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AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

CAPÍTULO VIII

O fim-de-semana chegava. Como havia sido combinado, todos nos preparávamos para ir à praia. Levantei-me às 07h30 para ter tempo de me arranjar. Ao sair do quarto, tudo estava em silêncio, pois todos permaneciam a dormir.

Fui até à casa-de-banho, fazer a higiene diária e regressei ao meu quarto para me vestir. Depois de comer qualquer coisa, fui até à porta do quarto de Mónica e bati. Ainda demorou um bocado, até obter resposta.

Dois minutos mais tarde, a porta abriu e do interior saiu Mónica. Como de costume, trazia a sua camisa branca que vestia sempre que se levantava.

— Que queres? — perguntou ela, ensonada.

— Não vens, à praia, connosco? — questionei eu.

— Vou! Mas, ainda são 08h30. — informou ela, olhando para o relógio.

— Eu sei! Só que eu vou buscar uma amiga, por isso, quando regressar, partimos. — expliquei eu.

— Está bem. — concordou ela. — Eu vou preparar-me.

Com as coisa encaminhadas em casa, saí para a rua apressadamente. Ia com tanta pressa que me esqueci das chaves do carro. Regressei ao domicílio e fui buscá-las. Tendo, de seguida, passado por casa de Bento para o avisar.

Uma vez dentro do carro, arranquei rumo ao prédio de Rafaela. Mas antes, parei numa pastelaria para tomar um café.

Cheguei à porta do prédio dela, às 09h05. Rafaela já me esperava, junto às escadas. Para ser sincero, devo dizer que nem a reconheci.

Ao olhar para o local onde ela estava, vi uma mulher com uma t-shirt azul, calções de ganga até aos joelhos (parecia ser o resto de umas calças) e uns chinelos de praia pretos. Na cabeça, tinha um boné virado para trás e uns óculos escuros. A mão direita carregava um saco e a esquerda segurava a bola.

Quando viu o meu carro, Rafaela fez-me sinal e só aí a reconheci. Cumprimentámo-nos e ela entrou para o lugar ao meu lado, enquanto eu guardava as suas coisas no porta-bagagens.

Seguimos para minha casa, sem falar muito. O percurso não era grande.

Chegados ao meu prédio, avistei junto à porta, o Humberto. Vinha, tal como eu, de camisola, calções e chinelos, não esquecendo o saco dos pertences.

Saí do carro, seguido por Rafaela, cumprimentei-o e apresentei-os. Rafaela limitava os seus cumprimentos, a um simples "olá" ou "tudo bem". Por timidez, ela não beijava ninguém.

Enquanto conversávamos, Mónica desceu e juntou-se a nós. Vinha deslumbrante, vestia uma camisola de alças, amarela, muito justa e uma mini saia da mesma cor. Nos seus pés, calçava umas sandálias douradas. O cabelo estava apanhado na nuca.

Mónica entregou-me o seu saco, para eu guardar, e colocou os óculos de sol que trazia na mão.

— Mónica! Esta é a Rafaela. — apresentei eu.

— Olá! — disse Mónica, não dando muita confiança.

Estava eu a arrumar o saco dela, quando ouvi buzinar. Olhei para trás e vi Cajó que acabara de chegar. Cajó parou o carro junto ao meu e saiu. Vinha engraçado, pois parecia mais um tenista que um banhista. Vestia uma camisola branca, uns calções bracos e calçava tenis brancos.

Novamente, apresentei Rafaela. Cajó saudou-a com a mão e dirigiu-se aos outros para lhes falar.

Pouco depois, apareceu Carlinhos. Caminhava calmamente de calções e mochila às costas, trazendo um semblante carregado. Vê-lo sozinho, confirmava o resultado do meu plano.

— Bom dia! — disse ele a todos.

Eu aproximei-me dele e perguntei:

— Vens com uma cara... Aconteceu alguma coisa?

Carlinhos olhou para mim e, com olhar triste, disse:

— A Xana deixou-me!

— Porquê? — questionei eu com a maior inocência.

— Não sei! — respondeu ele. — Quando lhe telefonei para vir comigo, ela atendeu e disse que nunca mais me queria ver.

A conversa não teve seguimento, já que entretanto, Bento e Madalena sairam do prédio. Ele trazia calças de algodão, camisola de alças e chinelos, tudo em verde escuro. Ela vestia um fato de banho floreado, condimentado com uma saia branca e tenis rosa.

Uma última vez, apresentei Rafaela.

