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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO IX

A noite estava muito bonita com uma temperatura amena. A Doca de Alcântara estava cheia de jovens e menos jovens, como sempre.

Eu e Mónica chegámos lá às 23h00. Deixei o carro perto da esquadra da policia e seguimos a pé para a Doca. Caminhámos alguns metros até alcançarmos o café à entrada daquele aglomerado de bares e discotecas.

Junto às mesas da esplanada do café estavam Cajó, Carlinhos e Humberto que nos esperavam.

— Então, o Bento e a Madalena não vieram? — perguntou Cajó.

— Não! — respondi eu. — Estavam muito cansados.

— Por onde é que querem começar? — indagou Cajó.

— Começamos por aqui. — sugeri eu, apontando para a esplanada.

Todos concordaram.

Sendo assim, sentámo-nos numa das poucas mesas vagas.

Mal nos acomodámos nas cadeiras, já um empregado se aproximava de nós para nos servir.

Eu pedi um whisky com gelo, Mónica quis um martini rousso, Cajó solicitou um vodka puro, Carlinhos tomou um vodka com rum e Humberto bebeu uma cerveja.

Ficámos a conversar sobre futilidades durante quase uma hora.

Perto da meia-noite, deixámos o café e procurámos uma discoteca. Carlinhos sugeriu uma delas:

— Vamos ali àquela que eu conheço o porteiro.

— Conheces o segurança? — perguntou Cajó.

— Conheço! — confirmou Carlinhos. — É meu vizinho.

Carlinhos dirigiu-se a ele e cumprimentou-o. Nós ficámos a ver, afastados. O outro parecia conhecê-lo e sorriu ao vê-lo. Após uma breve troca de palavras, o indivíduo acenou afirmativamente com a cabeça e Carlinhos fez-nos sinal para entrarmos.

Uma vez dentro do bar, conseguimos afortunadamente encontrar uma mesa vaga. Sentámo-nos e, novamente, um empregado veio perguntar-nos se nós queriamos beber alguma coisa.

Eu, como já tinha bebido, limitei-me a pedir um café. Mónica não quis nada e Humberto bebeu outra cerveja. Cajó e Carlinhos é que estavam mais virados para bebidas fortes. Cajó tomou outro vodka, enquanto Carlinhos pediu uma garrafa de whisky. O seu pedido surpreendeu os restantes.

Eu ainda tentei demovê-lo. Mas, o som da música era tão alto que mal nos ouvíamos.

Depois de beber o café, convidei Mónica para dançar, o que ela aceitou de imediato. Levantámo-nos da mesa e fomos para a pista de dança.

Os outros três ficaram na mesa. Humberto e Cajó observavam as pessoas a dançar. Porém, Carlinhos continuava a beber.

Durante alguns minutos, Mónica e eu dançámos até sermos interrompidos por Carlinhos.

— Posso dançar com ela? — gritou ele, para se fazer ouvir naquele som estridente.

Eu reparei que ele já estava alterado, para não dizer bêbado, e hesitei numa resposta. No entanto, Mónica fez sinal que não se importava e eu deixei-os a dançar na pista. Não sei se ela teria esquecido a cena da tarde ou simplesmente não quis criar atritos.

Regressei à mesa e fiquei a falar com Cajó. Humberto vigiava, apaixonadamente, os movimentos da minha prima.

Enquanto dançavam, Carlinhos tentou seduzir Mónica. Ela não ligou e continuava a dançar. Porém, Carlinhos continuava a insistir e começou a apalpá-la.

Sem que quase ninguém reparasse, Mónica afastou-o, mas ele voltou a agarrá-la e tentou beijá-la.

O único que se apercebeu foi Humberto que saiu disparado da mesa em direcção a eles. Eu, espantado com a sua reacção, olhei para a pista e reparei no mesmo que ele.

Na pista, Carlinhos forçava Mónica a beijá-lo. Humberto aproximou-se deles e separou-os, empurrando Carlinhos.

Mónica, com medo, refugiou-se atrás de Humberto. Carlinhos retomou o equilíbrio e tentou responder a Humberto com um soco. Só que a minha presença pôs cobro à sua tentativa.

Caminhando desequilibradamente, Carlinhos afastou-se de nós. Por alguns minutos perdêmo-lo de vista.

