi impedido por Marta.

— Anda Quim, vamos embora. — sugeriu ela. — Nada que possamos dizer, irá alterar a sua maneira de pensar.

Muito ofendidos com as acusações, Quim e Marta abandonaram o quarto do hospital. No entanto, antes de o fazer, Quim ainda disse:

— Marco, quando um dia descobrires a verdade, vais ver o quanto foste injusto.

E ele tinha razão, eu viria a descobrir a verdade e mais depressa do que alguém poderia esperar.

Pouco depois, chegava ao quarto Tiago e os pais de Rafaela. Como não eram pessoas com as quais simpatizasse, saí por alguns minutos e fui tomar um café.

Quando regressei, fui surpreendido por Tiago a conversar com o pai de Rafaela. A mãe estava no quarto, junto da filha.

Escondido atrás da porta do corredor, fiquei a ouvir aquele diálogo suspeito.

— ...era a melhor solução. — dizia Tiago.

— Mas, mesmo assim, não devia ter consentido que o fizesses. — contrapôs o pai dela.

— Não se preocupe. — continuava Tiago. — O tipo é de confiança e não dirá nada. Nem nunca mais aparecerá por ali.

— Dói-me ver a Rafaela numa cama de hospital. — confessava o pai.

— Aquilo não é nada. E assim, com um pouco de sorte, ela não volta a jogar e larga de vez aquele tipo, esse tal de Marco. — afirmou Tiago com um riso de sucesso.

— Isso também me deixa satisfeito, mas continuo a achar que contratares um indivíduo para bater na Rafaela, foi demasiado violento. — disse o pai com problemas de consciência.

Ao ouvir aquelas palavras, fiquei perplexo. O mandante da agressão a Rafaela fora o próprio noivo, o Tiago. Por ciúmes, contratara um indivíduo para acabar com o sonho de Rafaela.

Para além disso, a minha consciência também pesava, por ter sido tão injusto com Quim e Marta.

Tive vontade de sair do meu esconderijo e descarregar a minha raiva sobre Tiago. Porém, contive-me, pois o correcto era informar Rafaela do sucedido e tomar uma decisão de acordo com ela.

Para que não desconfiassem que estava a escutá-los, voltei para trás, esperei uns instantes e dirigi-me ao local onde se encontravam.

Ao passar por eles, ambos me fitaram com desprezo. Entrei no quarto e pedi a Rafaela para falar com ela em particular.

— A minha filha não tem segredos para a família. — disse a mãe, emproada.

— Mãe! Deixe-me falar a sós com o Marco. — pediu Rafaela.

A senhora olhou-me com raiva e saiu, barafustando em voz baixa.

Depois de ficarmos sozinhos, contei a Rafaela o que ouvira inadvertidamente. Ela ficou chocada e não conteve as lágrimas ao tomar consciência da falta de amor dos seus pais. Eu abracei-a e reconfortei-a.

— Faz-me um favor. — pediu ela. — Desiste da queixa na policia. Eu mesma irei tratar deste assunto.

Eu acedi ao seu pedido e nesse mesmo dia desloquei-me à esquadra e desisti da queixa, argumentando uma desculpa qualquer e afirmando que não havia necessidade de prolongar a questão.

Não sei qual foi a atitude de Rafaela para com os pais e o noivo, uma vez que ela preferiu guardar esse facto para si.

Apesar do assunto estar aparentemente resolvido, ainda faltava um pedido de desculpas aos injustamente acusados. Por isso, nessa noite telefonei para o hotel, onde algumas duplas estavam hospedadas, e pedi para falar com Quim.

Mesmo continuando ofendido, Quim não se recusou a atender-me, dando-me assim hipótese para me retratar.

— Que queres? — perguntou Quim, friamente.

— Devo a ti e à Marta, um pedido de desculpa. — comecei eu. — Fui muito injusto ao acusar-vos sem ter provas. E o resultado foi descobrir um culpado diferente do que aquele que pensava.

Quim modificou o tom de voz e disse:

— Não tem importância! Todos nós erramos. Tanto eu como a Marta vamos esquecer o sucedido.

— Obrigado. — agradeci eu. E depois disse. — Ouve! Venham visitar a Rafaela. Ela também se sente um pouco culpada.

— Está bem! Amanhã vamos vê-la.

Eram duas pessoas sensacionais, o Quim e a Marta. Nem todos teriam perdoado a minha atitude. Mas é nestas alturas que se vê o tamanho do coração das pessoas.

Como prometido, no dia seguinte, ambos visitaram Rafaela. Quando me viram, foi como se nada tivesse acontecido. Cumprimentaram-me com grande alegria e com a simpatia de sempre.

No entanto, eu insisti no pedido de desculpas a ambos, aproveitando o facto de estar na sua presença.

— Esquece isso! — disse Quim. — Já nem me lembro do que aconteceu.

— Nem eu. — afirmou Marta, cumplicemente.

— Obrigado! — voltei eu a agradecer. — Vocês são mesmo uns bons amigos.

Não duvidem que este incidente solidificou muito a nossa amizade, o que nos tornou maiores amigos daí em diante.

Na véspera da minha partida para Aveiro, fui buscar Rafaela ao hospital, a seu pedido. Ela não quis que os pais a fossem buscar.

Durante o trajecto até sua casa, equacionei a hipótese de adiar a minha ida a Aveiro, mas Rafaela demoveu-me dessa ideia.

— Não te prendas por minha causa. — aconselhou ela. — Vai e trata da nossa estadia na Figueira da Foz e em Espinho. Eu fico a recuperar-me. Quando voltares, vou estar pronta para regressar à competição.

Eu sorri com a sua forte moralização e despedi-me dela com um beijo, após a deixar perto de casa.

— Não queres subir? — convidou ela.

— É melhor não.

Rafaela compreendeu as minhas palavras e despediu-se de mim sem insistir.

Enquanto se dirigia para a porta do seu prédio, Rafaela coxeava amparada na muleta que segurava na mão direita.

Assim que a porta do prédio se fechou, eu arranquei de regresso a casa.

O dia foi preenchido com as arrumações de quem parte em viagem e com uma visita ao senhor Casimiro para receber o resto do patrocínio.

O senhor Casimiro estava muito contente com a nossa publicidade e feliz pelo sucesso que nós estávamos a ter. Chegou mesmo a contar que teve um cliente que lhe disse que vira o nome da casa no torneio.

Depois de entregue o cheque, despedi-me do senhor Casimiro e voltei a casa.

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