Como já estavam todos, entrámos para o carro com a ideia de partir. No meu carro iam Rafaela ao meu lado, Bento, Madalena e Mónica atrás. No carro do Cajó foram Carlinhos, Humberto e, claro, Cajó.

Um atrás do outro, lá seguimos rumo à praia. O trajecto não demorou mais de quarenta e cinco minutos.

Quando chegámos ao parque automóvel da praia, este estava praticamente cheio. Eu consegui estacionar perto da entrada e Cajó arrumou do outro lado do parque.

Saímos do carro, tirámos as coisas do porta-bagagens, tranquei o carro e carregámos o material para a praia. Cem metros mais à frente, reencontrámo-nos com o Cajó, o Humberto e o Carlinhos.

Ao entrar no areal, todos nos descalçámos. Caminhámos pela areia quente, durante alguns minutos, até encontrarmos um local mais espaçoso. Aí, pousámos os sacos e começámos a ganhar posições, estendendo as toalhas. Os homens foram os primeiros a despir-se, ficando em calções. Seguidamente, foram as senhoras.

Madalena retirou a saia e ficou com o seu fato de banho. Não quis ir à água, preferindo ficar na toalha. Mónica foi a mais ousada. Retirou a mini saia, descobrindo a parte inferior do biquini, sentou-se na toalha e despiu a camisola de alças, ficando em topless. Muito desinibida, acompanhou-nos a água.

A que mais me surpreendeu foi Rafaela. Ela guardou o boné, despiu os calções e a t-shirt. E ficou com um biquini alaranjado, muito sensual.

Aquelas duas peças assentavam sobre um corpo lindissimo. Até àquela altura, jamais imaginara que Rafaela pudesse ser tão bem feita, fisicamente. Tinha um corpo devidamente musculado. O peito não era grande, a cintura era fina e as pernas eram compridas, com uma enorme beleza a cada centimetro. Para completar, tinha uns pés lindos.

Como é que alguém se podia vestir de forma tão masculina, tendo um corpo tão feminino e tão bonito? Eu já me sentia apaixonado por ela, mas naquele dia essa paixão aumentou ainda mais.

Bento ficou com Madalena, estendidos ao Sol. Cajó e Carlinhos começaram a correr em direcção à água. Humberto acompanhou-os. Eu fiquei para trás, caminhando devagar na companhia de Rafaela e Mónica. Perto da água, também Mónica começou a correr. A visão de Mónica a entrar na água era espantosa. Os saltos dela a atravessar as ondas, dava um grande protagonismo aos seus seios que saltitavam, graciosamente, respondendo aos impulsos do seu corpo.

Ao vê-la, Humberto ficou petreficado a olhar. Cajó e Carlinhos também não ficaram indiferentes à imagem. Eu parei e fiquei a vê-los saltitar na água. Rafaela também entrou na água, molhou-se um pouco e regressou à sua toalha.

A maior vontade que eu tinha, naquela momento, era estar junto de Rafaela. Por isso, mal me molhei, regressado à minha toalha. Mónica veio atrás de mim.

Sentei-me na toalha e fiquei a olhar para Rafaela. Não conseguia resistir à vontade de a visionar. Porém, desviava sempre o olhar, quando ela olhava para mim.

Mónica, sentada na sua toalha, espalhava creme pelo corpo e olhava para mim com um semblante provocador.

Mais tarde, Carlinhos, Cajó e Humberto regressaram da beira-mar. Estavam completamente molhados.

O calor apertava, o que levou Bento e Madalena a ir até à água. De mão dada, lá caminharam pela areia até ao rebentamento das ondas. E ficaram lá bastante tempo. Quando regressaram, deitaram-se nas toalhas e Madalena despiu o fato de banho, enrolando-o até à cintura. Bento não parecia muito agradado com a atitude da mulher, mas ela pouco se importou.

Ao vê-la assim, Carlinhos chamou-me e, em voz alta, disse:

— Parece que só a tua amiga, é que não gosta de se mostrar.

Rafaela não gostou nada da frase e levantou-se, bastante aborrecida. Não respondeu, mas afastou-se até junto da água.

Eu levantei-me, aproximei-me de Carlinhos e disse:

— Qual é a tua, pá? Voltas a mandar outra boca dessas e levas nos cornos.

— Este gajo, às vezes é estupido. — afirmou Cajó, dando uma pancada na cabeça de Carlinhos.

— Era a brincar! — justificou Carlinhos. — Vê lá se te ofendi o amorzinho?

Ao ouvi-lo, a minha vontade foi bater-lhe. Mas, Bento agarrou-me e disse que não valia a pena. E, de facto, não valia.