Eu fiz sinal a Humberto, agradecendo-lhe a sua atitude, e amparei Mónica levando-a de volta à mesa. Ficámos sentados durante algum tempo, a ouvir a música e a ver a população que nos rodeava. A cada minuto que passava, a nossa preocupação por Carlinhos aumentava.

No entanto, ele não demorou muito mais a regressar até nós. Vinha acompanhado por uma mulher que seduzira, ou que o seduziu, no bar.

A mulher era mulata com cabelos compridos encaracolados e de formas corporais bastante generosas. A minúscula camiseta branca e os minúsculos calções brancos que trazia vestidos, mostravam o seu corpo quase totalmente.

Carlinhos agarráva-se a ela como uma ventosa e trouxe-a até nós.

— Esta é a Marlene. — gritou ele, apresentando-a.

Nós cumprimentámo-la com um sinal gestual e Carlinhos sentou-se na sua cadeira. Marlene sentou-se no seu colo, ficando ambos aos beijos.

Vê-lo distraído com ela dava-me algum descanso. Assim já não incomodaria ninguém. Mas, infelizmente, os problemas não haviam terminado.

Ainda na mesa, fomos surpreendidos por um indivíduo que se dirigiu a Carlinhos e o separou de Marlene.

Com a música tão alta, era quase impossível perceber o que eles diziam. Mas, deu para entender que o estranho era namorado de Marlene e veio pedir explicações a Carlinhos.

Carlinhos, completamente bêbado, não perdeu tempo com palavras e agrediu o outro com um valente soco na cara.

A partir desse momento, assistiu-se a uma cena de pugilato entre os dois que só terminou, quando eu e Cajó os separámos.

Alertado por alguém, o segurança veio ao nosso encontro e pediu explicações. Como era amigo de Carlinhos, deixou-o ficar, levando o outro e expulsando-o da discoteca.

Marlene desinteressou-se pelo namorado e continuou com Carlinhos.

O conflito parecia sanado. No entanto, eu tinha um presentimento de que aquilo estava longe do fim. E isso viria a ser confirmado.

Já de madrugada, saímos do bar e dirigimo-nos aos locais onde o carros haviam ficado. Chegámos primeiro ao de Cajó. Este e Humberto entraram para o carro, mas Carlinhos não o fez e pediu-me para o levar a ele e Marlene. Eu, para não criar conflitos desnecessários, concordei em levá-los e deixá-los numa pensão. Sendo assim, Cajó não perdeu mais tempo e, depois de nos despedirmos, partiu.

Quanto a nós os quatro, continuámos a andar até ao meu carro. Carlinhos e Marlene iam à frente, abraçados e aos beijos. E eu e Mónica vinhamos atrás de mão dada.

Foi então que aconteceu o pior. A meio do caminho, um automóvel atravessou-se à nossa frente e, lá de dentro, sairam três indivíduos. Um deles era o namorado de Marlene.

Nunca na minha vida pensei assistir a uma cena como aquela que ali se viria a desenrolar.

O namorado de Marlene saiu primeiro e apontou-nos uma pistola. Enquanto os outros dois faziam o mesmo.

— Vocês os dois não se metam nisto! E ninguém vos fará mal. — disse ele, olhando para mim e para Mónica.

— O que é que queres? — questionou Marlene, apavorada.

— Cala-te, puta! — ordenou ele, dando-lhe uma estalada na cara que a atirou ao chão.

Carlinhos, cambaleante, tentou ir em seu auxilio. Mas foi privado de o fazer por outro dos indivíduos armados. O terceiro indivíduo ficou a vigiar-me. E eu abraçava Mónica, tentando protegê-la do que se estava a passar.

Marlene, a sangrar dos lábios, tentou levantar-se, mas foi novamente agredida pelo namorado, ficando caida no chão de barriga para baixo.

Mais uma vez, Carlinhos tentou ajudá-la. Só que foi agredido pelo outro que o segurava. Tudo isto a poucas centenas de metros da multidão.

Eu queria ajudá-lo, mas a minha prioridade era proteger Mónica. A minha prima estava apavorada com toda a cena.

Aquilo estava longe do fim. Marlene foi agredida várias vezes pelo seu namorado. Enquanto os outros dois nos apontavam as armas.

O namorado de Marlene ajoelhou-se sobre ela e rasgou-lhe a roupa. Seguidamente, levantou-se e puxou-a para uma zona mais escura, saindo do meu campo de visão. O que me vigiava, mantinha-se impávido. Enquanto o terceiro começou a bater em Carlinhos, esmurrando-o e pontapeando-o.