A minha preocupação virou-se para Rafaela que permanecia de pé, junto ao mar, a contemplar o horizonte. Eu aproximei-me dela e pedi:

— Desculpa! Não ligues ao que ele disse. O tipo é estupido.

— Não tem importância! — disse ela, sem desviar o olhar das ondas.

Ela parecia querer ficar sozinha, pois continuava aborrecida. Rafaela tinha uma personalidade muito especial. Parecia fria, mas era extremamente sensivel. Os seus olhos queriam chorar, mas a sua postura permanecia séria e sem dar mostras de desabar num mar de lágrimas.

Colocando-me a seu lado, olhei novamente para ela e disse:

— Sinto-me culpado, pelo que aconteceu.

— Porquê? — perguntou ela, olhando para mim.

— Afinal, fui eu quem te trouxe para junto de um estupido daqueles. — respondi eu.

Rafaela sorriu e olhou novamente para o mar. Depois fechou os olhos, voltou a abri-los e disse:

— Anda! Vamos treinar.

Ambos voltámos ao grupo. Rafaela foi buscar a bola e o boné. E eu esperei por ela. Carlinhos olhava, mas não ousou pronunciar-se.

Rafaela e eu escolhemos um local onde não houvesse gente, para treinarmos à vontade.

Antes de começarmos, ela colocou a bola no chão e arranjou o cabelo, prendendo-o no boné. Depois, voltou a pegar na bola e começámos o treino. Treinar na praia era muito mais cansativo que fazê-lo no Estádio 1º de Maio. Mas, só assim poderiamos ficar devidamente preparados.

— E se fizessemos um jogo? — sugeri eu.

— Com quem? — perguntou ela.

— Eu chamo dois dos meus amigos. Vamos para o campo, lá em cima. — especifiquei eu, apontando para um pequeno campo dividido por uma rede.

Rafaela concordou e eu fui até ao grupo, convocar os adversários.

— Quem é que quer vir jogar contra nós? — perguntei eu.

— Eu alinho! — ofereceu-se Cajó.

— E tu Humberto, queres vir? — convidei eu.

— Não, eu fico por aqui. — informou ele.

Entretanto Carlinhos levantou-se e disse:

— Eu vou!

A ideia não me agradava, mas também não tinha outra hipótese. Sendo assim, vi-me obrigado a concordar.

Mónica é que não gostava nada que eu lhe desse tão pouca atenção, em prol de Rafaela. Irritada, levantou-se da toalha e foi tomar um banho.

Eu, Rafaela, Cajó e Carlinhos fomos até ao campo de volei de praia, onde começámos a jogar. Eu e Rafaela contra o Cajó e o Carlinhos.

O jogo foi interessante, só que eles não tinham hipóteses perante nós. O mais engraçado do jogo, foi o remate de Rafaela que atingiu o rosto de Carlinhos.

Com ironia, Rafaela pediu-lhe desculpa. Pois sentia-se vingada da situação anterior. No entanto, o jogo já não continuou. De súbito, ouvi chamarem-me. Tratava-se de Madalena que tentava avisar-me de algo muito grave e apontava para o mar.

Quando olhei para lá, vi Mónica em apuros na água. A minha prima gesticulava, desesperadamente, pedindo ajuda.

Começámos a correr para lá, mas estavamos muito longe para a ajudarmos. Valeu o Humberto que correu em seu auxilio.

Ao chegar à beira-mar, já não os viamos e temiamos o pior. Para agravar a situação, a praia estava sem nadador-salvador. As ondas rebentavam à nossa frente com uma força assustadora, pois o estado do mar agravara-se muito, em pouco tempo. E Mónica fora apanhada, completamente, de surpresa.

Eu ainda quis ir lá, mas Cajó segurou-me e aconselhou-me a não arriscar. Só um louco se aventurava naquele mar. E, felizmente, Humberto fora suficientemente louco e bom nadador para se arriscar a salvá-la.

Só que tratava-se da minha prima e eu não podia ficar impávido, a assistir a tudo aquilo. Por isso, não liguei ao conselhos de Cajó e corri para a água. Contudo, a voz de Bento travou o meu andamento:

— Olha! Lá estão eles.

Eu olhei para o mar e vi, ao longe, Humberto a nadar e carregando Mónica. Ele travava uma luta enorme para chegar até nós.

Completamente cansado, Humberto saiu da água, carregando nos braços Mónica que perdera os sentidos. Já salvos, deitou-a na areia e caiu para o lado, repousando do enorme esforço que fizera. Nunca esqueci aquele acto de Humberto que salvou a vida à minha prima Mónica. Acreditem que se não fosse ele, naquele dia eu tinha perdido a minha prima.

Deitada na areia, Mónica respirava bem, mas estava desmaiada devido ao susto. Eu peguei nela, levei-a para a sua toalha e deitei-a nela. Simultaneamente, Mónica acordou, assustada.

— Calma! Já estás salva. — informei eu, sorrindo.

Mónica levantou-se um pouco zonza e perguntou:

— Foste tu que me salvasta, Marco? Obrigado!

— Foi o Humberto. — disse o Bento, atrás de mim.

Mónica não se manifestou e continuou deitada.

Como ela estava bem, fui falar com o Humberto e agradeci-lhe a sua atitude heróica. E ambos regressámos ao local onde estavam todos.

Ao ver-nos, Mónica levantou-se e aproximou-se de nós.

— Disseram-me que foste tu que me salvaste. — afirmou ela, olhando para ele.

Muito tímido, Humberto não disse nada. Por isso, tive de ser eu a falar por ele:

— É verdade, foi ele que te salvou a vida.

Mónica sorriu, colocou-se na sua frente, abraçou-o e deu-lhe dois beijos na face. Humberto ficou envergonhado e até corou.

O tempo foi passando e o Sol chegava ao seu ponto mais alto. O calor tornava-se insuportável, por isso vestimo-nos, pegámos nas nossas coisas e fomos até ao pinhal.

O pinhal ficava perto da praia. Para não perdermos o lugar no parque, fomos a pé. Posicionámo-nos em círculo na sombra das árvores e começámos a comer.

Madalena e Bento trouxeram sandes de carne assada e uma garrafa de água. Cajó trouxe um pacote de batatas fritas e chouriço. Carlinhos devorava umas sandes de presunto, acompanhadas por cerveja. Humberto comia maçãs e bebia sumo de laranja. Rafaela saboreava um iogurte natural dietético. Eu e a minha prima tinhamos trazido um par de sandes de fiambre, melão e duas colas.

Só Mónica não quis comer nada, pois estava ainda abalada com o sucedido. Enquanto comiamos, ela foi passear um pouco.

Findo o almoço, Carlinhos levantou-se e afastou-se do grupo, indo ao encontro de Mónica. Encontrou-a sentada numa pedra, a cerca de vinte metros dali.

— Então, tudo bem? — disse ele, matreiramente.

— Oui! — respondeu Mónica.

— Essa pronuncia francesa... — disse ele, sentando-se a seu lado.

— Eu gostava de ficar sozinha. — pediu ela.

Carlinhos, indiferente ao seu pedido, continuou:

— O Marco nunca me disse que tinha uma prima tão bonita.

— Fez ele bem. — contrapôs ela.

Surrateiramente, Carlinhos colocou a mão na perna de Mónica e disse:

— Podiamos sair juntos, um dia destes.

Mónica sacudiu-lhe a mão e respondeu:

— Não estou interessada.

— De certeza? — insistiu ele, colocando a mão na cintura dela.

— Oui! — confirmou ela, voltando a sacudir-lhe a mão.

Carlinhos, irritado com as recusas, agarrou-a pelo braço e interrogou:

— Achas-te muito boa para mim?

— Laisse-moi! — pediu ela, tentando levantar-se.

— Não percebo francês. — disse ele, continuando a agarrá-la.

— Larga-me. — traziu ela.

Surdo aos seus pedidos, Carlinhos continuava a agarrar-lhe o braço e propôs:

— Se me deres um beijo, eu largo-te.

Mónica recusou-se e Carlinhos puxou-a para si, agarrando-a pela cintura. Segurando-lhe os braços, ele tentou beijá-la à força. Mas, foi interrompido por uma voz:

— Deixa-a em paz!

Era Rafaela que entretanto se aproximara.

— Vai-te embora que isto não é nada contigo! — ordenou Carlinhos

— Preferes que vá chamar o Marco? — avisou Rafaela.

Carlinhos não disse nada, pois isso era o seu último desejo. Frustrado nos seus actos, ele largou Mónica e atirou-a ao chão, afastando-se de seguida.

Rafaela auxiliou Mónica que se levantava com dificuldades. A minha prima ainda ficou com alguns arranhões, devido ao empurrão.

— Merci! — agradeceu Mónica, não só pelo auxilio, como por a ter livrado de Carlinhos.

— De nada. — respondeu Rafaela, sorrindo.