— Parem com isso! — pedi eu, tentando evitar que Mónica olhasse para aquilo.

— Não te metas! Senão... — avisou o tipo.

Mónica nem olhava para lá, estava enojada com a cena e ainda mais apavorada. Eu abraçava-a e controlava com o olhar os movimentos de todos eles.

Ainda fiz um gesto para tentar ajudar Carlinhos, mas o individuo que me vigiava apontou-me mais a arma, dando-me a entender que não hesitaria em usá-la.

Quando o namorado de Marlene reapareceu, vinha nu da cintura para cima e a apertar as calças. Os outros dois, ao vê-lo, largaram as suas funções, ficando Carlinhos no chão.

Não sei o que teria acontecido entre o individuo e a namorada, pois não era possivel ver de onde eu estava. Ouvi algumas agressões, gritos, insultos...

Marlene estava em estado de choque, quando apareceu atrás do namorado, vinda da zona sombria para onde ele a arrastara. Pouco restava da sua roupa, pareceu-me ferida e coxeava ligeiramente.

─ És um porco cobarde! ─ gritou-lhe ela, cambaleando encostada ao muro.

O seu namorado puxou da pistola e respondeu com dois tiros, matando-a a sangue-frio.

Mónica estremeceu com o som arrepiante dos disparos e encolheu-se toda atrás de mim. Temi pela vida de todos, certo que os criminosos não iriam deixar testemunhas.

Os tiros alertaram os guardas da esquadra que ficava não muito longe dali.

─ Que foste fazer? ─ interrogou um deles ao assassino, usando um tom condenatório.

─ A puta mereceu! ─ exclamou ele, completamente alterado.

─ Vamos dar de frosques, man! A bófia vem aí!

Os outros dois cumplices entraram para o carro, sendo seguidos pelo assassino. Ao arrancarem, o namorado de Marlene tentou ainda alvejar Carlinhos, mas felizmente falhou.

Depois de partirem, tentei auxiliar Carlinhos. Poucos metros mais à frente, estava o corpo de Marlene com o peito perfurado por duas balas.

Ao chegar, a policia ainda avistou o carro dos marginais. Porém, já não os conseguiu alcançar.

Um dos guardas correu em nosso auxilio. Outros dois também vieram averiguar a situação.

— O que aconteceu? — perguntou um dos guardas.

Eu contei tudo o que se havia passado, não largando nunca Mónica que estava em pânico, agarrada a mim.

Minutos mais tarde, chegou uma ambulância ao local. Carlinhos foi levado para o hospital, pois apresentava muitos ferimentos devido às agressões.

Mais tarde, outra ambulância levou o corpo de Marlene para a morgue do hospital.

Eu e Mónica fomos à esquadra contar o que se passara. A meu pedido, Mónica foi dispensada de prestar qualquer depoimento, devido ao seu estado. Enquanto eu relatava o sucedido a um dos agentes, uma policia ficou a acalmar Mónica. Fomos tratados com toda a delicadeza. Ainda lá estivemos duas horas, até tudo estar tratado para que a policia pudesse procurar os bandidos.

Cerca das 05h00, deixámos a esquadra e regressámos ao carro.

— Estás bem? — perguntei eu.

— Mais ou menos. — disse ela.

— Já passou. — afirmei eu, tentando acalmá-la.

Mónica parou, olhou para mim e começou a chorar.

— Abraça-me, por favor. — pediu ela.

Eu abracei-a e esperei que ela se acalmasse. Aquela noite ficaria marcada para sempre na nossa memória.

Meia hora mais tarde, estávamos em casa. Os meus pais ainda dormiam e nem deram pela nossa chegada. Mónica foi para o seu quarto descansar e eu para o meu.

Tanto eu como a minha prima tivemos dificuldade em adormecer.

Quando nos reunimos todos ao almoço, no dia seguinte, eu contei aos meus pais o que se havia passado. Eles ficaram chocados e disponibilizaram-se para tudo o que fosse preciso.

Após a refeição, eu e Mónica fomos para o meu quarto conversar.

— Sabes, Marco? Quandos os vi a fazer aquilo, tive medo que nos matassem. — confessou ela.

— Quando eles nos mandaram afastar, eu percebi que se tratava de uma questão pessoal. — disse eu.