— Não contes nada ao Marco. — pediu Mónica.

— Não te preocupes. — concordou ela, nunca chegando a contar. Fora Mónica quem mais tarde o viria a fazer.

Uma hora mais tarde, todos regressámos à praia. Passámos o resto da tarde, ora na água, ora na areia.

Perto da hora de regressarmos a casa, Cajó reuniu o grupo e sugeriu:

— Logo à noite, podiamos ir até Alcântara!?

— Por mim, tudo bem. — concordou, logo, Carlinhos.

— Marco?... — perguntou Cajó.

— Pode ser.

— Eu também vou! — disse Mónica.

Bento e Madalena também concordaram.

— Rafaela! Também vens? — indaguei eu.

— Não! Não posso. — respondeu ela.

Mais uma vez, Rafaela desiludia-me. Mais uma vez, afastava-se de mim. Parecia não querer aproximar-se das pessoas. Mantinha os relacionamentos distantes e indiferentes.

Depois do dia que todos passáramos, fiquei convencido que ela passaria a pertencer àquele grupo de amigos. Mas, infelizmente, estava enganado.

Porém, a combinação continuava e o último a aceitar, foi o Humberto.

Já com o Sol a pôr-se, arrumámos as coisas e partimos de regresso a casa. O percurso foi, exactamente, o inverso que haviamos feito de manhã.

Quando reentrámos em Lisboa, Cajó seguiu por outro caminho, rumo a casa. Levava consigo, Carlinhos e Humberto que iria deixar em suas casas.

Tinhamos combinado reencontrarmo-nos na Doca de Alcântara, às onze da noite. Eu segui rumo à Avenida Estados Unidos da America, onde deixei Rafaela. Ao despedir-me dela, não consegui disfarçar a mágoa por não nos acompanhar e acabei por ser frio com ela. Rafaela notou a minha atitude, mas não se pronunciou. Após esta pequena paragem, segui para o meu prédio.

Estacionei à porta e descarreguei o porta-bagagens com a ajuda de Bento. Ele e Madalena foram para casa, enquanto eu e Mónica subiamos as escadas.

Ao subirmos, Mónica sussurrou-me:

— Queres tomar banho comigo?

— Deixa-te de ideias. — disse eu.

— Como irmãos. — insistiu ela.

Eu olhei para ela e disse:

— És doida. O que é que os meus pais iriam pensar?

Mónica não respondeu, limitando-se a acompanhar-me na subida.

Ao chegarmos a casa, reparámos que os meus pais não estavam. Por isso, Mónica voltou a insistir:

— Então não queres vir?

— Não! — voltei eu a responder. — Achas bem, estarmos os dois todos nus na banheira.

— Não sejas parvo! — disse ela. — Já não me viste toda nua?

— Já! — confirmei eu. — Mas, não é isso...

Mónica virou-me as costas e foi tomar banho sozinha.

O seu convite era sedutor. Mas ela era minha prima e... o que sentia por Rafaela começava a ser um obstáculo ao meu relacionamento com outras mulheres.

Quando os meus pais chegaram, estava eu a sair da casa de banho, depois de ter tomado um duche. Meia hora mais tarde, estávamos todos a jantar. Após a refeição nocturna, eu e Mónica fomos para os nossos quartos, prepararmo-nos para sair.

Enquanto me vestia, o meu telemóvel tocou e eu atendi. Do outro lado, estava Bento.

— Marco! Afinal, nós não vamos. — informou Bento.

— Algum problema? — perguntei eu.

— Não! Estamos, apenas, cansados. — justificou ele. — Vamos noutra altura.

— Tudo bem. — aceitei eu.

Sendo assim, dali só iriamos eu e Mónica.

Já pronto, saí do quarto e avisei os meus pais de que iamos sair.

A seguir, fui chamar Mónica que ainda estava no quarto. Bati à porta e entrei. Lá dentro, Mónica aprontava-se, dando um ultimo retoque na pintura das pestanas.

Como sempre, estava deslumbrante. Vestia unicamente um casaco preto, sobre o tronco, e uma saia da mesma cor, até aos pés. A fazer conjunto, calçava uns sapatos de salto alto, pretos. O cabelo estava solto sobre o casaco.

Quanto a mim, ia vestido com uma camisa azul escura, coberta por um casaco preto e calças de ganga pretas. Os sapatos eram, igualmente, pretos.

Saimos de casa às 22h30 e dirigimo-nos ao meu carro. Sem mais demoras, rumámos à Doca de Alcântara.

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