— Está bem! — concordou ela. — Mas naquela altura, eu nem me lembrei disso. Estava apavorada...

Eu sorri, abracei-a e disse:

— Não penses mais nisso.

O tempo foi passando. A meio da tarde, saí de casa para mais um treino com Rafaela. Tudo se passou como era costume. Quase parecia um guião para a cena de um filme. Corrida, treino com bola, despedidas, cada um para seu lado, até à próxima...

Quando vinha a sair do complexo desportivo, encontrei o Humberto.

— Então, o que andas a fazer? — perguntei eu, sorrindo.

Humberto apertou-me a mão e disse:

— Nada de especial. Telefonei para tua casa e disseram-me que estavas aqui.

— Algum problema? — perguntei eu, preocupado.

— Não! Precisava só de falar contigo. — explicou ele.

— Diz lá!

Humberto, com um olhar sério, começou:

— Nem sei como começar...

─ Desembucha, rapaz!

─ Estou apaixonado pela tua prima! ─ confessou num repelão, quase sem respirar. ─ E vinha perguntar-te se sabias se ela gostava de mim.

Eu sorri e disse:

— Não sei! Mas, posso perguntar-lhe.

— Podias fazer isso? — interrogou ele, ansioso.

— Posso! — confirmei eu. — Eu falo com ela. Depois digo-te qualquer coisa.

Humberto ficou contente e agradeceu-me várias vezes. Acompanhou-me durante metade do meu percurso de regresso a casa. Fomos a conversar sobre o que se passara na noite anterior, pois ele já estava ao corrente da situação.

Nesse dia, depois do jantar, fui ao quarto de Mónica para falar com ela.

— Mónica, tenho um assunto muito importante para falar contigo. — informei eu.

— Oui? Diz-me! — pediu ela, curiosa.

— Há uma pessoa que está interessada em ti. — afirmei eu.

Mónica olhou para mim e, desinteressadamente, disse:

— Se não fores tu, não me interessa.

— Mónica, já te disse que eu gosto de outra pessoa e tu és uma amiga, nada mais. — contapus eu.

— É aquela Rafaela, não é? — questionou Mónica, aborrecida.

— É! Mas, isso agora não vem ao caso. — respondi eu. — A pessoa que gosta de ti é o Humberto.

— Esse??? — interrogou ela com desdém. — Nem morta! Não tem graça nenhuma. Parece uma criança.

— Tem a tua idade! — disse eu.

Mónica aproximou-se de mim e afirmou:

— Mete uma coisa na cabeça! Eu só te quero a ti.

Perante tanta intransigência, saí do quarto e deixei-a sozinha. Quando regressei ao meu quarto, telefonei ao Humberto para o aconselhar a desistir da sua paixão.

Humberto, triste com a rejeição, não recuou e manteve a esperança de conquistar o coração de Mónica.

A semana seguinte, não trouxe quase nada de especial. Todas as manhãs, eu e Rafaela fomos para a praia, treinar e fazer a preparação necessária aos torneios.

Durante essa mesma semana, a policia capturou os três indivíduos que nos atacaram em Alcântara. Carlinhos saiu do hospital e regressou a casa, ainda com mazelas das agressões.

Mas o facto mais importante foi o jogo de sedução que Mónica executou sobre mim, todas as noites, quando nos reuniamos na sala.

Mónica vestiu todas as noites uma mini-saia e sentava-se em frente a mim, mostrando-me as pernas e olhando para mim como se me estivesse a convidar a tocar-lhes. Felizmente, os meus pais não se aperceberam desse jogo.

No Sábado, os meus pais sairam da sala e foram falar com a vizinha do lado, à escada. Eu e Mónica ficámos sozinhos a ver televisão.

Em frente a mim, Mónica que estava sentada no outro sofá, puxou a saia para cima. E, para meu espanto, reparei que ela não vestia cuecas.

Sem dizer nada, Mónica levantou-se e veio sentar-se no meu colo, de frente para mim, e começou a abraçar-me. Por muito que eu não quisesse, a sua atitude começava a excitar-me.

Antes que eu dissesse alguma coisa, ouvimos os meus pais a regressar à sala.

— Vêm aí os meus pais! — disse eu, apavorado.

Mónica, muito calmamente, levantou-se, puxou a saia para baixo e sentou-se no seu lugar, ficando a olhar para mim e a sorrir. Ela sabia que eu não tinha ficado indiferente aos seus actos.

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